quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Introdução ao NT

INTRODUÇÃO

A palavra evangelho significa boa nova ou boa mensagem. Este termo designa os quatro primeiros livros do Novo Testamento que relatam a vida e os ensinamentos do encarnado Filho de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo. Tudo o que fez para estabelecer uma vida reta e justa na terra e para salvar a humanidade pecadora.
Através desta apostila mostraremos ao aluno em que circunstâncias os evangelhos foram escritos e apresentaremos ensinamentos selecionados do nosso Redentor. É de nosso desejo que o aluno venha a se aprofundar na vida e nos ensinamentos do Salvador, pois, quanto maior é nossa experiência espiritual à medida que passamos a ler mais os evangelhos, mais forte se torna nossa fé e mais claramente passamos a entender o sentido da nossa vida terrena. Também, quanto maior é nossa experiência espiritual, mais evidente se torna a nossa proximidade com o Salvador. Ele verdadeiramente passa a ser o nosso “Bom Pastor” que nos orienta para o caminho da salvação.
Nos dias de hoje principalmente, quando tantas opiniões contraditórias e infundadas aparecem, seria mais sábio que fizéssemos dos evangelhos o nosso livro de referência. Pois, enquanto todos os livros que lemos contêm opinião de homens comuns os evangelhos revelam-nos as palavras eternas do Senhor.


1. VISÃO PANORÂMICA

O Novo Testamento começa com quatro livros que têm o mesmo título: "Evangelho". São os mais excelentes de todos os livros da Sagrada Escritura, enquanto são o principal testemunho da vida e doutrina do “Verbo Encarnado”, nosso Salvador.
O Termo Evangelho
O termo evangelho vem do latim "evangelium" e do grego "evangelion" e significa boa nova, boa notícia. No grego clássico e helênico designava uma notícia alegre, especialmente uma vitória. Também podia indicar a recompensa que se dava ao portador dessa boa notícia. Os romanos chamavam de evangelho ao conjunto de benefícios que o imperador Augusto tinha trazido à humanidade e, também, usavam a palavra para anunciar o nascimento de um herdeiro de César ou da ascensão de um César ao trono.
A tradução da Septuaginta (LXX) já usava este termo no sentido de anunciar os tempos messiânicos (Is. 52:7 "como são belos, sobre os montes, os pés do mensageiro que anuncia a paz, do que proclama boas novas e anuncia a salvação") e também no sentido da chegada do Reino de Deus (Is. 61:1 "o Espírito do Senhor Javé está sobre mim, porque Javé me ungiu; enviou-me a anunciar a boa nova" Lc. 4:18s).
Na igreja primitiva, evangelho significava os livros que tratavam da boa nova da salvação messiânica. Esta "boa notícia" não é simplesmente mais uma mensagem de bem para a humanidade: ela é decisiva e definitiva, pois é a proclamação de que Jesus, com sua morte e ressurreição, nos libertou, nos redimiu dos nossos pecados, dando pleno cumprimento às promessas salvadoras que Deus tinha feito através dos profetas no Antigo Testamento.

Só existe um evangelho que leva à salvação: o pregado pelos apóstolos que, por sua vez, o receberam de Cristo, que lhes disse: "ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura" (Mc. 16:15).

O termo evangelho é encontrado doze vezes, sendo quatro em Mateus (4:23; 9:35; 24:14; 26:13) e oito vezes em Marcos (1:14-15; 8:35; 10:29; 13:10; 14:9; 16:15). A palavra vem sempre da boca de Jesus ou, então, se refere à sua pregação. Há uma exceção: Mc. 1:1. Em Lucas prevalece o verbo "evangelizar", presente dez vezes (1:19; 2:10; 3:18; 4:18-43; 7:22; 8:1; 9:6; 16:16; 20:1) e reencontrado nos sinópticos apenas em Mt. 11:5.
Há uma identificação entre o que Jesus diz, faz e é: "quem perde a sua vida por causa de mim e do evangelho, vai salvá-la", Mc. 8:35. Nesse paralelismo é evidente a identificação entre o evangelho e Jesus. E mais claramente: "quem tiver deixado irmãos, irmãs ou mãe... por causa de mim e por causa do evangelho...", Mc. 10:29. Portanto, "Evangelho", mais do que uma nova doutrina designa a novidade da pessoa de Jesus. Ele se tornou portador de toda a novidade, sendo portador de si mesmo.
Autores
A tradição eclesiástica atribui os evangelhos a Mateus, Marcos, Lucas e João. Mateus, o publicano, foi um dos doze apóstolos, escreveu na Palestina para cristãos convertidos do judaísmo. Sua obra, composta em hebraico (aramaico) foi, depois, traduzida para o grego. Marcos (João Marcos) foi um discípulo de Jerusalém que auxiliou Paulo, Barnabé e Pedro, do qual foi seu intérprete, redigindo em Roma sua catequese oral. Lucas, médico de origem pagã, nascido em Antioquia, foi companheiro de Paulo na segunda e terceira viagens e, também, em Roma. Apoiou-se na autoridade de Paulo assim como Marcos apoiou-se na de Pedro. Escreveu, também os Atos dos Apóstolos. João , o discípulo que Jesus amava, conviveu com Ele e em especial nos momentos da cruz e ressurreição.
Escreveu bem mais tarde que os outros três e apresenta traços que lhe são próprios. Ele quer dar a entender o sentido da vida, dos gestos e das palavras de Jesus. Os acontecimentos da vida de Jesus são "sinais" . É um evangelho mais profundo e teológico.
Existem também evangelhos apócrifos: Tomé, Tiago, Nicodemos, etc... Que a consciência cristã não reconheceu como Palavra de Deus: contem traços de história e verdade, ao lado de seções fantasiosas e heréticas.
Os evangelhos são “supostamente” simbolizados pelos animais descritos em Ez. 1:10 e Ap. 4:6-8: o leão Marcos, o touro Lucas, o homem Mateus e a águia João.
tradição cristã adaptou esses símbolos aos autores sagrados levando em conta o início de cada evangelho: como Mateus começa apresentando a genealogia de Jesus, é simbolizado pelo homem; Marcos tem início com João Batista no deserto, que é tido como morada do leão; Lucas se abre com Zacarias a sacrificar no templo, por isto é simbolizado pelo touro, vítima do sacrifício; João começa apresentando o Verbo preexistente que se fez carne, à semelhança de uma águia que voa muito alto para, depois descer e dar uma pausa na terra. Esta atribuição de símbolos aos evangelistas não se deve aos autores de Ezequiel e do Apocalipse, mas é obra de escritores cristãos dos séculos II à IV.

