quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Ano Novo

Um novo ano se inicia, as perspectivas se renovam para muitas pessoas, no entanto, muitos ainda sofrem com o medo de viver, não obstante, o medo de um ano que fica para trás tenta influenciar o novo ano que se aproxima. O medo de viver, na verdade, origina-se na culpa e no pecado, as falhas e insucessos trazem para muitos pesar e lamento. Só quem se livrou do fardo do passado pode entrar leve e despreocupado pelo portal de um novo ano. Jesus Cristo é grande e suficiente para nos perdoar todos os pecados e falhas. Basta que os confessemos a Ele.
Quando o talentoso artista Michelangelo começou a maior obra de sua vida na Capela Sistina, pintou primeiro duas mãos que abençoavam. Parece que ele sabia o que também nós temos de saber para um novo ano: "Tudo depende da bênção de Deus".
Faça uma reflexão sobre a sua vida na presença do Senhor e lembre-se que Ele permanece fiel para perdoar, reestruturar, reconciliar e renovar a aliança com o seu povo. Na entrada do novo ano, Deus continua te dizendo: “Vem”. O nosso Deus é um Deus de restauração..." Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e tudo o mais ele fará” (Sl. 37:5).

Quem Crer e For Batizado Será Salvo

O batismo nas águas foi uma ordem dada por Cristo para todo aquele que decidiu depositar Nele a sua fé. A palavra batismo significa “imersão”, ou seja, mergulhar nas águas, é uma atitude de todo aquele que deseja nascer de novo, confessando que é um pecador e que precisa de Cristo para uma vida com Deus. Todo aquele que aceitou a Jesus como Senhor e Salvador da sua vida, deve passar pelo batismo nas águas. O batismo significa o sepultamento do velho homem (homem carnal) para o surgimento do novo homem (homem espiritual). É a declaração publica e convicta que a pessoa declara diante de todos, que agora ela pertence a Jesus. Através do batismo, o crente esta rejeitando o mundanismo e o pecado, voltando-se para cristo e assumindo uma vida de santidade. O texto acima declara que “aquele que crer e for batizado”, não obstante, o batismo segue a crença. Para aqueles que agora crêem em Jesus, deverão passar pelo batismo, isso simboliza a confissão dos pecados de forma pública. Através do batismo você estará sepultando o pecado juntamente com o velho homem, surgindo assim um novo homem, limpo e santo para a glória de Deus. Amém!



Perdão

Perdoar significa deixar de considerar o outro com desprezo ou ressentimento. É ter compaixão, deixando de lado toda a idéia de vingar-se daquilo que foi feito ou pelas conseqüências que sofremos.
A base para o ato de perdoar é o completo e livre perdão que recebemos do Pai. Assim como ele nos perdoou, nós perdoamos. Como filhos de Deus o perdão que expressarmos, deve ser análogo ao seu perdão – “perdoando-vos uns aos outros como, também Deus, em Cristo, vos perdoou” (Efésios 4.32), ensina a Bíblia. É inconcebível viver sob o perdão de Deus sem perdoar ao próximo.
Quando Jesus ensinou os seus discípulos a orar, ele colocou um pedido ao Pai: “perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado os nossos devedores” (Mateus 6.12). É esse espírito de perdão que deve permanecer em nós. Se o Pai, antecipadamente, nos perdoou, quando não éramos merecedores, em gratidão ao seu amor perdoador, nós devemos, também, perdoar aos que nos ofendem. O perdão deve ser uma característica do nosso viver cristão. Se o amor perdoador de Cristo foi sacrificial (ele se deu por nós), da mesma forma o nosso amor deve se expressar dando-nos, em amor, por aquele que nos ofendeu.
Deus nos abençoe a fazer assim. Amém!



O Perdão Divino

Além de ser nosso advogado (I Jo 2:1) Jesus também promete jamais se lembrar de nossos pecados (Sl 103:12). Não esqueça disso. Deus quer jogar todo o teu pecado nas profundezas do mar (Mq 7:19) e oferecer uma vida renovada pelo Seu amor e pelo Seu poder. Sim, temos um Pai compassivo que está ansioso para nos perdoar.
Deus não trata conosco da mesma maneira que os homens finitos tratam uns aos outros. Os pensamentos do Pai Celestial são de misericórdia, amor e terna compaixão.
Perdoar é um dos atos básicos da fé cristã, pois, a nossa entrada na vida que Jesus Cristo nos ofereceu, só foi possível porque recebemos perdão de nosso Deus e Pai. Ele nos perdoou, mediante a obra de seu Filho feita na cruz, em nosso favor. Amor e perdão sempre caminham juntos.
Deus é amor, é a mais formosa definição que a Bíblia apresenta. E a maior prova do seu amor para conosco foi perdoar todos os nossos pecados. Porque ele nos ama, ele nos perdoou. Perdoar é um atributo de Deus.
Perdoar é um mandamento da Palavra de Deus. Não é um sentimento, nem depende de nossa vontade ou emoção. A Palavra declara: “sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo vos perdoou” (Ef 4.32); “Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente”. Assim como o Senhor nos perdoou, assim também perdoai-vos” (Cl 3.13).

O Estudo da Bíblia

O estudo da Bíblia é uma atividade intelectual, e para ter efeito é preciso que o aprendizado seja aplicado. Por isso, nossa motivação é tão importante. Nós precisamos fazer nosso estudo pessoal da Bíblia, entendendo que o próprio Deus está falando conosco, não obstante, a Bíblia é a Palavra de Deus. E o nosso propósito deve ser: (...) Fala, pois o teu servo está escutando (I Samuel 3.10).
Martinho Lutero, entre outros reformadores (João Calvino, Erasmo de Roterdã, John Wyclif, William Tyndale), lutaram bravamente para que todos tivessem acesso a Bíblia, portanto, cada vez que você abrir a sua Bíblia, lembre-se da razão por que Deus nos deu este Livro: Estes foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Messias, o Filho de Deus. E para que, crendo, tenham vida por meio dele (João 20.31).
É por meio da leitura da Palavra de Deus que o Espírito Santo ativa a fé dentro dos nossos corações. E essa fé, por sua vez, produz, como fruto, o desejo de conhecer a Bíblia cada vez melhor. Leia a Bíblia.

O Desespero do Coração

Quando Sadraque, Mesaque e Abede-Nego descumpriram a ordem do grande rei babilônico, Nabucodonosor, sobre ameaça de serem lançados na fornalha de fogo ardente, foram argüidos nos seguintes termos (Daniel 3:15): “Agora, pois, estai dispostos e, quando ouvirdes o som da trombeta, do pífaro, da cítara, da harpa, do saltério, da gaita de foles, prostai-vos e adorai a imagem que fiz; porém, se não a adorardes, sereis, no mesmo instante, lançados na fornalha de fogo ardente. E quem é o deus que vos poderá livrar das minhas mãos?”
Perceba como é impressionante a resposta daqueles homens, registrada no Versículos 16 a 18: “Responderam Sadraque, Mesaque e Abede-Nego ao rei: Ó Nabucodonosor, quanto a isto não necessitamos de te responder. Se o nosso Deus, a quem servimos, quer livrar-nos, ele nos livrará da fornalha de fogo ardente e das tuas mãos, ó rei. Se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que levantaste.” O desfecho dessa história é maravilhoso; aconselho você a ler. Por hora, a pergunta é: Onde estava o desespero do coração daqueles homens?
Meditando sobre o desespero do coração humano, deflagro-me em quão distante estamos de Deus e, da verdadeira percepção de quem somos, sobretudo, do nosso coração e seu desespero. Sadraque, Mesaque, Abede-Nego, nada temiam, nem a morte, porque foram libertos do coração desesperadamente corrupto citado pelo profeta Jeremias.
Confiança, certeza, atitude. Estes são ingredientes fundamentais para sarar um coração desesperado. Mesmo em situações de grande dificuldade, onde parece que todas as portas estão fechadas e que a solução não existe, continue confiando no Deus do impossível. Ele não te desampara, não te abandona e certamente te dará o livramento. Continue orando, continue acreditando, continue exercendo a fé.

O Desafio Missionário

Quando o Senhor apresentou os desafios missionários para as multidões, Ele não começou a chamar obreiros, e sim lhes pediu para orar pelo levantamento de pessoas dispostas a sair (Mt. 9:35-38). A oração pela obra missionária muda a mente do intercessor, já que ele se torna cada vez mais consciente da visão universal.
A oração também era a coluna básica na vida da congregação de Antioquia. Todos os membros da igreja se reuniam para fazer oração por seus missionários na hora de se despedirem dos irmãos. Durante a ausência de Paulo e Barnabé, a igreja continuava a orar pelo ministério deles. Assim se manteve vivo o chamado missionário da congregação. E ela, depois da volta dos dois do campo missionário, passou muito tempo tendo comunhão pessoal com eles (Atos 14:26-28).
Não obstante a isso, existe uma outra necessidade na vida dos missionários que envolve a igreja, a saber, a responsabilidade do sustento. O desejo de evangelizar, fazer missões, se torna a vida destes convocados, no entanto, precisam de uma casa para morar, alimentos, roupas, remédios, etc. A responsabilidade deste sustento, Deus confiou à igreja através de ofertas voluntárias. Vamos fazer o nosso papel de igreja e ofertar para missões estaduais. Deus abençoe a todos!


O Cuidado Com as Ovelhas

Davi foi um pastor que muito amou as suas ovelhas, elas ouviam a voz do seu pastor e seguiam-no. As ovelhas seguem, não lideram, por isso o pastor consegue levá-las pelos caminhos adequados.
Davi escreveu sobre o cuidado que o pastor tem com suas ovelhas. Ele conhecia bem os perigos que a ovelha enfrenta e sabia como se livrar desses perigos (I Sm. 17:34 e 35). Por isso as ovelhas devem ouvir e seguir o seu pastor.
O pastor sabe que a ovelha não deve beber demais quando está quente, nem quando seu estômago está cheio de grama indigesta. Por isso, o pastor busca um pasto de grama bem adequada quando a ovelha não consegue digerir bem seu alimento. O pastor sabe o alimento certo para suas ovelhas.
Como a ovelha tem medo de águas muito agitadas, o pastor a conduz para uma fonte calma, onde possa beber sossegada. Como as ovelhas têm visão boa apenas para a curta distância, não é raro que elas entrem por um caminho errado, como está na parábola da ovelha perdida (Lc. 15:4-7). Então, quem tem a responsabilidade de encontrar a perdida e reconduzi-la ao rebanho é o pastor, que pela misericórdia de Deus recebe a visão do alto.

Martinho Lutero e a Reforma Protestante

Martinho Lutero era um monge agostiniano, de origem pequeno-burguesa, da região da Saxônia. Um homem pessoalmente angustiado e com tendências ao misticismo. Seu rompimento com a igreja católica deu-se em razão da venda de indulgências. Para concluir a construção da Basílica de São Pedro, o papa Leão X (1513-1521) determinou a venda de indulgências para toda a cristandade e encarregou o dominicano Tetzel de comerciá-las na Alemanha.
Lutero protestou violentamente contra tal comércio e, em 31 de Outubro de 1517, afixou na porta da igreja de Wittenberg, onde era mestre e pregador, 95 teses onde, entre outras coisas, condenava a prática vergonhosa da venda de indulgências. O papa Leão X exigiu uma retratação, sempre recusada.
A coragem de Lutero incentivou outros pensadores a lutar pela retidão das Escrituras e pelo direito ao culto livre. O inconformismo de Lutero pelos ensinamentos errados dentro da igreja católica nos mostra a disposição de um coração sincero para servir. Que se levantem muitos Luteros nas igrejas, para que o abuso religioso seja coibido. Que Deus nos ajude!


O Adolescente e a Bíblia

Deus se interessa mais na boa vontade do que na idade. A Bíblia diz em 1 Sm. 2:18 “Samuel, porém, ministrava perante o Senhor, sendo ainda menino, vestido de um éfode de linho.”
Um dos mandamentos de Deus é que os filhos honrem e respeitem os seus pais. A Bíblia diz em Ex. 20:12 “Honra o teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá.” Boa disciplina é um sinal do amor que os pais têm pelos filhos. A Bíblia diz em Pv. 13:24 “Aquele que poupa a vara aborrece o seu filho; mas quem o ama, a seu tempo o repreende.”
Os jovens podem ser bons exemplos de Jesus. A Bíblia diz em 1 Tm. 4:12 “Ninguém despreze a tua mocidade, mas sê um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza.”
Os filhos devem aprender com os seus pais. A Bíblia diz em Pv. 1:8 “Filho meu, ouve a instrução de teu pai, e não deixes o ensino de tua mãe.” Viver uma vida imprudente desonra os pais.
A Bíblia diz em Pv. 28:7 “O que guarda a lei é filho sábio; mas o companheiro dos comilões envergonha o seu pai.”
É errado aproveitar-se dos pais. A Bíblia diz em Pv. 28:24 “O que rouba a seu pai, ou a sua mãe, e diz: Isso não é transgressão; esse é companheiro do destruidor.”
Os jovens devem ter cuidado na escolha de amigos. A Bíblia diz em 2 Tm. 2:22 “Foge também das paixões da mocidade, e segue a justiça, a fé, o amor, a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor.”
No dia do adolescente, nada como observar a Bíblia. Adolescentes, revistam-se do Senhor e da força do seu Poder.

Jesus e o Bom Velhinho

Muitas pessoas comemoram o Natal. Os pinheiros são enfeitados, as casas e ruas ficam cheias de luzes, ceias familiares são realizadas e muitos presentes em lindas embalagens são trocados. Mas, será que pode existir uma comemoração real sem a presença do aniversariante?
Há mais de 2000 anos, Jesus Cristo nasceu em Belém. Agora Ele não se encontra mais fisicamente entre nós, pois está assentado à direita de Deus, o Pai. Seus olhos penetram nas festividades natalinas e vêem o coração de cada um de nós. Alguns se distraem com a figura do bom velhinho e por descuido, substituem a presença viva de Jesus. Comemorar o natal com presentes e muita comida, levando à mesa o bom velhinho chamado papai Noel, é o maior engano para a vida dos filhos de Deus.
Realmente, sem Jesus, o Natal perde o sentido! Sem um relacionamento vivo com o Redentor eterno, com Jesus Cristo, a vida é apenas uma seqüência de preocupações e aflições. Apenas Ele tem o poder de perdoar pecados e dar paz aos corações atormentados. Por isso Ele veio ao mundo, nascendo em Belém: “... e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará seu povo dos pecados deles" (Mt. 1.21). Por isso Ele entregou Sua vida na cruz e ressuscitou da sepultura. Celebremos todos alegremente o natal... Natal de Jesus!!!

