sábado, 22 de novembro de 2008

Sobre o Divórcio

“INTRODUÇÃO”

Apresento este estudo que irá discorrer e encarar um dos assuntos mais ignorados, no que diz respeito à igreja, o divórcio.
Quando falamos deste assunto, geralmente nos vem imediatamente na cabeça o caso de infidelidade conjugal e viúves. A pessoa estará biblicamente livre para um novo relacionamento, somente nestas clausulas.
Mas, as Escrituras vão muito mais a fundo do que apenas nos declaram estas duas situações, e devemos observar cuidadosamente o texto bíblico para não julgarmos casos e situações diferentes de maneiras iguais, caindo assim, no erro de condenar pessoas inocentes.
As Escrituras relatam de forma precisa, a respeito deste assunto, embora haja muita controvérsia, por isso, este estudo não tem a intenção de relatar a verdade absoluta a respeito deste assunto, mas de abrir biblicamente novas perspectivas a respeito do assunto, de forma que não caiamos no horrível erro do fanatismo religioso.
É com muito temor e tremor que compartilho este estudo, a fim de ter podido adquirir conhecimento através dele, e agora, portanto, dividir este conhecimento.


REFERÊNCIAS

Nm. 30:9 - Dt. 24:1-4 - Is. 50:1 - Jr. 3:1 / 3:8 - Mt. 5:31 / 5:32 / 19:3-9 - Mt. 6:14-15 / 18:15-20 - Mc. 10:2-12 - Lc. 16:18 - 1Co. 7:10-27


DEFINIÇÃO

Divórcio: Separação de cônjuges por meio de dissolução judicial do matrimônio. De forma figurativa quer dizer: desunião, desacordo, rompimento.


A LEI DE MOISÉS

A lei de Moisés permitia ao homem divorciar-se de sua mulher. Mas antes de mandá-la embora, tinha que lhe dar o documento de divórcio, que lhe restituía a liberdade. Na época do NV, os doutores judeus discutiam muito sobre os motivos para o divórcio. Alguns permitiam o divórcio por qualquer coisa que desagradasse ao marido, até uma comida mal preparada. Outras achavam que somente por uma falta moral grave, por exemplo, o adultério.
A mulher nunca podia divorciar-se do marido, ainda que em certas circunstâncias ela pudesse força-lo a divorciar-se dela.
Nosso Senhor explicou que esta faculdade era devido à dureza de seus corações. Acrescentou que a lei justa e original do casamento era a lei natural, isto é, que o homem que se liga a sua mulher, forma um só corpo com ela, e que são dois em uma só carne, sendo indissolúvel esta união, salvo em caso de adultério. Se um homem abandona sua mulher e casa com outra, a não ser pelo motivo legal, comete adultério, e aquele que casar com a mulher divorciada ilegalmente, também comete o mesmo pecado.
É bem possível que as provisões mosaicas, referentes ao divórcio, houvessem sido estabelecidas a fim de regulamentar uma prática já existente. Pelo que também o Senhor Jesus disse em verdade que tais provisões foram estabelecidas, não como reflexo da verdadeira vontade de Deus, e sim, para atender à dureza dos corações humanos. Assim sendo, temos no trecho de Deuteronômio 24:1-4 alguma legislação que com freqüência era interpretada muito literalmente pelos judeus. Se um homem encontrasse alguma coisa indecente em sua esposa, bastaria essa razão para que pudesse divorciar-se dela. Alguns pensavam que essa palavra só pode significar, mais estritamente, casos de adultério; porém, muitos rabinos judeus davam a tais palavras uma interpretação extremamente liberal, de tal modo que um homem podia divorciar-se de sua legítima esposa por praticamente nenhum motivo, embora ela mesma não pudesse mover a ação de divórcio contraído. Essa era uma antiga aplicação do duplo padrão que, sem dúvida alguma, fazia parte integrante dos costumes sociais dos judeus.
É óbvio que entre os judeus o adultério era causa suficiente de divórcio, ainda que, na maioria dos casos de adultério, tanto a mulher como o homem, eram apedrejados até morrer.
A poligamia era por demais generalizada, bem como o concubinato, em que tais relações sexuais não eram consideradas, não havendo, nesses casos, segundo a opinião judaica antiga, qualquer razão para divórcio, ainda que uma mulher desejasse divorciar-se de seu marido, por essas razões. Naturalmente que os casamentos múltiplos e o concubinato eram privilégios exclusivos dos homens, pois nenhuma mulher judia podia ter dois maridos ao mesmo tempo.
Um homem podia tomar uma concubina, estabelecendo com ela um contrato de curta ou longa duração. E, contanto que ela não fosse casada com outro homem, isso não era reputado como adultério. Portanto, para os homens judeus, não havia qualquer restrição nesse sentido, podendo ele ter diversas esposas. E os contratos eram feitos, segundo os desejos dos homens e mulheres envolvidos, e estabelecendo casamentos múltiplos ou concubinatos, sem que nenhum desses casos fosse recrutado como adultério.
De conformidade com a interpretação mais literal da legislação do Antigo Testamento, sobre a questão do divórcio, havia apenas duas situações que proibiam o divórcio:
1- Quando um homem tivesse acusado falsamente a sua esposa de ter tido relações sexuais ilícitas antes do casamento (Deuteronômio 22:13-19).
2- Quando um homem tivesse relações sexuais com uma donzela, e o pai da jovem compelisse-os a se casarem. (Deuteronômio 22:28-29, Êxodo 22:16-17). Em tais casos, nenhum divórcio podia ser obtido.
Houve duas ocasiões, dentro da narrativa do Antigo Testamento, em que o divórcio foi imposto como obrigação, a saber:
1 - Certos judeus foram forçados a se divorciar de suas mulheres estrangeiras, depois que os judeus voltaram do exílio. (Esdras 9 e 10, Neemias 13:23 ss).
2 - Certos judeus se divorciaram de suas esposas judaicas, a fim de se casarem com mulheres pagãs.(Malaquias 2:10-16).