Conteúdo
O conteúdo dos quatro evangelhos é, em linhas gerais, o mesmo. Embora cada um comece de maneira diferente, todos coincidem no essencial: a apresentação de Jesus e da sua mensagem. Cristo não é somente o objeto do evangelho mas também o sujeito, pois Ele é o seu autor.
Mateus e Lucas têm dois capítulos para a infância de Jesus e acontecimentos anteriores ao nascimento dele: anunciação do anjo a José em Mateus e a Maria em Lucas que também fala da anunciação a Zacarias pai de João Batista. Marcos e João colocam Jesus diretamente em cena como adulto.
Ainda que a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo constituam o essencial da narrativa evangélica, os outros atos e gestos de Jesus e sobretudo seus ensinamentos não são negligenciáveis, tanto mais quanto a ressurreição lhe dá um sentido novo.
Os evangelhos não se propõem a fazer uma biografia de Jesus, mas a dar os ensinamentos necessários à salvação da humanidade. Jo. 20:30s "estes sinais foram escritos para que, crendo tenham vida em seu nome". Não se trata de uma fé meramente intelectual mas de uma fé que deve fazer-se vida.
As Escrituras são citadas com freqüência pelo próprio Jesus e mostram que o que tinha sido anunciado está se cumprindo em sua pessoa. Ele é o Messias anunciado pelo Antigo Testamento.


2. EVANGELHOS SINÓPTICOS

Os exegetas chamam evangelhos sinópticos aos de Mateus, Marcos e Lucas; desde que a exegese começou a ser aplicada à Bíblia ainda no século XVIII que os especialistas se aperceberam que, dos quatro evangelhos, os três primeiros apresentavam grandes semelhanças em si, de tal forma que se colocados em três grelhas paralelas, donde vem o nome sinóptico, do grego συν, "syn" («junto») e οψις, "opsis" («ver»), os assuntos neles abordados correspondiam quase inteiramente. Por parecer que quase teriam ido beber as suas informações a uma mesma fonte, como os primeiros grandes exegetas eram alemães, designaram essa fonte por Q, abreviatura de Quelle, que significa precisamente «fonte» em alemão.
Os evangelhos sinóticos estão relacionados um com o outro segundo o seguinte esquema: se o conteúdo de cada evangelho é indexado em 100, então quando se compara esse resultado se obtém: Marco tem 7 peculiaridades e 93 coincidências. Mateus tem 42 peculiaridades e 58 coincidências. Lucas tem 59 peculiaridades e 41 coincidências. Isso é, 13/14 (treze quatorze avos) de Marcos, 4/7 de Mateus e 2/5 de Lucas descrevem os mesmos eventos em linguagem similar.
O estilo de Lucas é mais polido do que o de Mateus e Marcos, com menos hebraísmos. Lucas utiliza algumas palavras latinas (Lucas 7,41; 8,30; 11,33; 12,6 e 19,20), mas nada de termos em aramaico ou hebraico, exceto sikera, uma bebida estimulante da natureza do vinho, mas não processada de uvas (do hebraico shakar, "ele está intoxicado", Levítico 10,9), provavelmente vinho de palmeira. Esse evangelho contém 28 referências distintas ao Antigo Testamento. Quanto ao quarto evangelho, o de João, relata a história de Jesus de um modo substancialmente diferente, pelo que não se enquadra nos sinópticos.
Enquanto que os evangelhos sinópticos apresentam Jesus como uma personagem humana demarcando-se dos comuns pelas suas ações milagrosas, já o evangelho de João descreve um Jesus como um Messias com um caráter divino, que traz a redenção e absolução ao mundo.

3. OS EVANGELISTAS

Mateus (nome grego, Matháios, que significa "dom de Deus", o mesmo que Teodoro). Seu nome em hebraico era Levi. Mateus, cobrador de impostos e apóstolo. Há quem afirme que foi o segundo dos evangelhos. Mateus teria conhecido o texto de Marcos.
Diz Papias que "Mateus reuniu os "Logía" de Jesus (ou seja os discursos), e cada um os traduziu como pôde do hebraico em que tinham sido escritos". Todavia, jamais foi encontrada nenhuma citação de Mateus em hebraico, nem mesmo em aramaico.
A dificuldade é que desde 400 anos antes de Cristo o hebraico não era mais falado, e sim o aramaico, que é uma mistura de hebraico com siríaco. Parece, pois, que Papias não tinha informação segura.
Um argumento em favor do hebraico ou aramaico de Mateus original são seus numerosíssimos hebraísmos. Entretanto, qualquer tradutor teria o cuidado de expurgar a obra dos hebraísmos. Se eles aparecem em abundância, é mais lógico supor-se que o autor era judeu, e escrevia numa língua que ele não conhecia bem, e por isso deixava escapar muitos barbarismos.
Supõe-se que Mateus foi escrito entre os anos 54 e 62. Dirige-se claramente aos judeus (basta observar as numerosas citações do Antigo Testamento esforço para provar que Jesus era o Messias prometido aos judeus pelos antigos profetas) . Mateus mostra-se até irritado contra seus antigos correligionários.
Marcos, ou melhor, João Marcos, era sobrinho de Pedro. O nome João era hebraico, mas o segundo nome Marcos era puramente latino. Não deve admirar-nos esse hibridismo, sabendo-se que os romanos dominavam a Palestina desde 70 anos antes de Cristo, introduzindo entre o povo não apenas a língua grega, como os nomes latinos e gregos. (Os romanos impuseram a língua latina às conquistas do ocidente e a grega às do oriente, daí o fato de falar-se grego na Palestina desde 70 anos antes de Cristo, por coação dos dominadores) . Marcos, seguidor de Pedro e também de Paulo. Teria sido provavelmente o primeiro dos evangelhos. Há quem o afirme, apesar de seguir o evangelho de Mateus.
Marcos escreveu entre 62 e 66, e parece que se dirigia aos romanos, tanto que não vemos nele citações de profecias; apenas uma vez (e duvidosa) cita o Antigo Testamento. Mais se aparece algo de típico dos costumes judaicos, Marcos apressa-se a esclarecer, explicando com pormenores o de que se trata, como estando consciente de que seus leitores, normalmente, não perceberiam.
Lucas, abreviatura grega do nome latino Lucianus, não tinha sangue judeu: era grego puro, de nascimento e de raça. Escreveu em linguagem correta, entre 66 e 70, interpretando o pensamento de Paulo a quem acompanhava nas viagens apostólicas, talvez para prestar-lhe assistência médica, pois o próprio Paulo o chama "médico querido" (1 Co. 12:7). Todo o plano de sua obra é organizado, demonstrando hábito de estudo, leitura e de pesquisa. Lucas, seguidor de Paulo. O terceiro evangelho. Lucas também conhece o texto de Marcos.
João, chamado também "o discípulo amado", e mais tarde "o presbítero", isto é, o "velho". Filho de Zebedeu, e portanto primo irmão de Jesus, acompanhou o Mestre no pequeno grupo iniciático, com seu irmão Tiago e com Pedro. João, pescador e apóstolo. O quarto evangelho.
Clemente de Alexandria diz ter João escrito o "Evangelho Pneumático". Sabemos que "pneuma" significa "Espírito". João escreveu entre 70 e 100, tendo desencarnado em 104.
Seu estilo é altaneiro, condoreiro e seu evangelho está repleto de simbolismos iniciáticos, tendo dado origem a uma teologia. Linguisticamente, Lucas é o mais correto e Marcos o mais vulgar testando Mateus e João escritos numa linguagem intermediária.
A palavra evangelho significa "Boa Nova", e refere-se ao nascimento do Messias prometido. Os evangelhos focam a vida, morte, e ressurreição de Jesus, bem como os seus ensinamentos. A origem dos evangelhos é objeto de controvérsia. Os seus autores procuraram fixar por escrito aquilo que até então circulava de boca em boca.