Igreja, Agente Reconciliador

Após Jesus ressuscitar, ele deixou uma missão aos seus discípulos, de pregar o Evangelho a todas as nações e fazer discípulos (Mt 28:19). Para isto ele concedeu à sua igreja o poder e a unção do seu Espírito Santo traduzido em instrução, proteção e vitória na luta contra o mal, com a finalidade de expandir as fronteiras do Reino de Deus na terra. Na dupla missão de Jesus, uma das ordenanças era evangelizar e a outra fazer discípulos. Fazer discípulos envolve ter uma vida santificada e comprometida com Deus e com o próximo, em uma relação íntegra; por isso as perguntas ficam evidentes: Qual o verdadeiro sentido de ser cristão em um mundo tão conturbado e corrompido? Quais as responsabilidades da Igreja de Cristo no mundo? Paulo deixou-nos orientações sobre a Igreja no mundo (II Co 5.18,19), e uma das principais prioridades de Ser Igreja é ser constantemente agente reconciliador em todo conflito social.
A Igreja, por ser corpo de Cristo, extensão da ação de Cristo no mundo, na atualidade, como vem desempenhando os seus ministérios para com Deus e para com o próximo?
A Igreja é a comunidade separada e chamada por Cristo a viver sua missão para o Seu Senhor na terra; Quando falamos em Igreja, falamos de sua mais alta expressão: ela é comunidade. Nela, o Espírito Santo distribui dons aos seus membros, a fim de edificá-la e dar o correto ensino por meio das pessoas que Ele designou para fazer as tarefas. Como ela é o corpo de Cristo, entendemos que a ação exercida pelos seus membros, na verdade é a ação que o próprio Cristo exerce no mundo por intermédio dela. Evidência disso é quando Jesus disse aos Seus discípulos que eles realizariam obras maiores que as praticadas por ele em Seu ministério (Jo. 14.12). Assim, cabe a Igreja viver verdadeiramente esta verdade, com ousadia e coragem, pois Jesus sempre estará conosco, até a consumação dos tempos.


Humildade

Quando Jesus pregou o sermão que define o caráter do verdadeiro discípulo, suas palavras iniciais foram diretas ao coração: "Bem aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus" (Mt. 5:3). Ele continuou a pregar durante mais três capítulos, mas muitos ouvintes não o ouviram porque nunca passaram da linha de partida. Mesmo hoje, a maior parte da mensagem do evangelho cai em ouvidos surdos de homens e mulheres arrogantes que não querem mesmo reconhecer a posição de Jesus como Senhor.
Mas Jesus não reduziu os padrões. Ele não abriu uma porta extra para entrarem os arrogantes ou os "quase" humildes. Ele manteve intacto o seu requisito fundamental porque ele reflete a exigência eterna de Deus. Deus nunca aceitou o homem cheio de orgulho que pensava fazer as coisas a seu próprio modo. Ao contrário de toda a sabedoria dos homens carnais, tendentes a adquirir poder e posição, Deus aceita exclusivamente os humildes. As Escrituras deixam perfeitamente claro que não há outra maneira de caminhar com Deus. Ou andamos humildemente com nosso Deus, ou não andamos de modo nenhum com ele!

Enfrentando os Problemas da Vida

Muitas pessoas são convertidas, oram, lêem a Bíblia e vão aos cultos, mas, mesmo assim não conseguem superar os seus problemas. Ás vezes tentam exercitar todo tipo de disciplina cristã e mantém todo um ritual religioso exterior: Oram, testemunham, contribuem etc., mas, sem resultados, portanto, continuam se aprofundando cada vez mais nos seus problemas. Isso gera uma espécie de decepção no que diz respeito a vida cristã. Uma grande parte das pessoas com problemas emocionais na igreja reprimem os seus sentimentos, negam que têm dificuldades sérias porque acreditam no engano de que “Uma pessoa convertida não pode ter esses tipos de problemas”. Em vez de encarar os problemas de frente, tentam mascará-los com versículos bíblicos, teológicos ou outras atitudes defensivas. O que acontece então, é que os problemas cuja existência é negada, ficam incrustados no intimo da pessoa. É mister enxergar as suas dificuldades pessoais e compreender o modo como Deus opera na cura de traumas emocionais, na transformação de desajustes em equilíbrio emocional, transformando uma pessoa apática em bênção na vida dos outros e produtiva no reino de Deus. Deus quer que você esteja e seja feliz. Se derrame no altar de Deus e viva uma vida de benção!

A Volta de Jesus

O Senhor Jesus fala de Si mesmo quando afirma: "Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amém! Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso" (Ap. 1:7-8).
Desde a eternidade Jesus é Deus. Ele esteve como homem sobre esta terra e morreu na cruz. Mas Ele ressuscitou dentre os mortos e voltará para reinar. Disso já fala profeticamente o Salmo 72: "Domine ele de mar a mar e desde o rio até aos confins da terra... E todos os reis se prostrem perante ele; todas as nações o sirvam" (v. 8,11). Jesus voltará primeiro para os que crêem nEle, arrebatando-os ao céu (Jo. 14.1-6). Pouco depois Ele voltará visivelmente nas nuvens em glória para este mundo, julgará a terra e estabelecerá Seu reino.
Todos os desenvolvimentos em nosso mundo caminham em direção a este alvo supremo: a volta de Jesus. Não espere para ser pego de surpresa, entregue hoje mesmo a sua vida a Jesus e seja salvo por Ele. Deus no abençoe!!

A Salvação do Senhor

Salvação é a conseqüência do sacrifício realizado por Jesus Cristo, ao morrer na cruz do Calvário, sobre todo aquele que aceita este sacrifício na sua vida, mediante a fé em Jesus Cristo. A palavra salvação, tem sua origem no grego soteria, transmitindo a idéia de cura, redenção, remédio e resgate; no latim salvare, que significa `salvar´, e também de `salus´, que significa ajuda ou saúde. O efeito da salvação no homem é a libertação do pecado, da degradação moral e das conseqüências que o seguem, como o juízo de Deus. A salvação causa no interior do homem uma mudança tal, que produz alegria, gozo e paz permanentes, é a bem-aventurança ou a felicidade eterna. A Pessoa salva tem provas evidentes de ter sua vida renovada. Deus entra na vida da pessoa e a transforma. Só o próprio Deus, personificado em Cristo Jesus, nascido não da carne, mas do Espírito Santo, poderia pagar o preço pelo perdão dos nossos pecados.
Jesus Cristo veio ao mundo para cumprir a promessa de Deus. O pecado original, ou seja o primeiro pecado (Gn 3), destruiu o relacionamento que existia entre o homem e Deus, ao pecar, o homem afastou-se de Deus. A Bíblia nos conta que após pecar o homem sentiu-se sujo, sua consciência já não lhe permitia se achar digno de estar na presença de Deus. Essa ainda é a condição do homem que não tem Jesus Cristo como seu Salvador pessoal. Mas Jesus veio ao mundo para restituir nossa aliança com Deus, só Ele pode nos livrar da nossa natureza pecaminosa. Aceite-o e usufrua da Salvação gratuita de Deus através da fé em Jesus Cristo.

A Graça

A salvação é recebida através da graça. É um dom de Deus. A Bíblia diz em Efésios 2:8-9 “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie.”
A palavra “graça” significa: Favor imerecido. É um determinado favor que Deus nos concede, sem que mereçamos. A graça de Deus é a nossa esperança. A Bíblia diz em Neemias 9:31 “Contudo pela tua grande misericórdia não os destruíste de todo, nem os abandonaste, porque és um Deus clemente e misericordioso.” Isso é graça.
A graça de Deus torna possível a nossa salvação. A Bíblia diz em Efésios 1:7-8 “Que ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência, fazendo-nos conhecer o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que nele propôs.”
A graça de Deus é paciente, benigna e longânima para conosco. É através da graça que podemos nos achegar a Deus, e aceitando-o como Senhor das nossas vidas, “pela graça”, somos chamados filhos de Deus. Se você deseja levar uma vida com Deus, quer entregar-se a Ele, mas se sente culpado da sua vida passada, saiba que a “graça” de Deus apaga todo passado e te dá uma vida nova. Entregue a sua vida a Jesus, confie Nele, e tudo o mais Ele fará por você.



A Igreja do Senhor

Jesus prometeu construir sua própria igreja. Ele disse: "…sobre esta pedra edificarei a minha igreja…" (Mateus 16:18).
Ele prometeu edificar uma só igreja e ela seria dele. A rocha sobre a qual ela tinha que ser edificada , foi sobre a verdade que Pedro confessou: “ Tú és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.
O único alicerce que uma igreja pode ser construída é esse, qualquer outro fundamento não subsistirá. "Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo" (1 Coríntios 3:11).
A palavra igreja significa "convocado". Pregando o evangelho no dia de Pentecostes, Pedro e os outros apóstolos "convocaram" aqueles que creram em Jesus.
"Ouvindo eles estas cousas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos? Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo" (Atos 2:37-38)."Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas" (Atos 2:41).
Este foi o começo da igreja. Ela era composta por todos os que foram salvos por Jesus Cristo e continuou a crescer na medida em que outros eram salvos: "…acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos" (Atos 2:47).Grupos destas pessoas salvas encontravam-se em várias cidades e cada grupo era uma igreja. Ainda que unidos em Cristo, eles eram independentes de qualquer associação ou federação humana. Cristo os dirigia através da sua Palavra, ensinando-lhes como deveriam adorar e trabalhar juntos.
Este trabalho continua ainda hoje através da igreja de Cristo. Somente a Ele Glória!

A Experiência da Vitória

Josué tinha experimentado uma grande vitória em Jericó, para logo experimentar derrota na próxima batalha de Ai. Após ele se arrepender e levar o povo de Israel ao arrependimento, ele então os levou a conquistar Ai. Agora que ele tinha visto outra vitória, o que ele faria diferente do que ele fez após a conquista de Jericó?
A Bíblia diz que ele reuniu o povo e construiu um altar. “Então Josué edificou um altar ao Senhor Deus de Israel, no monte Ebal” (Js. 8:30). O primeiro ato depois da vitória foi um ato de adoração. Josué sabia que seu foco, na vitória de Jericó e de Ai, estava completamente em Deus. Sendo assim, ele imediatamente levou o povo a colocar os olhos em Deus.
Josué levou os filhos de Israel de volta às suas raízes. Ele leu para eles o que Deus havia dito no passado e os lembrou de que Deus não havia mudado. Se eles mantivessem seus olhos em Deus e obedecessem Sua palavra, haveria mais bênçãos reservadas para eles. Se eles tirassem seus olhos de Deus e O desobedecessem, haveria maldições no futuro. Josué os lembrou de tudo que Deus tinha dito e feito pelo Seu povo.
A exemplo de Josué, vamos viver um dia de adoração na presença do Senhor. Edifiquemos um altar (nossas vidas), e o adoremos com todo o nosso fôlego. Amém!



A Compreensão da Bíblia

Aproximar-se da Palavra de Deus gera alegria no coração. A Bíblia quer mais uma vez lembrar-nos de sua fundamental importância em nossa caminhada cristã. Ler, escutar atentamente, conhecer existencialmente, contemplar, amar, deixar-se transformar pela Palavra é o melhor caminho para o encontro pessoal com o Senhor. “De manhã em manhã ele me desperta, sim, desperta o meu ouvido para que eu ouça como os discípulos” (Is. 50:4).
Toda a história da salvação comprova que a Palavra de Deus é viva. Quem toma a iniciativa de se comunicar é o próprio Deus, fonte da vida (Lc. 20: 38). A sua Palavra dirige-se ao ser humano, criado para ser capaz de entrar em comunicação com o seu Criador. A Palavra de Deus acompanha o ser humano desde a criação até o fim de sua peregrinação terrena.
Manifestou-se de diversos modos, atingindo o ápice na encarnação do Verbo, por obra do Espírito Santo (Jo. 1: 1-14). Jesus Cristo, morto e ressuscitado, é “Aquele que vive” (Ap. 1:18), Aquele que tem palavras de vida eterna (Jo. 6: 68).
Na Bíblia encontramos tudo o que Deus tem a nos comunicar. O Verbo de Deus, Jesus Cristo, se fez escritura, Palavra de vida e de amor, revelação de sua bondade e infinita misericórdia. Leia a Bíblia e seja “livre”.

A Ceia do Senhor

Jesus Cristo instituiu esta refeição comunitária no contexto da celebração da Páscoa, durante a última ceia feita com os apóstolos. Na festa da Páscoa, as pessoas recordavam a libertação do povo de Israel do Egito. Não se tratava simplesmente de uma comemoração, mas também, e, sobretudo, da experiência viva e contínua da salvação oferecida por Deus na esperança da libertação plena a definitiva, que aconteceria com a vinda do Messias. Também a ceia do Senhor reflete e nos recorda através do pão e do vinho, o acontecimento da morte de Jesus. Além disso, olha para o futuro, para o Seu retorno: "Anunciareis a morte do Senhor até que ele venha". Mas ao mesmo tempo proclama a sua presença salvífica no pão e no vinho.
A ceia pascal começava com uma benção, uma ação de graças a Deus pelo pão. Depois eram distribuídos pedaços de pão. A ceia terminava com o beber de uma taça de vinho. Na cerimônia cristã o vinho é o sinal eficaz do sangue (da morte) de Cristo. A sua morte e sacrifício sela a nova aliança entre Deus e o homem, assim como a antiga aliança fora selada pelo sangue do novilho sacrifical (Ex. 24:5‑8). Por isso Jesus disse: "Este é o meu sangue... da nova aliança".
O significado maior da Ceia, é a lembrança do sacrifício de Cristo por sua vida. Aqueles que participam dessa refeição sagrada declaram a sua lealdade ao Senhor, que criou a nova aliança. Acerte a sua vida com Deus e participe da Ceia do Senhor.