A IGREJA

Alguns intérpretes acreditam que se divorciar e casar-se de novo é cometer adultério, pelo menos no caso do partido culpado, se não até para ambos os cônjuges, embora o adultério do segundo casamento seja um ato isolado, e um estado contínuo, e que, uma vez contraído, o segundo casamento se torna legítimo, e que depois do ato inicial de adultério as pessoas envolvidas não vivem em pecado, e nem cometem adultério contínuo. Essa interpretação não declara que o Senhor Jesus estava dizendo aqui isto ou aquilo, mas tem sua aplicação prática tanto na sociedade em geral como no seio da igreja cristã. Não nos parece razoável rejeitar, como membros de uma igreja local, um casal, agora firmemente estabelecida em seu matrimônio, com a complicação de filhos nascidos dessa união, e cujos cônjuges originais já se casaram novamente por sua vez e já geraram outros filhos. Existem muitos problemas complicados de casamento antes da conversão a Cristo. Não é razoável impedir que tais pessoas participem da comunhão da igreja; antes, devemos ir ao encontro delas, a fim de sermos de ajuda espiritual. O fato de alguém ter cometido um erro não significa que o desenvolvimento espiritual desta pessoa esta estagnado. No que diz respeito à questão de essas pessoas poderem ocupar posições de liderança ou não, cabe a magistratura da igreja decidir.
Mas isso ainda deixaria sem solução, de forma absoluta, a questão se uma pessoa crente, casada com incrédulo, tendo sido abandonada por este, e tendo-se casado pela segunda vez, como crente, poder participar ou não como um membro da igreja local, não ficando reduzido à condição apenas de um espectador. É verdade que os trechos de 1ªTimóteo 3:22 e Tito 1:6 proíbem os anciãos e diáconos de terem mais de uma esposa; e isso certamente é mais uma provisão para evitar a poligamia, embora isso também estivesse em foco. Tal pessoa, pois que antes era casada com incrédulo, que abandonou, mas que agora é casada com um crente, visto que teve direito legítimo de fazer tal, sem incorrer em culpa (contanto que o divórcio haja sido provocado pelo incrédulo, já que o próprio crente tem vedado o direito de separar-se, mas antes, deve procurar conquistar seu cônjuge incrédulo para Jesus Cristo), também deve ter o direito de participar na igreja. Além disso, posto haver a possibilidade de ambas as formas de resposta para essa razão, homens bons e bons intérpretes têm assumido posições diametralmente opostas. Parece razoável, de conformidade com a linha Paulina de pensamento, sobre esse particular, pensarmos que essa liberdade é total, ou seja, se tal crente vier a extinguir-se por seu progresso espiritual, não devemos negar o privilégio de participar ativamente das atividades da igreja local, somente por causa de um erro cometido antes de sua conversão.
Certos enredos matrimoniais são impossíveis de serem solucionados, e o melhor que a igreja pode fazer é aceitar as pessoas como elas são, porquanto é assim que Cristo nos aceita.


A EXCEÇÃO PAULINA

Paulo tem pouquíssimo a dizer sobre esse assunto. A passagem de Romanos 7:1-3 não pode ser considerada como uma declaração dogmática sobre a questão do divórcio. O apóstolo dos gentios ignorou propositadamente com que a exceção, porquanto não estava procurando ensinar qualquer doutrina acerca da questão, mas meramente se utilizava do matrimônio como ilustração simbólica sobre a nossa nova lealdade a Cristo. Não encontramos nesse texto, por conseguinte, o pensamento de Paulo sobre a questão do divórcio.
Note-se que, na passagem de 1ªCoríntios 7:10-16, Paulo permite que o cônjuge crente se separe de seu cônjuge incrédulo, contanto que o cônjuge incrédulo deseje tal separação. Neste caso, o crente pode casar-se de novo, porque não está sob servidão. Esta expressão implica que o divórcio, nestes casos, é o verdadeiro fim do casamento, e que o crente está totalmente livre. Devemos nos lembrar de que os judeus não reconheceram casamentos mistos como legais. Paulo nos informa que tais casamentos são legais, mas não são totalmente obrigatórios. Nesses casos, pode existir uma variedade de razões para desfazer o casamento. Paulo exige, entretanto, um esforço honesto de evangelização do incrédulo, antes de qualquer consideração de divórcio. Além disto, a decisão de desfazer o casamento deve ser do incrédulo.