4. OS QUATRO EVANGELHOS EM CONJUNTO

A primeira pergunta que surge é : por que há quatro evangelhos, especialmente quando os três primeiros parecem abranger quase o mesmo assunto? Um só não seria melhor? Existem razões claras para Deus ter feito isso. Nos tempos apostólicos, existiam quatro classes representativas do povo: judeus, romanos, gregos e um corpo tomado das três classes: a Igreja. Cada um dos evangelistas escreveu para uma dessas classes, adaptando-se ao seu caráter, às suas necessidades e ideais.
Mateus, sabendo que os judeus aguardavam ansiosos a vinda do Messias prometido no Antigo Testamento, apresenta Jesus como o Messias. Marcos escreveu aos romanos, um povo cujo ideal era o poder e o serviço, e ele descreveu Cristo como o “Conquistador Poderoso”. Lucas escrevendo para um povo culto, os gregos, cujo ideal era o homem perfeito, faz com que o seu livro focalizasse a pessoa de Cristo como a expressão desse ideal. João tinha em mente as necessidades dos cristãos de todas as nações e assim apresenta as verdades mais profundas do evangelho, entre as quais mencionamos os ensinos acerca da divindade de Cristo e do Espírito Santo.
Outro aspecto que chama a nossa atenção é o fato que Mateus, Marcos e Lucas cobrem quase o mesmo terreno e João trata em sua maior parte de matéria não mencionada por eles. João não repete, senão, num só caso, os milagres narrados nos evangelhos sinóticos e esse único é o da multiplicação dos pães; embora seja apresentado de modo mais completo no que diz respeito à significação do próprio milagre (João 6). Os primeiros três evangelhos são chamados sinóticos, porque fornecem um vista geral dos mesmos acontecimentos e tem um plano comum. Enquanto que o evangelho de João foi escrito em base inteiramente diferente dos outros três.
Existe um relacionamento contrastante entre eles, como veremos abaixo:

SINÓPTICOS
JOÃO
Fatos externos da vida do Senhor
Fatos internos da vida do Senhor
Aspectos humanos da vida do Senhor
Aspectos divinos da vida do Senhor
O ministério na Galiléia (em especial)
Os discursos particulares (em geral)

O ministério na Judéia (em especial)

O livro de Mateus tem de ser o primeiro, pois sua especialidade é a ligação do evangelho com as Escrituras hebraicas, introduzindo assim o Novo Testamento como o cumprimento do Antigo. “Para que se cumprisse o que fora dito” é seu refrão característico e ele adapta claramente sua narrativa aos judeus, de quem Cristo descendeu na carne.
Para que o relato de Mateus não pareça sugerir que o evangelho é apenas um desenvolvimento da fé judaica, Marcos vem em seguida. Este é um evangelho de ação e sua primeira abordagem intencional parece dirigir-se aos romanos e não aos hebreus. Enquanto que Lucas abre a porta por completo. Ele apresenta Jesus como “filho do Homem”. Nele encontramos a simpatia humana mais abrangente, a perspectiva mais liberal, o Salvador é apresentado de forma a prender a atenção dos gentios em geral. O quarto evangelho apresenta Jesus como Deus, Ele é o Salvador e também o Criador do mundo. Ele não apenas ensina a verdade : Ele é a verdade. Ele transmite vida porque Ele é vida.


5. O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS

Tema

O tema central deste evangelho é Jesus, o Rei Messias. Mateus escrevendo aos judeus e conhecendo as suas grandes esperanças, apresenta Jesus como o único que cumpre as Escrituras do Antigo Testamento com relação ao Messias.

Por meio de numerosas citações do Antigo Testamento, ele mostra o que o Messias deve ser. Por um registro das palavras e atos de Jesus, prova que ele era o Messias. A repetição freqüente das palavras “reino” e “reino dos céus”, revelam outro tema importante do evangelho segundo Mateus. Expõe o reino dos céus prometido no Antigo Testamento (11:13), proclamado por João Batista e Jesus (3:2; 4:17), representado agora pela Igreja (16:18,19), e triunfante na segunda vinda de Jesus (25: 31, 34).