Exemplo de Vida


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William Tyndale, o Pai da Bíblia Inglesa

William Tyndale nasceu aproximadamente em 1483, na vila de North Nibley. Ordenado ao sacerdócio em 1502, ele se distinguiu em Oxford recebendo o seu de Bacharel em Artes, em 1515. Mais tarde ele se transferiu para Cambridge, onde se tornou familiarizado com Erasmo e o seu Novo Testamento Grego. Enquanto atravessava esse tempo de reflexão, Tyndale experimentou uma iluminação espiritual semelhante à de Lutero.
Quanto mais ele estudava esse tesouro recém descoberto, mais acentuada se tornava a sua preocupação no sentido de que os seus companheiros ingleses dele compartilhassem. Foi durante esse período de formação que aconteceu a clássica discussão de Tyndale com um papista fanático. Antagonizado pela sua incapacidade de refutar a racionalização bíblica de Tyndale, o exasperado sacerdote gritou: "seria melhor que ficássemos sem as leis de Deus do que sem as leis do papa", ao que Tyndale retorquiu indignado:
Desafio o papa e todas as suas leis; e se Deus me poupar a vida por muitos anos, levarei um garoto que conduz o arado a conhecer mais a Escritura do que vós.
Com essas audaciosas palavras representando a motivação de toda a sua vida, Tyndale decidiu resgatar os seus iletrados patrícios da desesperança e infelicidade do Romanismo, declarando:
Essa causa apenas me conduziu a traduzir o Novo Testamento. Porque eu havia percebido, por experiência, como seria impossível levar o povo leigo à verdade, a não ser que as Escrituras fossem claramente colocadas diante dos seus olhos na língua mãe.
O pedido de Tyndale para se alojar com o renomado Cuthbert Tonstal, Bispo de Londres. recebeu uma fria negativa. Do mesmo modo como o estalajadeiro de Belém negou abrigo à "Palavra Viva" o prelado indiferente fez o mesmo ouvido surdo à "Palavra Escrita", nenhum deles reconhecendo o tempo de sua visitação.
O Senhor compensou essa humilhação, enviando Tyndale até um comerciante simpático, o qual não apenas abriu sua residência em Londres, para o Reformador, como ainda lhe deu dez libras de presente, pedindo-lhe que orasse por "seu pai, sua mãe, suas alma e todas as almas cristãs". Contudo seis meses depois do início da tradução, Tyndale detectou uma crescente hostilidade dos oficiais lacaios contra o seu projeto. Grande parte dessa pressão foi atribuída às pazes de Henrique VIII com Roma, a respeito do controvertido pedido de anulação do seu casamento com a "estéril" rainha Catarina. Tyndale conclui com tristeza:
A partir daí, percebi que não apenas no palácio do bispo de Londres, mas em toda a Inglaterra, não havia lugar onde eu pudesse tentar uma tradução das Escrituras.
Em face dessas condições inaceitáveis, Tyndale transferiu-se para a Alemanha, em 1524, sem imaginar que jamais colocaria os pés novamente em solo inglês (Contudo, Foxe chamou Tyndale de "o Apóstolo da Inglaterra").
Tendo garantido alojamento em Hamburgo, o fugitivo fez uma peregrinação imediata até Wittenberg. O patrocínio negado a Tyndale por Tonstal foi mais do que compensado pelo audacioso Lutero, que iria declarar sem timidez: "Nasci para a guerra e a luta contra as facções e os demônios" .
O Dr. J. R. Green captou o espírito contagiante de Lutero com a narrativa da visita deste a Tyndale:
Encontramo-lo em seu caminho para a cidadezinha que havia repentinamente se tornado a cidade sagrada da Reforma. Estudantes de todas as nações ali se reuniam com um entusiasmo que lembrava aquele dos cruzados. "Quando vinham para ver a cidade", conta-nos um contemporâneo, "retornavam graças a Deus com as mãos preparadas para de Wittenberg, como a partir de Jerusalém fosse a luz da verdade do evangelho espalhada até aos confins da terra". Foi por insistência de Lutero que Tyndale ali traduziu os evangelhos e as epístolas.
Tyndale receberia muita coragem para suas futuras experiências da parte do austero alemão, cuja visão pessoal sobre os perturbadores era essa: "você não pode enfrentar um rebelde com a razão. Sua melhor resposta é esmurrá-lo no rosto até que ele sangre pelo nariz".
Com o coração reanimado, Tyndale iniciou o seu esforço pioneiro de produzir a Bíblia Inglesa traduzida diretamente das línguas originais. Partiu dele uma excepcional concessão para uma tão grandiosa ventura. O professor Herman Buschais descreveu Tyndale para Spalatin como:
Um homem tão versado nas sete línguas: Hebraico, Grego, Latim, Italiano, Espanhol, Inglês e Francês, que qualquer uma que ele falasse poderia dar a impressão de ser a sua língua nativa.
Esta erudição foi confirmada no comparecimento de Tyndale diante dos editores de Colônia, Quental e Byrschmann, antes de completar um ano. Embora desconhecido a Tyndale, o arqui-nimigo de Lutero, o teólogo católico John Cochlaeus, Deão da Igreja da Bendita Virgem em Frankfurt, seguiu direto em suas pegadas. Quando viu os católicos na Alemanha preparados com Bíblias até às orelhas, Cochlaeus se queixou:
O Novo Testamento de Lutero se multiplicou e espalhou de tal maneira através dos editores que até mesmo alfaiates e sapateiros, sim, até mesmo as mulheres e as pessoas ignorantes, que aceitaram esse novo evangelho luterano e podiam ler um pouco de alemão, estudavam-no, com a maior avidez, como sendo a fonte de toda a verdade. Alguns o memorizaram, carregando-o no íntimo. Em poucos meses esse povo ficou tão letrado que não se envergonhava de debater sobre a fé e o evangelho, não apenas com os leigos católicos, mas até mesmo com os padres e monges e doutores em divindades.
Cochlaeus não podia permitir que esse pesadelo alcançasse a Inglaterra. Certo dia ele escutou por acaso alguns tipógrafos discutindo a respeito da obra de Tyndale. Embriagando-os com uma certa quantidade de vinho, ele ficou perplexo ao descobrir que o Novo Testamento Inglês já estava sendo impresso. Depois de ver apenas dez folhas completadas, Tyndale foi advertido da chegada de magistrados. Auxiliado pelo seu amanuense, William Roye, ele pôde transferir os preciosos documentos para Worms, deixando ao chão um padre frustrado.
Com a comparativa segurança da "retaguarda" oferecida por Lutero, as primeiras três mil cópias do Novo Testamento de Tyndale foram completadas em 1525 pelo editor de Worms - Schoeffer – e contrabandeadas para a Inglaterra, em barris, pilhas de roupa e sacos de farinha. Ao contrário da tradução dos manuscritos latinos de Wycliff, a obra de Tyndale foi diretamente traduzida do Grego e, mais que isso, do Textus Receptus da segunda e terceira edições de Erasmo. (Erasmo havia rejeitado as leituras Alfa e Beta da Vulgata, pavimentando, assim, a estrada para centenas de mártires em Smithfield, os quais iriam morrer por causa do Texto Majoritário).
Tendo sido alertado por Cochlaeus da "importação pendente de perniciosa mercadoria", o clero inglês ficou de sobreaviso nos portos. Muitas Bíblias foram interceptadas e queimadas em cerimônias, na Saint Paul Cross em Londres, pelo bispo Tonstal, que as chamava de "uma oferta queimada ao Deus Todo Poderoso".
Esse bispo enfatuado afirmava ter encontrado 2.000 erros na mesma. Sir Thomas More acrescentou: "tentar encontra erros no livro de Tyndale foi o mesmo que tentar água no mar". More seria degolado mais tarde, como um traidor da pátria.
Sem se intimidar, Tyndale exclamou no espírito do seu mentor alemão:
Ao queimar o Livro eles fizeram exatamente o que eu esperava; provavelmente eles vão também me queimar, se for essa a vontade de Deus.
Contudo, apesar desse diabólico esforço, muitos dos volumes reprovados foram dispersos pela terra (quase 50.000, segundo alguns cálculos. As dores sofridas no sentido de proteger esses Novos Testamentos podem ser vislumbradas através do que um sóbrio crente escreveu:
Guardas perigosos cheios de whisky, que em vão buscavam essa coluna,gozavam de clandestinidade e esconderijo com sofrimento ansioso.Enquanto tudo à volta era miséria e escuridão, Este livros nos mostrava o beijo sem fronteira, além da tumba, libertos dos padres venais – do castigo feudal. Ele permitiu ao sofredor seus passos fatigados até Deus. E quando essa sofrida maldição na terra aconteceu Esta principal riqueza do seu filho desceu.
Que o poder do Novo Testamento de Tyndale foi causa de alarme entre os católicos ficou evidenciado pela carta do bispo de Nikke ao seu superior, na qual se lia em parte: "está além do meu poder, ou de qualquer homem espiritual, impedir isso agora, e se assim continuar por muito tempo, ele a todos nos destruirá".
Com a cabeça erguida, Tyndale se mudou para Marburg, em 1528, onde ficou sob a proteção de Philip, o Magnânimo, Conde de Hesse. Após ter trabalhado, por quase um ano, no Pentateuco, ele embarcou para Hamburgo, porém sofreu um naufrágio na viagem, perdendo o manuscrito de Deuteronômio recém concluído.
Após uma chegada com atraso em Hamburgo, ele foi residir com Margarete von Emmerson, onde concluiu a tradução de Gênesis até Deuteronômio. Com o seu aparecimento na cidade livre de Antuérpia (para conseguir a impressão desses novos livros), Tyndale arquitetou um plano engenhoso para repor suas urgentes carências financeiras. Já ficou conhecido que o arrogante bispo Tonstal, levado ao desespero pela divulgação do Novo Testamento, havia tentado salvaguardar-se, removendo-os do comércio através de uma compra ilegal. Contudo, sem que Tonstal o soubesse, o comerciante intermediário do qual ele se aproximou, Augustine Pakinghton, era um dos simpatizantes e mantenedores de Tyndale. Foxe o descreve com esta maravilhosa narrativa poética de justiça:
Alguma semanas mais tarde, Pakinghton entrou no humilde alojamento de Tyndale, cujas finanças ele sabia terem se esgotado.
Pakinghton – "Mestre Tyndale, encontrei para vós um bom comprador dos vossos livros.
Tyndale – quem é?
Pakinghton – o senhor bispo de Londres.
Tyndale – mas se o bispo quer esses livros será apenas para queimá-los.
Pakinghton – bem... e então? O bispo os queimará de qualquer maneira e bom seria que conseguíssemos dinheiro para imprimir mais.
Tyndale – ficarei contente por esses benefícios que advirão: vou receber o dinheiro para me livrar dos débitos e o mundo inteiro vai gritar contra a queima da Palavra de Deus. O restante do dinheiro me possibilitará corrigir o dito Novo Testamento, e novamente imprimir o mesmo, confiando em que o segundo será bem melhor do que o primeiro já impresso.
Depois disso, os Novos Testamentos reimpressos logo alcançaram a Inglaterra. Então o bispo mandou procurar novamente Pakinghton indagando como era possível que os livros fossem ainda tão abundantes? "Meu senhor", respondeu o comerciante, "realmente eu acho que seria melhor que comprásseis também os tipos pelos quais eles são impressos".
Que esse conselho não foi seguido, nem é preciso declarar.
Com o lucro do seu "mais novo cliente", Tyndale entregou o seu Pentateuco, em 1530, através da Casa publicadora Hans Luft, de Marburg, com a sua tradução de Jonas sendo publicada na Antuérpia, no ano seguinte.
Por esse tempo a animosidade contra Tyndale havia aumentado consideravelmente. Além das traduções desprezadas, seus diversos ataques verbais contra Roma não estavam lhe angariando muitos amigos:
"A parábola do Maligno Mamom", 1528; "A Obediência de um Cristão" e "Como os Governantes de Cristo Devem Governar", em 1530; e sua "Prática de Prelados" , também em 1530. Numa de suas notas marginais em Jonas ele comparou a Inglaterra com Nínive.
No ano de 1535, um crédulo Tyndale foi traído por um agente secreto católico, Henry Phillips, o qual havia angariado a confiança do reformador. Depois de tomar um empréstimo de última hora no valor de 40 shillings, de sua generosa vítima, os dois homens seguiram para a pensão de Tyndale, a fim de jantar. O traidor Phillips insistiu pretensiosamente como o seu "amigo", para ir na frente. Logo que saiu, Phillips, no espírito de Judas Iscariotes, apontou na direção dele pelas costas, como sinal combinado para identificá-lo aos oficiais. O idoso santo foi depressa levado para o calabouço da fortaleza próxima de Vilvorde, dezoito milhas ao norte de Antuérpia.
Como o julgamento do seu Mestre por Pilatos, o caráter de Tyndale era inquestionável, impressionando até mesmo o promotor do Imperador que o levara a considerá-lo "homo doctus, pius, et bonus" (homem sábio, piedoso e bom).
Durante os dezoito meses do seu encarceramento, Tyndale se manteve firme. Um dos documentos mais tristes existentes em toda a história da igreja (tirado dos arquivos do Concílio de Brabant) é uma carta escrita em Latim, pela própria mão do reformador, para o governador de Vilvorde, talvez o Marquês Burgon:
Creio, cheio de legítima adoração, que não estarei despercebido do que pode ter sido determinado com respeito a mim. Daí porque peço a Vossa Senhoria, e isso pelo Senhor Jesus, que se devo permanecer aqui pelo inverno, Vossa Senhoria diga ao comissário que faça a gentileza de enviar-me, dos meus pertences que estão com ele, um boné contra o frio, visto como sinto muito frio na cabeça e sou afligido pelo contínuo catarro, que aumentou muito nesta cela. Também uma capa de inverno, pois a que tenho é muito fina; também uma peça de roupa para agasalhar minhas pernas. Meu sobretudo está gasto; minhas camisas também estão gastas. Ele tem uma camisa de lã e por favor, ma envie. Também tenho com ele perneiras de pano grosso para usar por cima. Ele tem também toucas quentes de dormir.
Peço que me seja permitido ter uma lâmpada à noite. É de fato aterrador ficar sentado sozinho no escuro. Mas, antes de tudo, peço que ele gentilmente me permita ter uma Bíblia hebraica, uma gramática hebraica e um dicionário hebraico, para que eu aproveite o tempo estudando. Em compensação Vossa Senhoria possa conseguir o que mais deseja, contanto que seja apenas para a salvação de sua alma. Mas se qualquer outra decisão foi tomada a meu respeito para ser executada antes do inverno, terei paciência, aceitando a vontade de Deus, para glória da graça do meu Senhor Jesus Cristo, cujo Espírito eu oro que possa dirigir sempre o vosso coração. Amém!
Assinado: W. Tyndale
De fato, foi a vontade de Deus que o seu servo passasse ali, não apenas aquele inverno, mas a próxima primavera e também o verão. Temos confiança de que ele conseguiu seus auxílios lingüísticos, visto como deixou atrás dele a tradução completa de Josué até II Crônicas.
Com as folhas do outono de 1536 anunciando a aproximação certa de outro inverno, o tempo da partida de Tyndale havia chegado. Condenado pelo decreto do Imperador, na assembléia de Augsburg, a data de sua execução foi estabelecida para 6 de outubro. Foxe nos transporta até essa cena sombria:
Trazido para o local da execução, ele foi atado à estaca, estrangulado por um carrasco e depois consumido pelo fogo, na cidadezinha de Vilvorde em 1536 d.C., gritando na estaca, em alta voz com fervorosa preocupação: "Senhor, abre os olhos do Rei da Inglaterra!
Quando o fiel Tyndale estava terminando a obra de sua vida, com uma última e incompreensível oração pela iluminação do rei, ele não podia imaginar que a resposta do céu já estava a caminho. McClure relata o miraculoso testemunho de que:
O que foi mais estranho em tudo isso e inexplicável para aqueles dias é que na hora exata em que Tyndale, por obtenção dos eclesiásticos ingleses e pelo tácito consentimento do rei inglês, foi queimado em Vilvorde, uma edição paginada de sua tradução era impressa em Londres, com o seu nome na página titular e por Thomas Berthlet, com a própria patente de impressão do rei. Essa foi a primeira cópia das Escrituras impressa em solo inglês.
Contudo, muito mais significativo do que esse misterioso rasgo da Providência foi a sanção oficial dada pelo próprio Henrique de duas Bíblias Inglesas dentro de um ano, a partir do martírio de Tyndale. A primeira destas foi a Bíblia Coverdale, nomeada segundo o antigo revisor em Antuérpia, Miles Coverdale (1488-1569).
A Bíblia Coverdale mantém a honra exclusiva de ser a primeira Bíblia Inglesa completa já impressa. Como Wycliff, Coverdale era fraco nas língua originais, de modo que sua obra consistiu do Novo Testamento e do Pentateuco, com os demais livros do Velho Testamento sendo conseguidos, primeiramente da tradução alemã de Lutero, com pequeno empréstimo da Vulgata Latina e da Bíblia Suíça de Zurique.
Embora Coverdale tivesse sido forçado a publicar sua primeira edição em Colônia (1535), ele muito prudentemente dedicou-a ao rei da Inglaterra e também teve o cuidado de excluir o estilo controverso das notas marginais associadas com a Bíblia de Tyndale. Não é difícil entender a boa vontade de Henrique de pessoalmente autorizar essa Bíblia (segunda edição da Coverdale de 1537), quando a capa o apresentava sentado e coroado, empunhando uma espada na página dedicatória, creditando-o como "defensor da fé". A diplomacia de Coverdale coincidia com a recente quebra do controle de Roma sobre as igrejas inglesas. Embora sem renunciar às doutrinas católicas o Ato de Supremacia aprovado pelo Parlamento em 11/11/1534, foi certamente o passo mais importante em direção à Reforma Inglesa.
A segunda Bíblia a receber sanção especial naquele ano foi outra aventura discreta. Conhecida como a Bíblia de Mateus, essa tradução foi realmente feita por John Rogers (1500-1555), o qual usou o pseudônimo de Thomas Matthews, em vista de sua bem conhecida associação com Tyndale. O melhoramento fundamental da Bíblia de Matthews foi a inclusão das obras de Tyndale "escritas no cárcere" – Josué e 2 Crônicas. Com o Pentateuco de Tyndale e o Novo Testamento basicamente intactos, a Bíblia Coverdale preencheu o vácuo, visto como Rogers assegurou alguma assistência das versões francesas de Le Fevre e Olivertan. Como a Bíblia Coverdale, a de Rogers foi também autorizada pelo rei, que tornou legal que a mesma pudesse ser comprada, lida, reimpressa e vendida. Do lado mais claro, a Bíblia de Mateus é algo referido como "a Bíblia do homem que bate da mulher", por causa da nota, fora de época, em 1 Pedro 3:1, onde se lê: "Semelhantemente, vós, mulheres, sede sujeitas aos vossos próprios maridos; para que também, se alguns obedecem à palavra, pelo porte de suas mulheres sejam ganhos sem palavra".
Logo depois veio a Grande Bíblia de 1538, nomeada conforme o seu tamanho especial (16" por 11"). Ela era basicamente uma revisão da Bíblia de Mateus feita por Miles Coverdale, com pouca mudança, exceto pela remoção das notas marginais controversas de Rogers. A Grande Bíblia teve a distinção de ser a primeira Bíblia oficialmente autorizada para uso público nas igrejas da Inglaterra, pelo que foi exigido que ela fosse literalmente acorrentada a uma parte do mobiliário da igreja, onde os paroquianos tinham "acesso à mesma para ler".
Com a obesidade de Henrique forçando-o provavelmente a pensar na eternidade (tendo engordado tanto que precisava ser levantado com roldanas para montar no cavalo), o rei sancionou oficialmente a Grande Bíblia com: "Em nome de Deus, deixe-a partir para o estrangeiro, junto o nosso povo". Sem dúvida, Tyndale teria dado uma risada, por razões óbvias. Em janeiro de 1547, o próprio Henrique partiu desta terra.