O DIVÓRCIO, VÁRIAS CONSIDERAÇÕES.

Consideremos, por exemplo, o caso do alcoólatra habitual, que espanca sua esposa e seus filhos. Imaginemos que, por um capricho estranho de personalidade, o homem não comete adultério. Poderíamos dizer que o adultério seria ainda pior do que aquilo que tal homem está fazendo? Muitos se inclinariam em dizer que esse homem é muito mais passível de ser divorciado de sua esposa do que aquele outro homem que, ocasionalmente, mantém relações sexuais com outras mulheres, mas que, em tudo o mais, é um marido e um pai devotado á sua família, cuidando criteriosamente dos seus próprios filhos. Consideremos ainda um caso radical, como de um homicídio. Se um pai de família viesse a assassinar um de seus filhos, ou mesmo viesse assassinar algum desconhecido, sendo então lançado em prisão perpétua, por causa desse fato. A sua esposa não teria liberdade de divorciar-se dele? O crime desse homem não seria maior do que se ele mantivesse relações sexuais ocasionais com outras mulheres? Consideremos, igualmente, um caso de insanidade mental. E se um obrigar o outro a jamais se casar novamente? Desses nos exorta o reconhecermos que a regra que tem por exceção única o adultério é totalmente inadequada para satisfazer as necessidades de uma sociedade que abunda de crimes cometidos contra a família e fora delas. Tomemos, finalmente, um outro exemplo. É um fato da sociedade que existe o incesto. Se um homem se tornar culpado desse crime, ou for ele um homossexual, não pode a sua esposa divorciar-se legalmente dele? Tais problemas convenhamos, não podem ser facilmente desconsiderados.
Provavelmente, o Senhor Jesus nunca abriu exceções, seguindo o ideal de uma mulher para cada homem. Todavia, outros trechos bíblicos não devem ser negligenciados.


PODE UM DIVORCIADO CASAR NOVAMENTE?

Segundo a Palavra de Deus o divórcio só é possível se uma parte é incrédula ou vive em adultério. ( 1ªCo.7:10-13; Mt.5:32; Lc.16:18 ). O crente não é obrigado a manter um matrimônio se a parte descrente quer dissolvê-lo.
O texto de 1ªCo. 7:15 fala a respeito da separação e não de um novo casamento. Se um divorciado casar novamente enquanto vive o antigo cônjuge, se torna um adúltero, seja culpado ou não pelo divórcio (Lc. 16:18; Mt. 5:32, 19:9).
Mas como a solidão e as chamadas "tensões sexuais" podem ser vencidas? Pela íntima comunhão com o Senhor, e isto vale também para pessoas que por amor ao Senhor não casaram, tendo, assim, os mesmos instintos dados pelo Criador como qualquer outra pessoa.
Aqueles que segundo a orientação bíblica do apóstolo Paulo resolveram separar-se do seu cônjuge devem permanecer como estão, não podendo casar-se novamente, a não ser que neste intervalo haja adultério da outra parte, sendo assim, estará livre para pedir o divórcio e casar-se novamente.
Mas o que devem fazer as pessoas que como divorciadas se casaram de novo, indevidamente? Devem se separar novamente? Não! Antes devem se arrepender verdadeiramente diante do Senhor, pedir-lhe perdão e a purificação pelo seu precioso sangue, sabendo que Deus não leva em conta o tempo da ignorância.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Existem excelentes intérpretes que não concordam com todas essas declarações, embora existam também bons intérpretes que ainda são mais liberais, em seus pontos de vista.
A grande verdade é que esse problema não pode ser solucionado para satisfação de todos. Portanto, sugiro que sejam analisados os textos bíblicos citados neste estudo, e com a sabedoria do Espírito Santo, que nos conduz a toda a verdade, meditem sobre a questão, para que todos venhamos a crescer no conhecimento e na fé.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

- Pequena Enciclopédia Bíblica – O. S. BOYER – Editora Vida.
- Dicionário da Bíblia – John Davis – Editora Candeia / Juerp.
- Dicionário Brasileiro Globo – Francisco Fernandes – Editora Globo.
- Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia / R. N. Champlin Editora Candeia.
- Enciclopédia Ilustrada da Bíblia – Pat Alexander – Editora Paulinas.
- Concordância Bíblica – Paul W. Schelp - SBB.
-Respostas bíblicas a 350 perguntas da vida – Wim Malgo – Chamada da meia noite.



Nenhum comentário:

Postar um comentário