Evangelho segundo Mateus

O evangelho de Mateus é o primeiro dos quatro evangelhos do Novo Testamento e um dos três chamados de sinópticos, junto com o evangelho de Marcos e o evangelho de Lucas.
Os evangelhos são tradicionalmente impressos com Mateus em primeiro lugar porque, segundo Santo Agostinho, era esse o mais antigo (foi escrito de 50 a 75). É seguido pelo evangelho de Marcos, evangelho de Lucas e evangelho de João, nessa ordem. Para o uso litúrgico na Igreja Católica Romana, os evangelhos são apresentados desde o Concílio Vaticano II num livro chamado de lecionário.
Esse evangelho reúne as palavras e ações de Jesus Cristo, ordenadamente. Segundo Jerônimo, o evangelho foi escrito em hebraico, contudo, atualmente, muitos autores reúnem evidências de que o mesmo tenha sido escrito em grego.
A paternidade literária desse livro é atribuída tradicionalmente a Mateus, um cobrador de impostos a quem Jesus chamou para que o seguisse como um de seus apóstolos.
Contudo, os estudiosos bíblicos modernos sugerem que possivelmente esse livro, da mesma forma que outros do Novo Testamento poderiam ser de autores anônimos que utilizavam seja as tradições sejam os documentos pré-existentes do autor a quem se credita o livro, e no momento de compilar sua edição definitiva, utilizando um costume literário da antigüidade, o faziam sob o nome do autor cujos relatos tinham sido recolhidos.
É neste evangelho que temos o belíssimo Sermão da Montanha, muito destacado nos ensinamentos cristãos.
Mateus, evangelista (מתי "Dom de Javé", Hebraico padrão e vocalização de Tibérias Mattay; Grego da Septuaginta Ματθαιος, Matthaios) é considerado, pela tradição, o autor do evangelho de Mateus. Era o filho de Alfeu e era publicano (ou cobrador de impostos) em Cafarnaum. Segundo o relato do evangelho, Jesus, depois de atravessar o lago, ao passar por ele, que estava a trabalhar na recolha dos impostos, disse-lhe: "Segue-me". Mateus levantou-se e seguiu-o, tornando-se num dos seus doze discípulos (Mateus 9:9). O verdadeiro nome de Mateus era Levi.

Autor

Uma tradição digna de confiança atribui a Mateus a autoria deste livro. Muito pouco se diz acerca dele no Novo Testamento. Sabemos, entretanto, que era um coletor de impostos do governo romano, e que foi chamado pelo Senhor para ser seu discípulo e apóstolo.

Para Quem Foi Escrito

Para toda a humanidade em geral, mas para os judeus em particular. A intenção de dirigir-se primeiramente ao judeu, vê-se pelos seguintes fatos:
1. O grande número de citações do Antigo Testamento. Há cerca de 60 dessas. Alguém que prega aos judeus deve provar a sua doutrina pelas Escrituras antigas. Mateus faz dessas citações a verdadeira base do seu evangelho.

2. As primeiras palavras do livro “Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abrão”, sugerem imediatamente ao judeu os dois pactos que contêm promessas do Messias: o davídico e o abraâmico (2 Sm. 7: 8-16 ; Gn. 12 : 1-3).

Jesus Cristo Rei

Uma única mensagem atravessa este evangelho: Jesus Cristo, Rei dos judeus. Em Mateus 1, Ele apresenta suas credenciais genealógicas de Rei. Em Mateus 2, o Menino Rei recebe a homenagem dos sábios do oriente, suscitando a inveja de outro monarca, Herodes. Mateus 3 apresenta-nos João Batista, o mensageiro e precursor do Rei. Em Mateus 4, o próprio Jesus Cristo anuncia a iminência de Seu reino. “Os capítulos 5-7, revelam os princípios fundamentais desse reino”.

O “sermão da montanha”. Os capítulos seguintes, 8 e 9 demonstram que esse reino de Deus “não consiste em palavras, mas em poder” (1 Co. 4:20); eles relatam uma sucessão de milagres messiânicos. Os capítulos 10 -12 descrevem-nos a missão dos enviados do Rei, o assassinato de seu precursor, e a decisão tomada pelas autoridades eclesiásticas de rejeitar o seu Rei. Mateus 13 traz as parábolas do reino dos céus. Os capítulos 14 a 16 narram as circunstâncias da rejeição do Messias.

Esse tema é ainda mais salientado nos capítulos seguintes (17 a 23), em que Jesus Cristo sobe a Jerusalém; Ele entra em sua cidade como Rei, montado em um jumentinho (21: 5-9). É aclamado pela multidão, mas proscrito pelos chefes religiosos que, cheios de inveja, planejam matá-lo (21:46 ; 26:3-5). Depois, dois capítulos proféticos (24 e 25) deixam entrever as circunstâncias que precedem a vinda de Cristo e seu reino de glória aqui na terra. O final do evangelho (capítulo 26 a 28) é inteiramente dedicado à paixão do Rei dos judeus, pregado na cruz do Gólgota (27: 32- 37), e à sua ressurreição dentre os mortos.
Divisões do Livro

1. Mateus 1:1 - 16:20 - Jesus Cristo, Filho de Davi. O Rei dá aos judeus as provas de que era o Messias. O Senhor havia prometido a Davi um Filho que ocuparia o trono de Israel (2 Samuel 7:12-16). A nação de Israel, porém, não quis aceitar a realeza desse Filho, nem mesmo reconhecê-lo.

2. Mateus 16:21 - 28:20 - Jesus Cristo, Filho de Abraão. O Rei rejeitado e crucificado por Israel e pelo mundo. O Senhor havia outrora pedido a Abraão que oferecesse seu filho em sacrifício (Gênesis 22:1-14). Abraão recobrou seu filho em uma prefiguração da ressurreição (Hebreus 11:19), recebendo então promessas de bênção para as nações, (Gênesis 22:15-19). Do mesmo modo, o sacrifício do Filho de Deus obediente até a cruz (Filipenses 2:7-8) foi o prelúdio de sua ressurreição, fonte de benção derramando-se sobre todas as nações (Mateus 28:19).


6. O EVANGELHO SEGUNDO MARCOS

Data e autor

O evangelho segundo Marcos foi escrito entre os anos 50 e 70 d.C. seu autor foi João Marcos, primo de Barnabé e companheiro de Paulo e de Pedro. Foi escrito em Roma e dirigido principalmente aos romanos. No evangelho segundo Marcos, como em cada um dos outros três, sobressai a personalidade do autor. Ele foi companheiro especialmente de Pedro, a quem serviu fielmente, a ponto de ser designado por ele como seu filho (1ª Pedro 5:13).

Seu nome era judeu e o sobrenome romano. O nome de sua mãe aparece pela primeira vez em Atos 12:12, sua mãe era “Maria”, indica que era judia. Seu pai pode ter sido romano.