O Santo e o Profano

Sl 71,8;22-24 - “Os meus lábios estão cheios do teu louvor, e da tua glória continuamente... Por isso, ao som da harpa, te darei graças, meu Deus, por tua fidelidade; cantarei para ti ao som da cítara, ó Santo de Israel. Ao cantar em tua honra exultarão de alegria meus lábios e minha alma, que resgataste; todos os dias, minha língua proclamará tua justiça”.
Sl 115,1 - “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória por teu amor e tua fidelidade!”
*Assim, confere refletir com mais acuidade a quem de fato se haverá de louvar e com que ênfase. Ap 7,11-12 - E todos os anjos estavam de pé ao redor do trono e dos anciãos e dos quatro seres vivos, e caíram sobre os rostos diante do trono e adoraram a Deus, dizendo: “Amém. Bênção, glória, sabedoria, ação de graças, honra, poder e fortaleza a nosso Deus pelos séculos dos séculos. Amém”.
Salmos 9:1 e 2 - "Eu te louvarei, Senhor, de todo o meu coração, cantarei todas as tuas maravilhas. Em Ti me alegrarei e saltarei de prazer, cantarei louvores em teu nome, Ó altíssimo."
*Aceitamos pertencer a uma doutrina IMPOPULAR, seguimos um caminho IMPOPULAR, estamos numa igreja IMPOPULAR, e porque a nossa música tem que ser POPULAR?
*O verdadeiro louvor está em nós e não nos equipamentos eletrônicos nem nos play-backs.
**Deus quer e merece o nosso melhor, e sei que podemos melhorar nosso louvor. Oremos para pedir poder para discernir entre o santo e o profano.
Propósitos da Música Sacra
A música sacra serve a vários propósitos durante um culto de adoração.
1. Puro Louvor. Todos concordam que um dos propósitos da música em um momento de adoração é expressar louvor a Deus. Dia e noite, ao redor do trono de Deus no céu, os quatro “seres viventes” cantam “Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, e que é, e que há de vir.” (Apocalipse 4:8). De tempos em tempos, os vinte e quatro anciãos respondem ao seu cântico com “Digno és, Senhor nosso e Deus nosso, de receber a glória e a honra e o poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade existiram e foram criadas.” (Apocalipse 4:11). Pelo menos uma vez em visão João ouviu a “toda criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e no mar, e a todas as coisas que neles há” dizendo “Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos.” (Apocalipse 5:13).
É importante que observemos de passagem, que quando este arrebatador hino de louvor foi concluído, ninguém no céu sentiu que seria apropriado bater palmas. A Bíblia diz que, em vez disso, os quatro seres viventes disseram: “Amém. E os anciãos prostraram-se e adoraram.” (Apocalipse 5:14).
Muitos comentaristas vêem em Isaías 6 uma ilustração esclarecedora da verdadeira adoração. Neste capítulo, Isaías diz primeiro que ouviu os serafins (que são os mesmos seres viventes do Apocalipse) cantando “Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos” (Isaías 6:3). Aqui está o aspecto do louvor na adoração.
2. Arrependimento e Confissão. Mas qual foi a reação de Isaías a um louvor de tal forma puro? No céu, os vinte e quatro anciãos, que são sem pecado, “prostraram-se e adoraram.” Isaías, que era pecador, também reagiu com humildade, mas no seu caso, ele reagiu adicionalmente com arrependimento. “Ai de mim!” ele clamou em agonia, “pois estou perdido; porque sou homem de lábios impuros, e habito no meio dum povo de impuros lábios; e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos exércitos!” (Isaías 6:5).
O cântico de louvores que nos deixa extasiados mas não arrependidos fica a dever como verdadeira adoração. Se chegarmos realmente à compreensão da santidade e do tremendo poder de Deus, nos tornaremos humilhados e arrependidos. A música que está preocupada com a beleza da santidade apoiará o aspecto do arrependimento na adoração, assim como o aspecto do louvor.
3. Súplica. A súplica é ima parte integral da maioria dos cultos de adoração. Na experiência de Isaías, sua desesperada confissão de indignidade não expressa realmente uma súplica, mas ela está claramente implícita. Ele estava, obviamente, desejoso que Deus removesse sua indignidade.
Muitos dos Salmos (que eram poemas escritos para serem cantados como hinos) são orações de súplica.
4. Perdão. Deus respondeu ao arrependimento e confissão de Isaías, e à sua súplica implícita, através de um dos serafins, que tocou seus lábios com uma “brasa viva, que tirara do altar”, e dizendo: “Eis que isto tocou os teus lábios; e a tua iniqüidade foi tirada, e perdoado o teu pecado.” (Isaías 6:6-7).
Portanto, a música de adoração deve apoiar mensagens de perdão para os pecados confessados, dos quais nos arrependemos.
**Líderes de louvor deveriam se lembrar de que a Bíblia não promete em lugar algum o perdão dos pecados dos quais não houve arrependimento e confissão.
5. Chamado e Entrega. Imediatamente depois de ter sido perdoado, Isaías ouve o Senhor perguntando, “A quem enviarei, e quem irá por nós?” A este chamado Isaías responde, “Eis-me aqui, envia-me a mim.” (Isaías 6:8).
Um quinto aspecto da verdadeira adoração – juntamente com a música de adoração – é o chamado ao serviço e o nossa resposta em entrega. Enfaticamente, a música não está confinada ao louvor!
6. Instrução. O restante do capítulo 6 de Isaías (versos 9-13) consiste de instruções a Isaías com respeito às tarefas para as quais ele havia acabado de ser comissionado. É uma instrução “impopular”, advertindo Isaías do aparente fracasso que aguardava seus esforços. Como ele estaria levando a verdade de Deus às pessoas, as congregações seriam hostis e, numericamente falando, seus resultados seriam nada mais do que um remanescente.

Plano de Leitura do NT

- EVANGELHO SEGUNDO JOÃO..................................................................... Jesus, o Filho de Deus
- 1ª CARTA DE JOÃO.......................................................................................... Jesus é o Filho de Deus
- 2ª CARTA DE JOÃO.......................................................................................... Advertência Contra Falsos Mestres
- 3ª CARTA DE JOÃO.......................................................................................... Os Auxiliares de João
- TIAGO................................................................................................................. Religião Pura
- EVANGELHO SEGUNDO LUCAS.................................................................. Jesus, o Filho do Homem
- ATOS DOS APÓSTOLOS................................................................................. A Formação e a Propagação da Igreja
- FILIPENSES....................................................................................................... Uma Carta Missionária
- EVANGELHO SEGUNDO MARCOS.............................................................. Jesus, o Maravilhoso
- ROMANOS......................................................................................................... A Posição do Homem Perante o Seu Criador
- EVANGELHO SEGUNDO MATEUS............................................................... Jesus, o Messias
- HEBREUS........................................................................................................... A Última Mensagem de Deus ao Judaísmo
- GÁLATAS........................................................................................................... Pela Graça, Não Pela Lei
- EFÉSIOS.............................................................................................................. A Unidade da Igreja
- 1ª CARTA AOS CORÍNTIOS............................................................................. Desordens na Igreja
- 2ª CARTA AOS CORÍNTIOS............................................................................. Paulo Defende o seu Apostolado
- 1ª CARTA DE PEDRO....................................................................................... Uma Igreja Perseguida
- 2ª CARTA DE PEDRO....................................................................................... Predição de Apostasia
- JUDAS................................................................................................................ Iminente Apostasia
- FILEMOM........................................................................................................... A Respeito de Um Escravo Fugitivo
- COLOSSENSES.................................................................................................. A Divindade e Plena Suficiência de Cristo
- 1ª CARTA AOS TESSALONICENSES.............................................................. A Segunda Vinda do Senhor
- 2ª CARTA AOS TESSALONICENSES.............................................................. Outras Instruções Sobre a Vinda do Senhor
- TITO..................................................................................................................... A Respeito das Igrejas de Creta
- 1ª CARTA À TIMÓTEO...................................................................................... Cuidado da Igreja de Éfeso
- 2ª CARTA À TIMÓTEO..................................................................................... A Última Palavra de Paulo
- APOCALIPSE...................................................................................................... O Triunfo Final de Cristo