O evangelho de Marcos é o segundo dos quatro evangelhos do Novo Testamento e um dos três chamados de sinópticos, junto com o evangelho de Mateus e o evangelho de Lucas.
Dos sinópticos, é o mais simples e menor, sendo igualmente aquele que será provavelmente mais antigo. Teria sido escrito por Marcos entre os anos de 60 e 75 da nossa Era.
Marcos, o autor do segundo evangelho, foi discípulo de Pedro e de Paulo, que acompanhou nas suas viagens apostólicas.
É o criador do gênero literário evangelho. Efetivamente, pensa-se que, quando Marcos escreveu o seu, do de Mateus só haveria uma coleção de palavras de Jesus, sem enquadramento narrativo e sem milagres.
Cronologicamente, foi o primeiro a escrever sobre a vida de Jesus, por volta do ano 64; Sendo assim, os outros dois sinópticos acabaram por adaptar o esquema de exposição de Marcos.
A mensagem do Evangelho
É o mais curto, o mais simples e talvez o mais antigo dos evangelhos. É o evangelho essencialmente de ação. A ênfase do livro todo se concentra num Cristo ativo, um servo forte mas humilde.
Os romanos estavam mais interessados no poder do que em genealogias. Por isto Marcos omite a genealogia de Jesus bem como a sua infância. Marcos se preocupou em escrever realmente o que interessava aos romanos, ele apresenta Jesus como grande vencedor de tempestade, dos demônios, da enfermidade e da morte.
Sua linguagem é simples e sua mensagem também. Algumas palavras aparecem muitas vezes: “logo”, “imediatamente”. Essas palavras exprimem o nível do verdadeiro serviço, realizado espontaneamente, com presteza e sem demora. Foi assim que o Senhor Jesus viveu no meio dos homens. O Servo Vencedor, o Servo Sofredor, e finalmente, o Servo Triunfante, na Ressurreição. Marcos registra dezoito dos milagres de Jesus, mas apenas quatro de suas parábolas.
Ele faz menos referência ao Antigo Testamento que os demais evangelistas. Explica os costumes Judeus aos leitores romanos, mas não emprega a palavra lei, que aparece oito vezes em Mateus, nove vezes em Lucas e quatorze vezes em João.
Mateus fora encarregado de apresentar Jesus Cristo como Rei; coube a Marcos descrevê-lo como Servo; João foi incumbido de provar sua divindade, e Lucas, de revelar Seu nascimento miraculoso e suas credenciais genealógicas de Filho do homem. Marcos entra imediatamente no âmago do assunto, dedicando-se sobretudo a demonstrar o caráter do perfeito servo do Senhor.

Um paralelo com Ezequiel 1:10

Em Mateus vemos o Messias-Rei (o leão).
Em Marcos vemos o Servo do Senhor (o boi).
Em Lucas vemos o Filho do Homem (o homem).
Em João vemos o Filho de Deus (a águia).

Como soberano Ele vem para reinar e governar. Como Servo vem para servir e sofrer. Como Filho do Homem vem para participar e consolar. Como Filho de Deus vem para revelar e remir. Magnífica fusão quádrupla - soberania e humildade; humanidade e divindade.

Divisão do livro

O evangelho segundo Marcos pode ser dividido assim :

I- A apresentação do Servo ao Seu ministério público, 1:1-13
II- A obra realizada pelo Servo, 1:14 - 13:37.
III-A obediência do Servo até a morte, 14:15.
IV-A ressurreição e a ascensão do Servo vitorioso, 16.

Resumo

A idéia-chave em Marcos é a apresentação do Senhor como Servo de Deus, o poderoso obreiro. O versículo-chave é 10:45. A palavra-chave é “imediatamente”.


7. O EVANGELHO SEGUNDO LUCAS

O evangelho de Lucas é o terceiro dos quatro Evangelhos canônicos do Novo Testamento, que narra a história da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Embora o texto não mencione o nome de seu autor, o consenso atual segue a opinião tradicional de que este evangelho e os Atos dos Apóstolos foram escritos pelo mesmo autor. A opinião tradicional é que esse autor é o Lucas mencionado na epístola a Filemon, capítulo 24, um seguidor de Paulo.

1. Autoria , destinatário e data

Sem dúvida alguma, Lucas, o médico amado (Cl. 4:14), foi o autor desse evangelho. Foi escrito nas proximidades do ano 60. Foi ele também o autor de Atos. Ambos os livros estão dirigidos à mesma pessoa.

Lucas não foi escrito nem para romanos, nem para judeus, mas para os gregos. A civilização grega é antropocêntrica; e Lucas, escreve para o seu amigo grego, Teófilo, faz a apresentação de Jesus Cristo como homem perfeito. A frase “Filho do homem” aparece muitas vezes.
Os tradicionalistas apontam para o fato de que o mais antigo manuscrito que reteve sua página de abertura, o Papiro Bodmer XIV (datado de cerca de 200 d.C.), proclama que aquele é o euangelion kata Loukan, e a tradição subseqüente não foi quebrada. A opinião crítica, expressa por Udo Schnelle, é que "as numerosas concordâncias lingüísticas e teológicas e referências cruzadas entre o evangelho de Lucas e os Atos indicam que ambas obras derivam do mesmo autor".
O evangelista não afirma ter sido testemunha ocular da vida de Jesus, mas assegura ter investigado tudo cuidadosamente e ter escrito uma narrativa ordenada dos fatos (Lucas 1, 1-4).
Os hagiógrafos dos outros três Evangelhos, Mateus, Marcos e João, provavelmente usaram fontes similares. De acordo com a hipótese das duas fontes, que é a solução comumente mais aceita para o problema dos sinóticos, as fontes de Lucas incluíram o evangelho de Marcos e uma coleção de escritos perdidos, conhecida pelos acadêmicos como Q, a Quelle ou "documento fonte” .
O consenso geral é que o evangelho de Lucas foi escrito por um grego para os cristãos gentios, ou seja, para os não-judeus. O evangelho é dirigido ao "excelentíssimo" Teófilo.

2. Versículos chave 1:4 e 19:10

A expressão “cheio de compaixão” é característica do evangelho segundo Lucas. Nele vemos o Filho do homem aproximando-se dos homens, para participar das suas angustias e livrá-los delas.

3. Tema

Jesus Cristo como Salvador universal para todos os povos (2:10).

4. A Mensagem do Evangelho

Este evangelho é o mais extenso dos sinóticos. Lucas sendo homem de ciência não nega os milagres. Dos quatros evangelistas é ele que narra maior número de curas realizadas pelo divino médico. Lucas dá maior ênfase a oração, ao ministério do Espírito Santo, ao papel da mulher crente na comunidade cristã, etc.
Somente em Lucas aprendemos que ao descer sobre Jesus o Espírito Santo no Jordão, Ele estava “a orar” (3:21); que ao afastar-se das multidões que o assediavam continuamente, ele “orava” (5:16); que antes de escolher os doze, passou sozinho “noite orando a Deus” (6:12); que na ocasião em que perguntou aos doze “Quem dizeis que eu sou?” ele estava “orando em particular” (9:18); que na sua transfiguração Jesus subira ao monte “com o propósito de orar” (9:29); que justamente antes de ensinar a hoje chamada “Oração Dominical” ele se achava “orando em certo lugar” (11:1); que Ele assegurou a Pedro, “Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça” (22:32); que no Getsêmani ele “orava mais intensamente” (22:44); que na cruz tanto o seu primeiro como último pronunciamentos foram orações (23:34,36). Devemos também notar as orações feitas por: Zacarias, Ana, os discípulos de João, etc.
As mulheres são mencionadas em Lucas mais vezes do que em qualquer dos outros três evangelhos, e as viúvas mais do que nos outros três juntos.

5. Parábolas e incidentes não registrados pelos outros Evangelhos

Acontecimentos dos capítulos 1 e 2;
A 1ª rejeição do Mestre em Nazaré 4:14-32
A pesca maravilhosa 5:1:11
A ressurreição do filho da viúva de Naim 7:11-17
Os pés de Jesus ungidos pela pecadora 7: 36-50
As mulheres que serviam a Jesus com seus bens 8:1-3
Referência a Moisés e Elias falando com Cristo no monte da transfiguração 9:30-31
Censurada a ira de João e Tiago 9: 51-56
Comparação com o arado para o provável seguidor 9:61-62
A missão dos setenta 10:1-24
Parábola do Bom Samaritano 10:25-37
Censurada a preocupação de Marta 10:38-42
Parábola do amigo importuno 11: 5-10
Parábola do rico insensato 12: 13-21
Resposta sobre os assassinados por Pilatos 13: 1-5
Parábola da figueira estéril 13: 6-9
Mulher curada de sua enfermidade 13: 10-17
Resposta aos fariseus sobre Herodes 13: 31-33
Cura do hidrópico no sábado 14: 1-6
Parábola dos convidados 14: 7-14
Parábola da grande ceia 14:15-24
Comparação : construtor de torre em potencial 14:28-30
Nova comparação: o rei que pretende fazer guerra 14:31-33
Parábola tríplice a moeda perdida 15:9-10
Parábola tríplice o filho pródigo 15:11-32
Parábola do administrador infiel 16:1-15
O rico e Lázaro 16:19: 31
Ilustração : o senhor e o servo 17:7-10
A cura dos dez leprosos 17:11-19
Resposta relativa ao reino de Deus 17:20-21
Parábola do juiz iníquo 18:1-8
Parábola do fariseu e publicano 18: 9-14
Jericó : conversão de Zaqueu 19:1-10
Parábolas das minas e dos servos 19:11-27
O Salvador chora sobre Jerusalém 19:41-44
O suor como gotas de sangue 22: 44
Cristo perante Herodes 23:8
Palavras de Cristo às mulheres de Jerusalém 23:28
O ladrão arrependido 23:40
Dois discípulos no caminho de Emaús 24:13-31
Ascensão de Jesus 24:50-51

6. Resumo

1. Nascimento, juventude, idade adulta (1:5 - 4:13)
2. O começo do seu ministério público (4:14 - 9:50)
3. A viagem para Jerusalém (9:51 - 19:28)
4. Os últimos dias (19:29 -23 :55)
5. Eventos relacionados com a ressurreição e a ascensão (24:1-51).

Fazendo uma síntese, podemos concluir afirmando que este é o evangelho da graça universal de Deus, é o evangelho do “Filho do Homem”, é um evangelho devocional que dá a biografia mais completa de Cristo e que mais honra a mulher.


Data da redação

A data da redação deste evangelho é incerta. Estimativas variam entre cerca de 80 até 130 D.C.

Tradicionalmente, os cristãos acreditam que Lucas escreveu sob a direção, se não sob o ditado de Paulo. Isso o colocaria como tendo sido escrito antes dos Atos, cuja data de composição é geralmente fixada em cerca de 63 ou 64 dC.
Conseqüentemente, a tradição é que este evangelho foi escrito por volta de 60 ou 63, quando Lucas pode ter estado em Cesaréia Marítima (costa norte da Palestina, ao sul da atual Jafa) à espera de Paulo, que era então prisioneiro. Se, por outro lado, a conjetura alternativa estiver correta, de que o livro foi escrito em Roma, durante o tempo de prisão de Paulo lá, então a data mais provável seria entre os anos 40 e 60 D.C. Os cristãos evangélicos tendem a favorecer essa opinião, mantendo a tradição de datar os evangelhos bem nos primórdios do cristianismo.
Lucas dedicou seu evangelho ao "excelentíssimo Teófilo." Teófilo, que em grego significa "Amigo de Deus", pode ser apenas uma expressão literária.
Infelizmente, em nenhum lugar do evangelho de Lucas ou nos Atos há referência a que o autor seja Lucas, o companheiro de Paulo; essa conexão só aparece no final do século II. Além disso, o texto em si dá pistas de que não foi escrito como um ditado de um único autor, mas que fez uso de múltiplas fontes.

Perspectivas críticas da data

Em contraste com a opinião tradicional, muitos acadêmicos contemporâneos consideram o evangelho de Marcos como um texto fonte usado pelo autor do evangelho de Lucas. Dado que Marcos foi provavelmente escrito depois da destruição do Templo de Jerusalém, por volta de 70, Lucas não poderia ter sido escrito antes de 70. Baseado nesse dado, acadêmicos tem sugerido datas para Lucas desde o ano 80 até tão tarde quanto 150, e os Atos um pouco depois, mas também entre 80 e 150. A perda de ênfase da Parusia e a universalização da mensagem sugerem intensamente uma data muito mais tardia do que os anos 60-70 atribuídos pela opinião tradicional.
O debate continua entre os não-tradicionalistas sobre se Lucas escreveu antes ou depois do final do primeiro século. Aqueles que preferem uma data mais tardia argumentam que ele foi escrito em resposta a movimentos heterodóxicos do início do segundo século. Já aqueles que tendem por uma data mais antiga, assinalam as duas seguintes considerações: Lucas desconhece o sistema episcopal, que se desenvolveu no segundo século e uma data mais antiga preserva a tradicional conexão do evangelho com o Lucas que foi companheiro de Paulo.