Os Manuscritos Biblicos e Como Chegaram Até Nós

MANUSCRITOS

Fala-se em “Manuscritos originais”, quando, de fato, entre todas as sagradas escrituras não existe original algum, nem do Velho nem do Novo Testamento. Quando uns se tornaram velhos foram copiados, e os originais enterrados ou queimados pelos próprios amigos da Palavra de Deus. Outros foram destruídos pelos inimigos durante as guerras e perseguições que o antigo povo de Deus sofria de tempos em tempos. Mesmo quando o Novo Testamento foi escrito, parece que os documentos não existiam mais. Conseqüentemente, quando a Bíblia completa foi compilada pela primeira vez, constituiu em cópias hebraicas do Velho Testamento-junto com uma tradução grega conhecida por Septuaginta, que significa setenta, porque foi feita por setenta homens. Na perda dos manuscritos originais, podemos ver a providência de Deus, porque, se fossem existentes hoje em dia documentos originais da letra de Moisés, Davi, Isaias, Daniel, Paulo ou João, o coração humano é tão suscetível á superstição, que seriam eles adorados, como foi à serpente de metal nos dias de Ezequias (II Reis 18:4), anulando assim o seu propósito. A falta dos originais não nos deve assustar, porque há milhares de manuscritos gregos e hebraicos copiados dos originais, espalhados pelo mundo. Estes manuscritos datam desde a primeira metade do segundo século, data dos papiros mais antigos, e do quarto século para os unciais, escritos em letra maiúscula sobre pergaminho (pele de cabrito especialmente preparada). Quando as primeiras Bíblias foram impressas havia mais de 2.000 destes manuscritos. Hoje, existem muitos milhares. Este número é suficiente para estabelecer a genuinidade e a autenticidade da Bíblia. Existência dum livro antigo pode ser provada por muitas maneiras fora do original. Por exemplo, as referências a ele, as suas citações, as paráfrases, as narrações dele, os catálogos em que o livro esteja mencionado, as suas traduções e versões; os argumentos contra o seu ensino e as cópias existentes provam que tal livro existia. Podemos verificar a idade dum manuscrito: 1) pela forma da letra em que está escrito; 2) pela maneira que as letras estão ligadas umas com as outras; e 3) pela simplicidade ou ornamentação das letras iniciais. Há ainda outro método, chamado Criticismo Textual, que procura estabelecer a idade de genuidade dos manuscritos em relação ás versões e ás obras dos anciãos das igrejas cristãs durante os primeiros séculos, pois estes citaram muitos textos das Escrituras. Os mais antigos manuscritos gregos são escritos em letras maiúsculas e quadradas, e todas as palavras em cada linha estão ligadas para poupar espaço. Achamos um exemplo desta ligação de palavras no versículo 11, do capitulo 53 de Isaias, na edição Almeida de 1913 e 1916: Às vezes, quando o copiador julgou que na linha não cabiam todas as letras grandes, começou a diminui-las assim: Porque Deus Amou. Estes manuscritos são chamados Unciais. Os três mais velhos destes, pela providência de Deus, se acham ao cuidado de três ramos do cristianismo: o grego, o romano e o protestante. Um, o Sinaitico (conhecido como o Códex Alfa), está na biblioteca em Leningrado, como possessão da igreja Católica Grega, outro, o Vaticano (conhecido como o Códex B), pertence á Igreja Católica Romana, e se acha atualmente na biblioteca do Vaticano, em Roma. Outro, o Alexandrino (conhecido como o Códex A), está no Museu Britânico, em Londres. A história destes manuscritos é muito interessante.


O MANUSCRITO VATICANO

Está escrito na língua grega e data do século IV. É o mais antigo conhecido no mundo. Por mais de 1.500 anos este manuscrito tem estado no mundo e é uma prova inegável de que, se a nossa Bíblia fosse uma invenção humana, teria sido falsificada antes do século IV, quando este manuscrito foi produzido. É uma obra de 4 volumes, com 700 páginas, e está escrita em três colunas na página, e contém quase a Bíblia inteira. Os livros são arranjados na seguinte ordem: Gênesis a II Crônicas; Esdras I e II; Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cantares de Salomão, Jó, Sabedoria, Siraque, Ester, Judite, Tobias; os doze profetas: Isaias, Jeremias, Baruque, Lamentações, Daniel; os Evangelhos; Atos Epistolas Católicas, Romanos, I e II Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, I e II Tessalonicenses e Hebreus. Dos livros da Bíblia que agora temos, faltaram a estes manuscritos os de I e II Timóteo, Tito, Filemon e o Apocalipse. O cristianismo estava privado do conhecimento da forma da letra deste manuscrito até que o Papa IX mandou tirar alguns fac-símiles.


O MANUSCRITO SINAITICO

Está em forma dum livro e cada página contém quatro colunas, exceto os livros poéticos do Velho Testamento, os quais têm somente duas. Não podemos deixar de contar por extenso a história do seu descobrimento. O Dr. Tischendorf, sábio alemão, muito famoso pela sua devoção á procura e ao estudo de manuscritos antigos da Bíblia, visitou o Convento de Santa Catarina, perto do monte Sinai, em 1844, quando descobriu este valioso documento. Todos que amam a Bíblia são devedores a ele por este grande descobrimento. No corredor do convento estava uma cesta cheia de folhas de pergaminho, pronta para serem atiradas ao fogo, e ele foi informado de que mais duas cestas já tinham sido queimadas. Ao examinar o conteúdo da cesta ficou surpreendido em encontrar folhas de pergaminho do Velho Testamento em grego, as mais velhas que ele tinha visto. Não pôde ocultar a sua alegria e foi-lhe permitido levar umas 43 folhas, mais ou menos. Ainda que as folhas fossem destinadas ao fogo, a sua alegria levantou suspeitas nos frades, e eles julgaram que, talvez, os manuscritos fossem mui valiosos e não consentiram que levasse mais. O Dr. Tischendorf depositou a porção das folhas na biblioteca real, em Leipzig, e deu-lhe o nome de “Códex Frederico Augustus”, em reconhecimento do patrocínio do rei da Saxônia. No ano de 1859 voltou mais uma vez ao convento, mas desta vez com uma comissão do imperador da Rússia. A sua visita estava a concluir-se sem resultado, quando, na véspera da sua partida, passeando na chácara com o despenseiro do convento, este o convidou a tomar uma refeição na sua cela. Enquanto estavam conversando, o frade puxou um embrulho enrolado em pano vermelho, que continha não somente alguns fragmentos vistos na primeira visita, mas ainda outras partes do Velho Testamento e o Novo Testamento completo, junto com alguns outros escritos. Mais tarde, por influência do imperador, o manuscrito foi obtido do convento e levado á biblioteca imperial em Leningrado, e tornou-se o mais precioso tesouro da igreja Grega.


O MANUSCRITO ALEXANDRINO

Assim foi chamado porque fez parte da biblioteca em Alexandria. Foi também escrito em grego e data do século IV. É composto de quatro volumes e tem duas colunas em cada página. Foi ofertado por Cyrilo Lucar, patriarca de Constantinopla, ao rei Charles I da Inglaterra em 1628. E acha-se atualmente no Museu Britânico, em Londres. Contém a Bíblia inteira, exceto os seguintes trechos: Gênesis 14:14 a 17; 15:1 a 5, 16 a 19; 16:6 a 9; I Reis 12:18 a 14:9; Salmos 49:20 a 70:11; Mateus 1:1 a 25:6; João 6:50 a 8:52; II Coríntios 4:13 a 12:7.

O Códex de Efraim

Há mais um manuscrito de importância que merece menção. É o do século V, e é conhecido como o Códex de Efraim. Está na biblioteca de Paris. É descrito como o “Códex rescripto”, porque tem evidências de Ter sido escrito duas vezes, uma por cima da outra. O escrito original foi apagado para receber uma tradução grega ou algumas palavras de Efraim, o Sírio. No ano de 1453 passou para D. Catarina de Médicis, e por sua morte ficou como propriedade da biblioteca Real Francesa. Naquele tempo o seu valor não era conhecido. Em 1734, o manuscrito foi submetido, com bom êxito, a um tratamento químico para intensificar as letras antigas. Este manuscrito contém porções do Velho Testamento e fragmentos de cada livro do Novo Testamento. 1

As Traduções da Bíblia

Quando falamos em manuscritos, referimo-nos ás cópias nas línguas originais e em traduções, ás cópias nas línguas vernáculas em que a Bíblia é traduzida. As traduções são necessárias, por três razões: 1) Nem todos os povos falam a mesma língua; 2) as línguas estão sempre se modificando; 3) a palavra de Deus tem estado espalhada em muitos paises, de modo que, para melhor propaganda, é necessário tê-la na língua própria do povo. Entretanto, compete-nos lembrar que as traduções não são inspiradas por Deus; porém servem como um testemunho da existência e autenticidade dos originais. Se não pudermos Ter as palavras exatas pelas traduções, ao menos teremos o sentido sem conflito qualquer de doutrina. Estamos agora mais interessados nas versões em português, mas será necessário estudarmos os diversos períodos porque a Bíblia tem passado antes de chegar a ser conhecida na bela língua lusitana.

A LXX

A mais antiga versão que existe é a Septuaginta. Esta é uma tradução livre, desviando-se em muitos lugares, da original hebraica. Foi feita em 285 antes de Cristo, provavelmente para os judeus que foram espalhados por todas as nações, uns 160 anos depois da volta de Neemias do cativeiro. Há muitas lendas acerca desta tradução: todavia, podemos dizer que foi a obra de setenta redatores em Alexandria. Sendo em grego, provavelmente, existia nos tempos de Jesus Cristo, mas não há evidência alguma de que ele ou os seus discípulos a usassem. Pelo contrário, é mais provável que Jesus falasse aramaico, salvo quando falou á mulher siro-fenícia (Mar. 7:6) em grego, afim de que ela o compreendesse. As palavras, nos Evangelhos que vêm a nós sem serem traduzidas são aramaicas: “Talita Cumi” (Mc. 5:41); “Eloi, lamá-sabactani” (Mc. 15:34). A Septuaginta tornou-se a base de muitas traduções. As outras traduções na língua grega que merecem menção são as seguintes: A versão de Áquila, um homem natural de Sinope, em Pontus, que se converteu do paganismo ao judaísmo. No século II ele procurou fazer uma tradução literal do texto hebraico. A versão de Teodotion, de Èfeso. Ele reviu a Septuaginta; e a versão de Symmachus de Samária. Tendo mencionado o manuscrito de Efraim no capitulo anterior, não podemos deixar de mencionar uma versão Siríaca, chamada o Peshito, que foi completa no século II, provavelmente antes de 150. Foi preparada para provas do seu uso entre os seus patrícios. No segundo século, o latim suplantou o grego e ficou sendo por muitos anos a língua diplomática da Europa. Ao longo da costa setentrional da África organizaram-se umas igrejas compostas de pessoas de língua latina. Para essas, foi preparada uma versão latina. A sua história e origem são desconhecidas. O Velho Testamento foi vertido da Septuaginta, e ao Novo Testamento faltavam os seguintes livros: Hebreus, Tiago e II Pedro. Tertuliano e os seus contemporâneos usaram-na livremente. Esta tradução foi à base da Vulgata, a qual se tornou a Bíblia autorizada da Igreja Católica Romana. Notar-se-á, pela comparação destas versões antigas, que existiam todos os livros do Novo Testamento, menos o de II Pedro, no século II.

A VULGATA

No ano 383, São Jerônimo era um dos mais sábios do seu tempo, sendo secretário de Damasus, Bispo de Roma; este o convidou para corrigir e melhorar a Bíblia latina, então em uso nas igrejas do leste. Aquele sábio completou a revisão do Novo Testamento. Depois da morte de Damasus, Jerônimo mudou-se para Belém, onde fundou um mosteiro. Ai no 80 ano de sua vida começou uma nova tradução do Velho Testamento, do hebraico para o latim. Esta é conhecida como a Vulgata, incluindo a apócrifa, e ficou sendo base de todas as traduções por mais de 1.000 anos. No concilio de Trento (1545-1547) foi proclamada autêntica, e um anátema foi pronunciado sobre qualquer pessoa que afirmasse que qualquer livro que nela se achava não fosse totalmente inspirado em toda parte. Concordando com a decisão do Concilio em Ter uma edição autorizada e uniforme, Sixtus V publicou um texto em 1590. Porém os seguintes livros apócrifos foram omitidos: 3 a 4 Esdras; 3 Macabeus e a oração de Manasses e estava tão corrompida por erros tipográficos e outros, que Clemente VII sentiu a necessidade de retirá-la da circulação e publicar uma edição melhor em 1592. Esta tem sido a Bíblia seguida pelos católicos romanos em todas as suas traduções. A Bíblia Douai e o Novo Testamento publicado em Reims foram traduzidos da Vulgata.