Manuscritos

Os manuscritos mais antigos do evangelho de Lucas são fragmentos de papiro do século III, um contendo passagens dos quatro evangelhos (P45) e três outros preservando apenas breves passagens (P4, P69, P75). Essas cópias primitivas, assim como as primeiras cópias dos Atos, são de data posterior àquela em que o evangelho foi separado dos Atos.
O Codex Bezae, na Biblioteca da Universidade, Cambridge, contém um manuscrito do século V ou VI que é o manuscrito completo mais antigo de Lucas, nas versões grega e latina, em páginas lado a lado. A versão grega parece ter origem em um ramo da tradição principal dos manuscritos e desenvolve-se a partir de textos conhecidos, em muitas passagens. Embora o texto apresente muitas correções intencionais, amiúde para alinhá-lo com os textos correntes, o Codex Bezae demonstra a latitude em manuscritos de escrituras que ainda existiram muito tarde na tradição. Acadêmicos bíblicos têm minimizado a importância do Codex, citando-o geralmente apenas quando ele reforça os textos comuns.

Relacionamentos com os outros evangelhos

A maioria dos estudiosos do Novo Testamento acredita que o autor do evangelho de Lucas confiou no texto de Marcos e na "Q" como suas fontes primárias.
De um total de 1151 versículos, Lucas tem 389 em comum com Mateus e Marcos, 176 em comum apenas com Mateus, 41 em como com Marcos somente, deixando 544 privativos para si próprio. “Em muitas instâncias, todos os três usam linguagem idêntica.”
Há 17 parábolas próprias desse evangelho. Lucas também atribui a Jesus sete milagres que não estão presentes nem em Mateus nem em Marcos. Os evangelhos sinópticos estão relacionados um com o outro segundo o seguinte esquema: se o conteúdo de cada evangelho é indexado em 100, então quando se compara esse resultado se obtém: Marco tem 7 peculiaridades e 93 coincidências. Mateus tem 42 peculiaridades e 58 coincidências. Lucas tem 59 peculiaridades e 41 coincidências. Isso é, 13/14 (treze quatorze avos) de Marcos, 4/7 de Mateus e 2/5 de Lucas descrevem os mesmos eventos em linguagem similar. O estilo de Lucas é mais polido do que o de Mateus e Marcos, com menos hebraísmos.
Lucas utiliza algumas palavras latinas (Lucas 7:41; 8:30; 11:33; 12:6 e 19:20), mas nada de termos em aramaico ou hebraico, exceto sikera, uma bebida estimulante da natureza do vinho, mas não processada de uvas (do hebraico shakar, "ele está intoxicado", Levítico 10,9), provavelmente vinho de palmeira. Esse evangelho contém 28 referências distintas ao Antigo Testamento.

Muitas palavras e frases são comuns ao evangelho de Lucas e às cartas de Paulo, comparando:

Lucas 4:22 com Colossenses 4:6.
Lucas 4:32 com I Coríntios 2:4.
Lucas 6:36 com II Coríntios 1:3.
Lucas 6:39 com Romanos 2:19.
Lucas 9:56 com II Coríntios 10:8.
Lucas 10:8 com I Coríntios 10:27.
Lucas 11:41 com Tito 1:15.
Lucas 18:1 com II Tessalonicenses 1:11.
Lucas 21:36 com Efésios 6:18.
Lucas 22:19-20 com I Coríntios 11:23-29.
Lucas 24:34 com I Coríntios 15:5.

Testemunhos e avaliações

O evangelho de Lucas tem sido chamado "o evangelho das nações, cheio de compaixão e esperança, asseguradas ao mundo pelo amor de um Salvador sofredor;" "o evangelho da vida santa;" "o evangelho para os gregos; o evangelho do futuro; o evangelho da cristandade progressista, da universalidade e graciosidade do evangelho; o evangelho histórico; o evangelho de Jesus como o bom médico e o Salvador da humanidade;" o "evangelho da Fraternidade de Deus e da irmandade do Homem;" "o evangelho da condição feminina;" "o evangelho dos desfavorecidos, dos samaritanos, dos publicanos, das prostituídas e dos pródigos;" "o evangelho da tolerância."
A principal característica deste evangelho, está expressa no lema "Quem andou por toda parte, fazendo o bem e curando todos os que estavam dominados pelo diabo" (At. 10:38; comparar com Lc. 4:18). Lucas escreveu para o "mundo helênico." Este evangelho é em verdade "rico e precioso."

Lucas

Lucas (GregoΛουκας Loukas) é, segundo, a tradição, o autor do evangelho de Lucas e dos Atos dos Apóstolos - o terceiro e quinto livros do Novo Testamento.
Chamado pelo Apóstolo Paulo de "O Médico Amado", pode ter sido um dos cristãos do primeiro século que conviveu pessoalmente com os doze apóstolos.
A primeira referência a Lucas encontra-se na epístola a Filemon de Paulo de Tarso, no versículo 24. É mencionado também na epístola aos Colossenses, 4:14 , bem como na segunda epístola a Timóteo 4:11. A segunda menção mais antiga a Lucas encontra-se no "Prólogo Anti-Marcionita ao evangelho de Lucas", um documento que já foi datado do século II, mas que recentemente já é considerado como do século IV. Contudo, Helmut Koester defende que a única parte preservada do documento original em grego, pode ter sido escrito realmente no século II:
Lucas é um Sírio de Antioquia, Sírio pela raça, médico de profissão. Tornou-se discípulo dos apóstolos e mais tarde seguiu a Paulo até ao seu martírio. Tendo servido o Senhor com perseverança, solteiro e sem filhos, cheio da graça do Espírito Santo, morreu com 84 anos de idade.
Alguns manuscritos referem que Lucas morreu "em Tebas, capital da Beócia. Todas estas referências parecem indicar que Lucas terá, de fato, seguido Paulo durante algum tempo.
Tradições mais tardias desenvolveram-se a partir daqui. Epifânio assegura que Lucas era um dos Setenta (Panerion 51:11), e João Crisóstomo refere que o "irmão" referido por Paulo na segunda epístola aos Coríntios, 8:18 ou é Lucas ou é Barnabé. J. Wenham assevera que Lucas era "um dos Setenta, um dos discípulos de Emaús, parente de Paulo e de Lúcio de Cirene." Nem todos os acadêmicos têm tanta certeza disso quanto Wenham.
Outra tradição cristã defende que foi o primeiro iconógrafo, e que terá pintado a Virgem Maria, Pedro e Paulo. É por isso que mais tarde, as guildas medievais de Lucas, na Flandres, ou a Academia di San Luca ("Academia de São Lucas") em Roma. Associações imitadas noutras cidades européias durante o século XVI, reuniam e protegiam os pintores.

Obras atribuídas a Lucas

Os acadêmicos atuais são muito cépticos em relação à autoria do evangelho de Lucas e dos Atos dos Apóstolos. Nenhuma das obras apresenta o nome do seu autor, ainda que algumas passagens escritas na primeira pessoa do plural (conhecidas como as “Seções do Nós”) tenham sido interpretadas tradicionalmente como o testemunho direto dos acontecimentos por Lucas. Ambos os livros são dedicados a Teófilo - além de que o livro dos Atos é, claramente, uma seqüela ou continuação do evangelho de Lucas. Há, portanto, unanimidade quanto ao fato de os dois livros terem sido escritos pelo mesmo autor.
Por outro lado, o mais antigo manuscrito do evangelho (Papiro Bodmer XIV = P75), datado de cerca de 200 d.C., atribui este livro a Lucas. Os acadêmicos defensores da autoria de Lucas argumentam que não haveria necessidade de se atribuir as obras a uma figura de tão pequeno relevo se não fosse realmente ele o autor. Ainda mais, não havendo qualquer tradição a atribuir os livros a outro autor possível.


8. EVANGELHO SEGUNDO JOÃO

1. Autoria, data e destinatário

Segundo Marcos, João era irmão de Tiago, filho de Zebedeu e trabalhavam juntos para o seu pai (Mc. 1:19,20). Alguns eruditos especulam que a mãe de João era Salomé aquela que juntamente com outras mulheres ajudaram no sustento do ministério de Jesus (Mt. 27:55,56). A data em que foi escrito é incerta. Provavelmente na última parte do primeiro século. Foi escrito para todos os cristãos.

2. Versículos chave

1:12 e 20:31

3. Tema e Propósito

O evangelho de João foi escrito para mostrar Jesus como Filho de Deus. Depois dos três primeiros escritores já terem morrido. Ele foi providencialmente mantido vivo com um propósito de escrever este evangelho para principalmente combater o erro dos gnósticos, que ensinavam heresias a respeito da divindade de Jesus. Isso exigia a voz de uma testemunha ocular ainda viva que pudesse dizer : “O que temos visto e ouvido”.

4. Conteúdo da mensagem

Cada um dos vinte e um capítulos, contém um retrato impressionante de algum aspecto do caráter e obra do Salvador. No Capítulo 1 Ele é o Filho de Deus; no capítulo 2, Ele é o Filho do Homem; no capítulo 3, Ele é o Mestre divino; no capítulo 4, Ele é o Ganhador de Almas; no capítulo 5, Ele é o Grande Médico; no capítulo 6, Ele é o Pão da Vida; no capítulo 7, Ele é a Água da Vida; no capítulo 8, Ele é o Defensor do fraco; no capítulo 9, Ele é a Luz do mundo; no capítulo 10, Ele é o Bom Pastor ; no capítulo 11, Ele é o Príncipe da Vida; no capítulo 12, ele é o Rei; no capítulo 13, ele é o Servo; no capítulo 14, ele é o Consolador; no capítulo 15, Ele é a Videira Verdadeira; no capítulo 16, Ele é o Doador do Espírito; no capítulo 17, Ele é o Grande Intercessor; no capítulo 18, Ele é o Sofredor Modelo; no capítulo 19, Ele é o Salvador Crucificado; no capítulo 20, Ele é o Conquistador da morte; no capítulo 21, Ele é o Restaurador do Arrependido.
A ênfase central do evangelho segundo João é a apresentação de Jesus como o Verbo encarnado e Filho unigênito. Encontramos 23 vezes o significado “Eu sou” do Senhor. Veremos algumas : “EU SOU o Pão da vida” (6: 35, 41, 48, 51); “EU SOU o Luz do Mundo” (8 :12); “EU SOU a porta das ovelhas” (10: 7, 9); “EU SOU o Bom Pastor” (10:11, 14); “EU SOU a Ressurreição e a Vida” (11: 25); “EU SOU o Caminho, a Verdade e a Vida” (14: 6); “EU SOU a Videira Verdadeira” (15: 1, 5).

5. Os oito milagres e as oito entrevistas particulares

Milagres
Entrevistas
1. Transformação da água em vinho (2)
1. Pedro e Natanael, etc. (1:35 - 51)
2. A cura do oficial do rei (4)
2. Nicodemos líder dos fariseus (3:1 - 21)
3. A cura do paralítico em Betesda (5)
3. A mulher de Sicar (4: 6:26)
4. A alimentação dos cinco mil (6)
4. O homem cego de nascença (9:35 - 41)
5. O andar sobre as águas do mar (6)
5. Marta e Maria ; Betânia (11)
6. A cura do cego de nascença (9)
6. Os onze apóstolos (13 -16)
7. A ressurreição de Lázaro (11)
7. Maria Madalena (20:1-18)
8. A pesca maravilhosa (21)
8. O apóstolo Pedro (21:15 - 23)


6. Resumo

1. O ministério público de Jesus aos judeus (1 - 12)
2. O ministério de Jesus particular aos “seus” (13 - 17)
3. O clímax pascal de tragédia e triunfo (18 - 20)
9. BIBLIOGRAFIA BÁSICA


- CARSON, A. D., MOO, Douglas J., MORRIS, Leon. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo - SP: EVN, 1997. 541p.
- ELWELL, Walter A., YARBROUGH, Robert W. Descobrindo o Novo Testamento. São Paulo: Cultura Cristã, 1998. 445p.
- LADD, George Eldon. Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Exodus, 1997. 584p.
- WILKINSON, Bruce, BOA, Kenneth. Descobrindo a Bíblia. São Paulo. Candeia, 1983. 567p.
- GOPPELT, Leonhard. Teologia do Novo Testamento. São Paulo. Teológica, 2002. 560p.
- HALLEY, H. H. Manual Bíblico. São Paulo. Vida Nova, 1970. 768p.
- Manual Bíblico Vida Nova. São Paulo. Vida Nova, 2001. 952p.


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