A RENASCENÇA

Depois de longos anos de eclipse intelectual, o mundo experimentou uma renascença que se estendeu por toda parte na Europa. Os estreitos limites geográficos desapareceram pelo descobrimento de novas terras, e este contato repentino com novos povos, novas crenças e novas raças revivificou a inteligência sonolenta. Quando a cidade de Constantinopla caiu nas mãos dos turcos em 1453, os gregos eruditos fugiram para as bandas da Itália, levando as suas ciências e letras. Escolas foram estabelecidas, e o povo italiano interessou-se mais nos manuscritos, do Oriente do que na sua própria arte de estatuária. Com a vinda da língua grega para a Europa, um desperta-mento verdadeiro apoderou-se dos centros educacionais, e estudantes de toda parte procuraram os mestres da língua antiga. E, antes do fim do século XV, pelo desenvolvimento da imprensa, todos os autores latinos tornavam-se acessíveis e todas as obras gregas foram publicadas antes de 1520. Conseqüentemente, novas visitas intelectuais se apresentaram e o mundo experimentou verdadeiramente um novo nascimento. Durante mil anos a Vulgata teve a aceitação universal da igreja, e a Teologia tornou-se tradicional; porém esta nova época forneceu a chave para dar origem aos Evangelhos e o Novo Testamento. A teologia mística da Idade Média foi suplantada pela nova ênfase dada á pessoa de Cristo como se encontra nos evangelhos. O Novo Testamento em grego, pelo erudito Erasmo, em 1516, desafiou as tradições e pôs de parte a Vulgata. Erasmo tinha um desejo ardente de deixar a Bíblia clara e inteligível a todos. Disse ele: “Quero que mesmo a mulher mais fraca leia os Evangelhos e as epistolas de Paulo. Queria-os traduzidos em todas as línguas, para que fossem lidos e compreendidos por todos mesmo pelos sarracenos e turcos. Porém o primeiro passo necessário é fazê-los inteligíveis ao leitor. Eu almejo o dia quando o lavrador recite para si mesmo porções (*) das Escrituras enquanto vai acompanhando o arado, quando o tecelão as balbucie ao ritmo da sua lançadeira e o viajante repasse o cansaço da sua viagem com os seus contos”. Esta era uma profecia verdadeira, a qual está sendo cumprida em nossos dias. Nesta época foi publicado um livro (*) em que o autor previu que no futuro a religião verdadeira teria o seu centro na própria família, assim como o grande princípio de tolerância religiosa, e também que essa religião fosse divulgada por polêmica e apologética, e não por violência nem insulto ás religiões alheias. Com o novo impulso intelectual, a tradução da Bíblia na língua vernácula tomou aspecto. Os sábios e os iletrados, os ricos e os pobres, os reis e os plebeus, os eclesiásticos e os leigos, todos ajudaram neste glorioso trabalho. Outro tanto pode ser dito do impedimento que todas essas classes impuseram a esta obra de fama. Não podemos, nestes estudos limitados, tratar minuciosamente de todas as importantes traduções, ainda que gostaríamos de apresentar vários fatos históricos concernentes a algumas delas que têm influenciado no desenvolvimento do cristianismo. Lembrar-nos-emos que a nossa incumbência é a Bíblia na bela língua portuguesa. Entretanto, não podemos passar sem mencionar apenas algumas traduções notáveis. Devido ás perseguições que obrigaram os reformadores a fugir dum país para outro, é dificílimo acertar em que parte do continente a renascença teve a maior influência. Em toda parte rompeu a Reforma, e o Novo Testamento de Erasmo serviu como base de muitas traduções. Na Inglaterra, Guilherme Tyndale começou a dar a Bíblia ao povo na sua própria língua. Sendo severamente perseguido, foi obrigado a fugir para Colônia, onde tudo estava caminhando bem, quando um padre odioso, procurando saber do seu trabalho, embriagou os impressores e aprendeu o segredo da empresa. De Colônia, Tyndale foi a Worms, onde a Reforma de Lutero estava progredindo. Ali completou a sua tradução em 1526. Os exemplares foram enviados á Inglaterra secretamente em peças de fazenda, sacas de farinha de trigo, etc. Porém os inimigos da Palavra de Deus, junto com os católicos fervorosos, iniciaram uma campanha para acabar com esta tradução, e o bispo de Londres comprou todas as cópias que pôde achar e queimou-as em St. Paul’s Cross, nessa cidade. Felizmente, ainda mais cópias emanaram pelo dinheiro das que o bispo comprou. Em outubro de 1536, Guilherme Tyndale foi traído, estrangulado e depois queimado na estaca pelos católicos romanos, que sempre se opuseram á leitura da Bíblia no vernáculo. Antes do último suspiro este grande reformador rogou: “Deus abre os olhos do rei da Inglaterra”. Aqueles que queimaram a Bíblia de Tyndale mal supunham que três anos depois o rei dissesse: “Em nome de Deus deixo a Bíblia ser espalhada entre o povo”. A nova tradução que ele fez circular foi conhecida como a Grande Bíblia, devido ao seu tamanho, e também como a Bíblia Encadeada, porque estava acorrentada aos bancos das igrejas, para maior segurança. Infelizmente, mais tarde o rei Henrique VIII proibiu a circulação das Escrituras; conseqüentemente a destruição de Bíblias pelos católicos era tremenda. As perseguições continuaram e alguns reformadores ingleses fugiram para Genebra, onde publicaram uma Bíblia, conhecida como a Bíblia de Genebra. Esta foi traduzida diretamente do grego e hebraico, e foi a primeira Bíblia inteira a ser dividida em versos e em que foram omitidos os livros Apócrifos. A história da Bíblia em inglês é de grande importância e interesse; porém não nos devemos desviar do nosso propósito de tratar do livro dos Livros em português. Deixemo-nos, então, voltar para o assunto. Menciono essas traduções inglesas para mostrar que tinham influência na Europa também.

A VERSÃO DE ALMEIDA

Até o último quarto do século XVI não havia versão alguma completa e impressa das Escrituras em português. A zelosa rainha D. Leonor, mulher de D. João II, tentou vulgarizar as Escrituras. Ela mandou traduzir e imprimir, em 1495, a expensas suas, a Vida de Cristo, que foi originalmente escrita na língua latina pelo Dr. Ludolfo, de Saxônia, e que continha muitas citações da Bíblia. Dez anos depois ela mandou publicar na língua lusitana os Atos dos Apóstolos e as epistolas universais de Tiago, Pedro, João e Judas. Esta nobre senhora faleceu em 1525, e por uma reação do clero essas obras desapareceram das bibliotecas. Uma segunda edição da Vida de Cristo foi publicada em 1554; porém esta teve a mesma sorte. Nesta época, organizaram-se diversas companhias comerciais para o desenvolvimento das várias colônias dos paises europeus. Entre esta, a Companhia Holandesa das Índias Orientais, que se organizou em 1602, cuja carta patente exigiu que cuidasse em plantar a igreja entre os povos e procurasse a sua conversão nas possessões tomadas aos portugueses nas Índias Orientais. Foi esta companhia que mais tarde patrocinou a revisão do Novo Testamento de João Ferreira de Almeida, em 1693. João Ferreira de Almeida nasceu em 1628 no local chamado Torre de Tavares, Portugal. Em 1642, encontrando-se na Indonésia, aceitou a fé da Igreja Reformada Holandesa pela profunda impressão que causou em seu espírito a leitura dum folheto espanhol. Desde o principio da sua conversão, mostrou a aptidão para o estudo eclesiástico. Ignoram-se as circunstâncias que o fizeram transportar-se á Batávia, onde se tornou muito ativo e zeloso no trabalho da evangelização, pregando nas línguas portuguesa, espanhola, francesa e holandesa. Durante a sua longa vida pastoral escreveu e publicou várias obras de caráter religioso, entre as quais sobressai a versão portuguesa da Bíblia. “Deixou completa a coleção de todos os livros do Novo Testamento, não logrando, porém, concluir tradução do Velho Testamento, que só chegou até o livro de Ezequiel, capitulo 48, versículo 21”. Ele foi casado, e teve uma filha e ainda um filho chamado Mateus. Faleceu em Batávia no segundo semestre do ano de 1691. Aos 16 anos Almeida iniciou sua obra de tradução do Novo Testamento, usando a versão italiana, francesa, espanhola e latina. Este trabalho perdeu-se. A tradução definitiva que foi publicada em 1681 foi feita diretamente do grego. Seguindo a versão holandesa como modelo, acrescentou os textos paralelos da (*) Escritura na margem, e, no principio de cada capitulo, pôs o sumário ou os artigos de que nele tratava. Em 1681, começou a publicação da Bíblia de Almeida pelo Novo Testamento. A primeira edição foi feita em Amsterdã, por ordem da Companhia Holandesa das Índias Orientais, para circular entre as igrejas evangélicas portuguesas, que esta companhia estabelecera nas suas feitorias asiáticas. Eis o titulo: “Novo Testamento, isto é, todos os sacrossantos livros e escritos evangélicos e apostólicos do Novo Concerto de nosso fiel Senhor, Salvador e Redentor Jesus Cristo, agora traduzidos em português pelo Padre (*) João Ferreira de Almeida, pregador do Santo Evangelho. Com todas as licenças necessárias. Em Amsterdã, pela viúva J.V. Somerem. Ano 1681”. No reverso do frontispício vem esta declaração: “Este SS. Novo Testamento é impresso por mandado e ordem da ilustre Companhia da Índia Oriental das Unidas Províncias, e com o conhecimento da Reverenda Classe da cidade de Amsterdã, revisto pelos ministros pregadores do Santo Evangelho, Bartolomeu Heynen, Johannes de Vaught”. O trabalho tipográfico continha muitos erros e o próprio autor revoltou-se contra a incapacidade dos revisores. Esta edição sofreu uma revisão completa feita por Almeida e dois pastores holandeses, terminada em 1691. Dois anos depois do falecimento de Almeida, isto é, em 1693, esta edição veio a lume em Batávia ás expensas da Companhia Holandesa das Índias Orientais. Eis aqui a cópia do seu titulo: “O Novo Testamento, isto é, todos os livros do Novo Concerto do nosso fiel Senhor e Redentor Jesus Cristo traduzido na língua portuguesa pelo reverendo Padre João Ferreira de Almeida, ministro pregador do Santo Evangelho nesta cidade de Batávia, em Java Maior. Em Batávia. Por João de Vries, impressor da ilustre Companhia, e desta nobrecidade. Ano 1693”. No reverso do frontispício lê-se o seguinte: “Esta Segunda impressão do SS. Novo Testamento, emendada, e, na margem, aumentada com os concordantes passos da Escritura Sagrada, á luz saiu por mandado e ordem do supremo governo da ilustre Companhia das Índias das Unidas Províncias na Índia Oriental e foi revista com aprovação da reverenda Consagração Eclesiástica da cidade de Batávia, pelos ministros pregadores do Santo Evangelho na igreja da mesma cidade, Theodorus Zas, Jacobus op den akker”. Estes revisores, sendo estrangeiros e incompetentes para rever a língua portuguesa, conseqüentemente fizeram consideráveis alterações, até mesmo desfigurando e corrompendo a beleza do original. O Saltério de Almeida foi publicado no livro da Oração Comum para uso das congregações da igreja Anglicana nas Índias Orientais, em 1695. Nesta época, o rei da Dinamarca, Frederico IV, interessou-se em desenvolver no Oriente o conhecimento das Escrituras Sagradas, e pelo seu patrocínio foi estabelecido o trabalho em Tranquebar, aonde foram muitos missionários célebres. Para este trabalho foi publicada, em Amsterdã, uma 3 EDIÇÃO DO Novo Testamento de Almeida, ás expensas da Sociedade Propaganda do Conhecimento Cristão, em 1712. Os revisores são desconhecidos. Nesta edição desapareceram os sumários dos capítulos. Esta sociedade de Londres, reconhecendo a inconveniência e a despesa de fazer imprimir a Palavra de Deus na Europa para o uso da propaganda na Ásia, resolveu estabelecer uma oficina tipográfica em Tranquebar, encarregando-se os missionários dinamarqueses da direção da mesma. Deus estava, certamente, cuidando da impressão da Bíblia portuguesa, porque no transporte do material houve uma evidência da sua intervenção. “O material da tipografia foi embarcado em um navio da Companhia Holandesa, para ser transportado ao seu destino. A saída do Rio de Janeiro, onde arribara, foi este navio apressado pela esquadra francesa, que se apoderou de todo o carregamento, voltando o navio ao poder da companhia armadora a troco de avultado resgate. Por circunstâncias absolutamente inexplicáveis e que muitos têm por miraculosas, os volumes que continham o material tipográfico foram encontrados intactos no fundo do porão, e no mesmo navio continuaram a viagem para Tranquebar”. Com a chegada do material, alguns dos missionários se ocuparam na tradução da Bíblia e publicaram periodicamente diversas partes das Escrituras. Pela intervenção amigável de Theodoro Van Cloon, um oficial holandês em Batávia, receberam eles os originais (Gen. - Ez. 48:21) de Almeida em 1731. Quando o Sr. Cloon foi nomeado governador de Negapatão, interessou-se na obra da tradução pelos missionários dinamarqueses e prometeu mandar-lhes a versão de Almeida logo que chegasse á Batávia para ocupar o seu novo cargo, o que efetivamente fez no ano seguinte. Com os manuscritos, ele mandou a quantia de oitocentos escudos para ajudar nas despesas da impressão. Ao ouvir que existiam os manuscritos de Almeida, apressaram-se em traduzir os profetas menores para que pudessem publicar a Bíblia completa; porém, ao receber os originais, repararam que a revisão do mesmo seria muito demorada, razão porque publicaram os Profetas Menores só em 1732. Saiu esta obra em Tranquebar, com este titulo: “Os doze profetas menores, convém saber: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, e Malaquias. Com toda diligência traduzidos na língua portuguesa pelos padres missionários de Tranquebar, na oficina Real Missão de Dinamarca. Ano de 1732”. Foram publicados os demais livros do Velho Testamento na seguinte ordem: Os livros históricos- Josué a Ester- em 1738, revistos de acordo com o texto original pelos missionários holandeses de Tranquebar. Em 1740, saíram os Salmos, revistos e conferidos com os livros históricos de 1738. Quatro anos depois, foram publicados os livros dogmáticos – Jó a Cantares de Salomão. Em 1751, saíram os quatro profetas maiores – Isaias a Daniel. Os três primeiros, por Almeida, e o quarto, por Cristóvão Theodósio Walther. Simultaneamente, em Batávia estava sendo publicado o Velho Testamento, traduzido por Almeida, até o final de Ezequiel, e por Jacobus op den Akker, que fez a tradução dos Profetas Menores. O primeiro tomo saiu do prelo em 1748 e o segundo em 1753. Assim a Bíblia em português estava completa. Estes dois volumes têm todas as páginas numeradas e, depois da do titulo, vem uma folha, dizendo: “Esta primeira impressão do Velho Testamento sai á luz ás custas da ilustre companhia Holandesa da Índia Oriental, por mandando do Ilmo.sr. Gustavo Guilherme, Barão d’ Imhoff, Governador-Geral, e dos Nobilíssimos Srs. Conselheiros da Índia...”. Deste trabalho escreve o Dr. Teófilo Braga: “È esta tradução o maior e mais importante documento para se estudar o estado da língua portuguesa no século XVII: o Padre João Ferreira de Almeida, pregador do evangelho em Batávia, pela sua longa residência no estrangeiro, escapou incólume á retórica dos seis centistas; a sua origem popular e a sua comunicação com o povo levaram-no a empregar formas vulgares, que nenhum escritor culista do seu tempo ousaria escrever. Muitas vezes o esquecimento das palavras usuais portuguesas lava-o a recordar-se de temos equivalentes, e é esta uma das causas da riqueza do seu vocabulário. Além disto, a tradução completa da Bíblia presta-se a um severo estudo comparativo com as traduções do século XIV e com a tradução do Padre Figueiredo do século XVIII. É um magnífico monumento literário”..(*)
Para o fim do século XVIII, e o principio do XIX, a coroa britânica incorporou Tranquebar aos seus domínios, e o idioma português foi gradualmente abandonado como a língua comercial, e conseqüentemente banido do uso das igrejas reformadas. Porém a divina providência estava preparando outro meio para a evangelização das terras do Velho Portugal e a conservação da Bíblia portuguesa. Portugal, até então mergulhado nas densas trevas da superstição romana, experimentou uma renascença. Isto veio por uma série de acontecimentos. Pela opressão política, umas pessoas refugiaram-se em Plymouth e em outras cidades da Inglaterra, o território nacional foi ocupado por tropas inglesas e o exército lusitano organização segundo o gênio disciplinador inglês, as relações comerciais e políticas foram estreitadas com a Grã-Bretanha, e propagou-se rapidamente por todo o reino o sentimento de tolerância religiosa. Isso, com as facilidades de comunicação com as ilhas e colônias portuguesas induziu a sociedade Bíblica Britânica a publicar uma edição do Novo Testamento em português da versão de João Ferreira de Almeida em 1809. Desde então esta sociedade tem publicado muitas edições, e, sob a mão de Deus, tem sido usada maravilhosamente para a disseminação da Bíblia em português. Em 1819 a Bíblia completa de João Ferreira de Almeida foi publicada em um só volume pela primeira vez, com este titulo: “A Bíblia Sagrada, contendo o Novo e o Velho Testamentos, traduzida em português pelo padre João Ferreira de Almeida, ministro pregador do Santo Evangelho em Batávia Londres, na oficina de R. e A. Taylor, 1819- 8 gr. de IV- 884 pp., a que se segue,com rosto e numeração o Novo Testamento, contendo IV- 279 páginas.” Desde essa data tem sofrido várias revisões. A primeira, em 1840, foi chamada de Revista e Emendada. Em 1847 foi novamente revisada, e chamada de Revista e Reformada. A revisão de 1875 foi chamada de Revista e Correcta. Depois, sofreu a correção de vários “erros óbvios” e algumas modificações ortográficas e recebeu o nome de Revista e Corrigida, que é essencialmente a Bíblia de uso popular ainda. Esta última revisão data de 1898. A Bíblia por João Ferreira de Almeida que atualmente temos, não é realmente dele, por causa das diversas correções e versões por que tem passado; entretanto, o texto original era dele e as modificações foram feitas devido ás exigências da língua, e á luz dos textos originais, e, sendo o primeiro a dar ao protestantismo português as sagradas letras, é digno de ser reconhecido como o autor da Bíblia que tem o seu nome.


A FORMAÇÃO DO CÂNON *

Uma definição provisória

Parece que o tema nos impõe, pelo menos inicialmente, um tratamento manualesco sobre o mesmo. O termo cânon descende do grego kanon, cana, que nada mais era que uma vara de medir. Pelo fato de servir como medida padrão, ao longo do tempo, por metáfora, veio a significar uma regra. Assim, um cânon cronológico diz respeito a uma medida padrão de tempo; um cânon de pesos e medidas, aqueles padrões aceitos mundialmente e que são exemplos para todas as medidas e pesos; cânon literário fala acerca das obras de um autor, para diferenciar de supostas obras e autores que escreveram reivindicando serem deles, e assim por diante. O cânon das Escrituras diz respeito aquela coleção de livros que os cristãos aceitam, usam e aos quais atribuem autoridade inigualável a quaisquer outros livros ou obras. São os livros que a igreja recebeu e, por conseguinte, acredita procederem de Deus, resultando, daí, sua utilidade intrínseca. Quando tratamos do cânon, já deixamos implícito o ato da aceitação de uns livros e a rejeição de outros. Mas podemos tratar o cânon como algo anterior a essa aceitação. Isso quer dizer que outros livros existiram sendo conhecidos ou não e que até receberam, em algum tempo e local, o status de canônicos. O cânon aponta, primeiramente, para o próprio ato da influência divina sobre o mesmo. Vejamos o tratamento que Young (1964, p.37) dá ao tema: “Caso um livro tenha sido inspirado por Deus, é canônico, quer seja aceito ou não pelos homens como tal. É Deus, e não o homem quem determina se um livro pertence ao cânon sagrado. Por conseguinte, caso certo escrito tenha efetivamente sido o produto da inspiração divina, tal escrito pertence ao cânon desde o momento de sua composição... Portanto, observa-se que a palavra” cânon “significa muito mais que meramente uma lista de livros”. Para Young, pois, o cânon não reside propriamente no trabalho humano e na aceitação dos livros. É, antes de tudo, uma obra divina. O cânon, nesse caso, é divino. Poderia haver, nesses casos, obras que foram divinamente inspiradas e que, por algum motivo não fazem parte da coleção que recebemos. Ainda mais, os livros que foram aceitos e recebidos por nós, só chegaram ao status de canônicos dada a influência de Deus na vida dos homens que pesquisaram e catalogaram esses livros. A visão sobrenatural do cânon que tem Young diz que se o homem fosse capaz de determinar, por algum processo, o que era ou não canônico, ele precisaria Ter uma inteligência no mesmo nível de Deus, sabedor das coisas como Deus sabe. A idéia de Young é praticamente unânime entre os estudiosos. Todos estão convictos de que a canonização é o ato de reconhecimento da importância de uma obra, e não da imposição de uma certa canonicidade de um livro. Um livro primeiramente se mostrou útil, inspirado e por isso foi reconhecido como canônico. Com efeito, a canonização deve ser reputada como uma obra divina. A Bíblia foi escrita num espaço temporal de cerca de quinze séculos de Moisés a João; tem participação de aproximadamente quarenta escritores, usando três línguas diferentes hebraico, aramaico e grego; estando seus escritores em três continentes: África, Ásia (oriente médio) e Europa.


2. TERMOS SUBJACENTES AO CÂNON

Ao falarmos de cânon, é impossível não nomear palavras como revelação, inspiração e autoridade. Elas aparecem com tanta naturalidade que nem prestamos atenção ao seu uso e, por vezes, os tratamos como se soubéssemos o que querem dizer. A revelação diz respeito diretamente ao ato de Deus se comunicar com os homens; a inspiração diz respeito á Escritura e aos escritores, ao passo que a autoridade diz respeito aos leitores.A palavra revelação é fundamental. “Deriva de um nome latino que significa ‘desvelar’, indica que Deus tem tomado a iniciativa para dar-se a conhecer... seja Deus quem for, está totalmente além de nosso alcance. Sua infinita grandeza está velada a nossos olhos. Não podemos descobri-lo por nós mesmos. Se tivermos de chegar a conhecê-lo, ele deve dar-se-nos a conhecer” (Stott, 175). A Bíblia é o meio de revelação, pois através dela Deus se comunica. É também a fonte de revelação, pois nela Deus é comunicado, por ela conhecemos as coisas espirituais, os atos e vontade de Deus para a vida do homem. A Bíblia também revela quem nós somos. Mesmo que a psicologia tenha avançado grandemente nos últimos anos e possa fazer afirmações verdadeiras sobre o homem, a Bíblia ainda continua sem igual no ato de nos informar quem somos, e o que precisamos fazer. Além disso, ao ler as páginas da Bíblia ficamos impressionados como somos informados acerca de nós mesmos e a única conclusão que podemos tirar é que seu autor é verdadeiramente aquele que nos criou. Deus se comunica na Bíblia falando a nós e ao mesmo tempo se mostrando, dando-se a conhecer. Por outro lado, ela nos informa o que somos e como somos. Quanto ao termo inspiração, assim fala Stott: “Indica a forma principal que Deus tem escolhido para revelar-se. Tem se revelado em parte na natureza e sobremaneira através de Cristo, porém, também ‘falando’ a determinadas pessoas. E este processo de comunicação verbal é o que se chama” inspiração “. Não empregamos a palavra no sentido em que falamos de um poeta ou músico que está ‘inspirado’. Pelo contrário, tem uma conotação precisa e especial. Porque quando Paulo escreve que ‘toda Escritura é inspirada por Deus’, as três últimas palavras constituem uma só expressão grega que poderia traduzir-se literalmente ‘respirada por Deus’. O significado, pois, não é que Deus respirou nos escritores para dar-lhes seu caráter especial, senão que o que os homens escreveram foi respirado por Deus” (p. 175). Não devemos pensar que a inspiração foi apenas um ato mecânico, que os escritores tiveram algum tipo de psicografismo espiritual, nem que foram máquinas de escrever a serviço de Deus. A inspiração, claro, inclui elementos verbais: “Disse o Senhor a Moisés..., Jeremias..., Ezequiel..., João” e assim por diante. Por outro lado, o Espírito comunicou ensinamentos aos escritores: “Foram-nos revelados pelo Espírito, conferindo coisas espirituais” (1. Co 2) Outras vezes, os escritores narraram aquilo que viram e ouviram: “O que temos visto..., ouvido..., contemplado..., apalpado..., isso escrevemos” (1. Jo 1). Parte daquilo que foi escrito envolveu um trabalho de pesquisa dos escritores: Os demais atos do rei...Eis que estão escritos nas “crônicas dos reis de Judá”, “nas crônicas dos reis de Israel”, “no livro das guerras do Senhor”, “no livro do cronista”, “nas atas do rei”. Os escritores do Novo Testamento, especialmente Lucas, Paulo e Judas dão a pista do caminho que percorreram ao escrever alguns dos seus textos. Vejamos Lucas: “Visto que muitos empreenderam uma narração... a mim, no entanto, escrevi as coisas de forma coordenada...”. Agora, Paulo: “Neste assunto manda o Senhor: que...”, “aqui, não tenho mandamento do Senhor, mas dou minha opinião...” (1. Co 7). Finalmente, Judas: “Amados, quando usava de toda a diligência para vos escrever acerca da nossa fé comum...” (Jd.3). A Bíblia é a eterna palavra de Deus, sobre Deus, com palavras humanas, sobre os homens; palavras dos homens acerca de Deus; palavras de Deus acerca dos homens; palavras dos homens aos homens; contém palavras verdadeiras de Satanás com intuitos mentirosos e palavras mentirosas de Satanás. O que faz a Bíblia ser palavra de Deus não é cada virgula que ela contém, mas o seu conjunto, a sua mensagem que o Espírito concedeu que os homens registrassem para o nosso ensino. Ai reside a sua inspiração. A inspiração das Escrituras pode ser provada pelo efeito que ela produz na vida do crente. Em primeiro lugar, a inspiração pode ser provada pela atualização da palavra. Ela não muda, é sempre atual. O que foi escrito há muito tempo continua sendo verdade, tanto quando fala da natureza, quanto das coisas ou do homem. A veracidade daquilo que a Bíblia fala é outra prova da sua inspiração. As questões históricas e arqueológicas dos povos bíblicos, tão debatidas em tempos passados, têm sido comprovadas a cada dia com as descobertas arqueológicas. Além disso, acresce-se o fato de haver, na Bíblia, o fenômeno das profecias e milagres. Estudando-se as datas em que as profecias bíblicas foram dadas, comprova-se que o seu vaticínio nunca foi concomitante ou a posteriore ao acontecido. É verdadeira, portanto. A mudança que a Bíblia produz no leitor é a mais subjetiva de todas, mas a que pode falar mais alto. A Bíblia tem um grande poder de modificar a vida da pessoa que a lê e leva seus ensinos a sério. Esse poder transformador é o próprio poder do Espírito que se manifesta através das palavras da Bíblia para influenciar a vida do crente. A Bíblia nos aproxima sempre mais de Deus; ninguém que se desvie por outros caminhos, deixando ao Senhor, pode afirmar que o fez por causa das sucessivas leituras da Bíblia. Porém, o abandono da sua leitura é também o passaporte para o abandono da fé. Quanto á autoridade das Escrituras, “é o poder, o peso inerente na Escritura por ser o que é, a saber, uma revelação divina dada por inspiração divina. Se é palavra de Deus, tem autoridade sobre os homens. Porque detrás de cada palavra que qualquer um pronuncie, está a pessoa que a pronuncia. É o que fala (seu caráter, conhecimento e posição) o que determina como os demais têm de considerar suas palavras. Assim, pois, a palavra de Deus tem autoridade. Por ser ele quem é, cremos no que tem dito... Sustentamos, pois, que Deus se tem revelado mediante a palavra; que essa palavra divina (ou’respirada’ por Deus) foi escrita e preservada nas Escrituras e que as Escrituras são, de fato, a palavra escrita de Deus que, portanto, é verdadeira e digna de fé e tem autoridade divina sobre os homens” (Stott, p.176-177). A autoridade fala do poder que Deus tem de nos mandar fazer ou deixar de fazer algo. Ele é Senhor, criador e redentor. Somos dele por criação, redenção e habitação. Ele nos criou, salvou e habita em nós pelo Espírito, portanto, tem autoridade para dizer o que deve ser feito. A autoridade bíblica está ligada á sua inerrância. Isso quer dizer que tudo o que a Bíblia diz, diz sem errar. A inerrância é a confirmação também da própria inspiração bíblica. Deus não mentiu nem se enganou acerca das informações que estão contidas na Bíblia. Portanto, nos autógrafos-documentos originais que saíram em primeira mão dos escritores bíblicos não há nenhum tipo de erro. O que temos hoje como nossa Bíblia é cópia, de cópia, de cópia. Pode Ter havido, em algum tempo, voluntária ou involuntariamente, erros, nas transcrições, audições, cópias, erros de julgamento, geográficos ou de pessoas. Ainda assim, porém, o que temos hoje é um documento confiável. Além dos termos tratados anteriormente, devemos acrescentar aqui o conceito de canonicidade. A canonicidade diz respeito aos critérios objetivos que uma determinada comunidade, e por extensão, todos os eruditos que trataram da coletânea de livros bíblicos, usou para determinar o modo de aceitação ou rejeição de um ou mais livros. Em outras palavras, a canonicidade fala daquelas razões dadas para a aceitação ou rejeição de um livro. Alguns desses critérios são:

Deve Ter sido escrito entre Moisés e Esdras;
Deve levar o nome de um grande profeta, sacerdote ou discípulo do mesmo;
Deve Ter sido escrito em hebraico;
Deve Ter aceitação geral;
Deve ser doutrinariamente fiel;
Não deve ser exagerado nos fenômenos metafísicos;
Deve falar de Jesus e apontar para ele;
Deve Ter sido escrito por um apóstolo ou por um de seus discípulos;
O espírito do leitor deve atestar a inspiração interna do livro.

3. MOTIVOS DO SURGIMENTO DO CÂNON

Só podemos falar de motivos prováveis e também múltiplos do surgimento do cânon. Tanto para os escritos do Antigo como do Novo Testamento houve uma infinidade de livros que reivindicaram falar em nome de Deus para o seu povo. Na verdade, quando os escritores escreveram seus livros não pensavam, originalmente, que eles fariam parte do cânon. Dada esta variedade de livros e a localização das diversas sociedades leitoras, uns livros eram conhecidos em uma determinada região enquanto que outro tanto não era conhecido. Isso levou determinadas comunidades a receberem um determinado número de livros e atribuir-lhes autoridade e outras comunidades usarem e atribuírem autoridade a outras coleções. Antes de Jesus e depois dele, não havia uma preocupação com uma coleção fechada de livros. As comunidades judias em Alexandria e em outras áreas da dispersão usavam certos livros que os judeus da Palestina não conheciam ou rejeitavam. No Novo Testamento lemos acerca de epistolas que Paulo escrevera aos coríntios que não conhecemos. Além disso, ele escreveu uma carta aos laodicenses que não sabemos qual seja. Tudo isso corrobora a idéia, como já disse, de que há escritos, mesmo inspirados por Deus, que não fazem parte da coleção que temos recebido. Visto que os livros foram, originalmente, escritos para uma determinada comunidade sem que o seu autor pensasse em uma coleção autorizada, junto com outros livros, muitos outros livros foram escritos e que nós não conhecemos. Além disso, dada à particularidade daquela comunidade e dos assuntos que foram tratados nesses livros, por certo algum assunto não interessou muito aqueles que trabalharam na catalogação autorizada desses referidos livros. Os judeus liam seus livros sem se preocuparem se eram ou não canônicos. Isto é, liam-nos independentemente de fazerem ou não parte de uma coleção autorizada. De certa forma, foram os cristãos que forçaram os judeus a terem sua coleção fechada. Logo no inicio os judeus perceberam que os cristãos estavam usando seus escritos para comprovarem a natureza e ministério de Jesus. Isso os levou a definir a sua coleção de livros autorizados. Da mesma forma, quando começaram a surgir heresias no seio da igreja, quando os cristãos viram que essas heresias eram ensinadas de púlpito e transcritas em livros, os ortodoxos começaram a se preocupar em determinar que livros eram próprios para a leitura e quais eram impróprios. É claro que não apenas os hereges os cristãos eram hereges para os judeus e havia hereges no meio dos cristãos foram os propulsores para a formação de uma coleção autorizada de livros. Mesmo que seja certo, como já disse anteriormente, que havia uma coleção muito grande de livros lidos por judeus e cristãos; e que uma comunidade conhecia e lia livros que outra comunidade não conhecia, havia também livros que não gozavam de aceitação por essas comunidades. Há livros que, de chofre, eram rejeitados por judeus e cristãos. Esses livros tinham sua leitura proibida em público sinagoga ou igreja-e na privacidade. Existiam livros que deveriam ser lidos apenas na privacidade devocional das pessoas (e só por algumas pessoas), mas não podiam ser lidos em público. Esses são os livros que gozavam de uma aceitação mais local. Existiam livros, no entanto, que eram por todos aceitos e lidos, independentemente da comunidade. Era recomendada a leitura desses livros, tanto a individual como a coletiva. Esses últimos livros foram os primeiros a serem aceitos na coleção canônica dos judeus e dos cristãos. Para a coleção do Antigo Testamento, os livros da lei nunca encontraram dificuldade para serem aceitos. Os profetas também não tiveram tantos problemas para a aceitação. Alguns dos chamados livros poéticos tiveram problemas para serem aceitos pelos judeus. Para os cristãos, a lei, os profetas, os salmos e os evangelhos não tiveram problemas para serem aceitos nas coleções autorizadas. Para os cristãos, algumas epistolas encontraram resistências para serem aceitas. Os judeus e cristãos não classificavam seus livros em canônicos e apócroficos. Esta é uma definição bem posterior. Para os livros sobre os quais não residia nenhum problema de aceitação, os judeus aplicavam a designação de livros que contaminam as mãos, isto é, eles eram tão santos que “contaminavam” as mãos de quem os lia. Os cristãos classificavam seus livros em homologoumena, aqueles que tinham aceitação geral, sobre os quais ninguém falava contra, e os antile-goumena, livros acerca dos quais existiam controvérsias; eram aceitos por uns e não aceitos por outros.


4. OS CÂNONES

Do que já falei sobre a diversidade de comunidades, além da divisão de judeus e cristãos, podemos falar de cânones diferentes. Tratemos, inicialmente, da divisão do cânon. Os livros do cânon não estão dispostos por sua ordem cronológica, alguns seguem a outros cronologicamente conforme os temos hoje, mas não todos-, mas segundo os temas literários. Tratando-se da literatura do Antigo Testamento, temos apenas três tipos: a profecia, a história e a poesia. Assim, os judeus da Palestina têm uma divisão diferente do cânon recebido pelos judeus da Dispersão. Os judeus palestinos adotam uma divisão tripla do seu cânon: os livros da Lei de Moisés; os livros proféticos (incluem: os livros históricos como Josué, Juizes... esses são os chamados profetas anteriores, e os profetas posteriores, Isaias, Jeremias...); e os escritos (os escritos incluem os poéticos: Jó, Salmos... e os rolos: Ester, Crônicas...). Os judeus dispersos (alexandrinos, daí o nome: cânon alexandrino) adotam uma divisão quádrupla: A lei, históricos, poéticos e proféticos (sendo os profetas chamados de maiores: Isaías, Jeremias e os profetas chamados menores: Oséias, Amós e Obadias...). Os cristãos (católicos e protestantes) adotam a divisão quádrupla dos judeus da dispersão. O cânon alexandrino, no entanto, adota outros livros que os judeus da Palestina não aceitam. São os chamados apócrifos/ deuterocanônicos. Os protestantes adotam apenas a divisão do cânon alexandrino, ao passo que usam os mesmos livros do cânon palestinense. Os católicos ousam a divisão e número do cânon alexandrino. A literatura do Novo Testamento compreende a história (Evangelhos e Atos), a epistola e a profecia (Apocalipse). Em termos gerais, considerando-se apenas o conteúdo da literatura bíblica, temos dois cânones: O Antigo e o Novo Testamento. O cânon hebreu é o cânon do Antigo Testamento. O cânon dos cristãos inclui o Antigo e o Novo Testamento. A diferença que existe diz respeito apenas ás divisões e número de livros que o Antigo Testamento contém. Não há divergência em se tratando de católicos e protestantes-quanto ao conteúdo e número de livros do Novo Testamento. O cânon alexandrino é composto, além dos livros que normalmente já temos no cânon protestante, dos seguintes livros: I e II dos Macabeus, Judite, Baruque, Eclesiástico, Tobias, Sabedoria de Salomão e Epistola de Jeremias. Além destes há os acréscimos a Ester e a Daniel e os sacerdotes de (Susana, Daniel e os sacerdotes de Bel e Daniel e o Dragão).

5. OS CONCILIOS E O CÂNON

Os concílios foram as grandes reuniões que os teólogos e sábios do passado fizeram para decidir que livros a comunidade do povo de Deus, como um todo, deveria receber como autorizados. Já anteriormente falei que algumas comunidades, devido ás distâncias entre elas, e devido ás suas necessidades, usavam livros diferentes. É grande o número de livros do Antigo e Novo Testamento que já receberam o status de canônicos. Por causa disso, alguns chegaram a nominar os livros em “livros inspirados em geral”, quando se referia a um livro que foi usado como canônico por uma ou mais comunidade. Por outro lado, os livros “inspirados especiais” são livros que foram aceitos por todos e em todo lugar. O primeiro concílio de que se tem noticia é o concilio dos judeus, no final do primeiro século da era cristã, na cidade de Jâmnia, entre 90-115 d.C. Esse foi o concilio que determinou o cânon do Antigo Testamento conforme os cristãos protestantes usam hoje, em distinção ao cânon grego-alexandrino, mais extenso, que os católicos usam. Os cristãos também fizeram os seus concílios. Entre os mais famosos e que trataram sobre a Bíblia, estão os de Laodicéia, 363; de Cartago, 397; de Hipona, 419; e de Trento, 1545. Os primeiros concílios serviram para determinar e ratificar os livros do Novo Testamento que deveriam ser lidos e usados pelos cristãos de todo o mundo conhecido. Quanto ao uso do cânon mais curto ou mais longo com apócrifos ou não-a igreja mantinha uma certa flexibilidade. Deixava que os próprios cristãos decidissem se usariam ou não. Até em data recente, ainda no século passado, as sociedades bíblicas publicavam Bíblias com ou sem apócrifos. Um exemplo é a sociedade Bíblica Alemã, que chegou a publicar várias edições da Bíblia luterana com os apócrifos e sem eles. Não se pode falar em “os católicos” como se existisse um outro tipo de cristianismo com exceção dos ortodoxos de várias linhas até o século dezesseis. Logo, a igreja era tendente a usar os apócrifos uma hora e não usar em outras. Depois da reforma, os “protestantes” reformadores, Lutero, Calvino e Zwinglio suscitaram a discussão acerca de alguns livros da Bíblia. Optaram por não usá-los. Em reação a isso, a igreja católica romana optou por usá-los. Essa opção é tanto uma continuidade histórica quanto uma reação antiprotestante. Não podemos enveredar, outrossim, por uma argumentação de que não se usa os apócrifos em virtude de os reformadores não terem aceitado o seu uso. Até mesmo em relação ao Novo Testamento houve discussão dos reformadores. Por exemplo, para Lutero, Ester e Tiago não deveriam estar fazendo parte do cânon. Ele mesmo sugeriu que se tirasse esses dois livros da lista dos autorizados.

6. NOSSA DISPOSIÇÃO

Do que recentemente foi colocado, acredito que o mais importante de tudo é que os cristãos tornem a afirmar o conceito da Bíblia como regra de fé e prática. A partir do século dezesseis, Jean Astruc iniciou, aparentemente sem querer, um movimento que culminou na descrença total da Bíblia como literatura humana e divina. É estranho hoje que as casas de espetáculos encham-se para ouvir obras de Shakespeare ou outros autores; que livros de autores desconhecidos sejam vendidos aos milhares, ainda mais, comentários. E comentários são vendidos acerca de Platão, Tales, Heráclito, Aristóteles, JJ.Benitez... È charmoso estar lendo um texto sobre religião oriental, ao passo que parece ultrapassado e vergonhoso empunhar a Bíblia ou um comentário bíblico. Parece igualmente estranho que livros estejam aparecendo nesses últimos dias sobre assuntos que parecem bíblicos, como por exemplo: vida de Jesus na Índia, Tibet, China, Jesus como discípulo de monges tibetanos, a comunidade Essência de Cumrã, os escritos do Mar Morto e coisas do gênero. Esses livros vendem aos borbotões, neles as pessoas acreditam e discutem os assuntos bíblicos baseados neles, e, no entanto, não estão lendo a Bíblia. Os livros apócrifos e pseudepígrafos também são moda em nossos dias. As pessoas estão comprando e lendo esses livros e crendo neles como se fossem canônicos. A partir deles é que tiram a sua fé, melhor, descrêem da fé e discutem com aqueles que estão lendo a Bíblia. Não nos parece estranho tudo isso!? Tudo isso começou no século dezesseis. A conseqüência de tudo está ai diante de nós. Se toda questão residisse ai, não seria tão grave. Acontece, porém, que os próprios cristãos, que já afirmaram que a Bíblia era única regra de fé e prática, enveredaram mais do que nunca em um tipo de tradicionalismo histórico e parcialidade bíblica. Se fizermos uma pesquisa a nível profundo e sério, veremos que, mesmo que as publicadoras de Bíblias estejam mostrando milhões de Bíblias vendidas a cada ano no Brasil, o número de pessoas que está lendo efetivamente a Bíblia toda é mínimo, ínfimo. Bíblia, para algumas pessoas, resume-se em uns poucos livros: Salmos e Provérbios, no Antigo Testamento, ás vezes Gênesis e Isaias. Estes dois últimos sofrem com a questão da “mitologia” bíblica, no primeiro caso e com a diversidade de autores, no segundo. No Novo Testamento, lê-se Mateus, João e 1 Coríntios 13. É claro que estou dando um tratamento reducionista á questão. A ênfase no momento quer dar idéia que, dos 66 livros do cânon protestantes, cerca de 10% estão sendo lidos. Quanto mais aqueles que adotam a um cânon mais longo. Estão brigando por causa de livros que nunca leram! Chegamos há um tempo em que os cristãos são guiados por uma subjetividade na vida prática. Se o coração não condena, tudo é possível. Não é a palavra, quem orienta o crente, mas suas visões, profecias e outras coisas que ele recebe. Se os descrentes estão lendo os livros apócrifos, os cristãos estão fazendo uma leitura selecionada e particularizada dos livros bíblicos. Nossa questão principal não reside em quem tem mais ou menos livros, mas na disposição para a obediência. E temos sempre os nossos jeitinhos, nossas interpretações para escaparmos de praticar a Bíblia no dia-a-dia. Temos sempre uma bíblia a nosso favor. Quem quer beber álcool, por exemplo, esquecerá tantas recomendações contra o uso do mesmo e trará a recomendação de Paulo a Timóteo “toma um pouco de vinho”, e o exemplo de Noé e Jesus, que, não apenas tomou, mas transformou água em vinho. Por outro lado, se alguém quer negar o uso da entrega do dizimo, dirá que é uma prática do Antigo Testamento que nunca foi confirmada no Novo. Quem quer casar com o descrente, acreditará que seu casamento será o único onde seu cônjuge será “santificado pelo outro”. Ter uma bíblia a nosso favor é achar sempre versículos que apóiem os nossos proceder, seja por meio de citação de outros textos ou por meio de uma nova interpretação que damos ao texto. Assim, nunca estaremos obrigados a fazer o que realmente a Bíblia manda. O problema que os reformadores enfrentam foi teológico. O nosso problema atual é bíblico. É preciso uma nova reforma.