sábado, 22 de novembro de 2008

A Trindade

INTRODUÇÃO

Podemos definir a doutrina da Trindade do seguinte modo: Deus existe eternamente como três pessoas ‑ Pai, Filho e Espírito Santo e cada pessoa é plenamente Deus, e existe só um Deus.
A palavra Trindade não se encontra na Bíblia, embora a idéia representada pela palavra seja ensinada em muitos trechos, Trindade significa "tri‑unidade" ou "três‑em‑unidade". É usada para resumir o ensinamento biblico de que Deus é três pessoas, porém um só Deus.
As vezes se pensa que a doutrina da Trindade se encontra somente no Novo Testamento, e não no Antigo. Se Deus existe eternamente como três pessoas, seria surpreendente não encontrar indicações disso no Antigo Testamento. Embora a doutrina da Trindade não se ache explicitamente no Antigo Testamento, várias passagens dão a entender ou até implicam que Deus existe como mais de uma pessoa.



A TRINDADE E A UNIDADE

A religião dos antigos hebreus era uma fé rigorosamente monoteísta, como, aliás, é a religião judaica hoje. A unidade de Deus foi revelada a Israel em muitas ocasiões diferentes e de várias maneiras. Os Dez Mandamentos, por exemplo, começam com a declaração: "Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim" (Ex 20.2,3).
A proibição da idolatria, o segundo mandamento (v. 4), também repousa sobre a singularidade de Jeová. Ele não tolerará nenhuma adoração de objetos feitos por mãos humanas, pois somente ele é Deus. A rejeição do politeísmo percorre todo o Antigo Testamento. Deus demonstra repetidas vezes sua superioridade sobre outros que reivindicam deidade.
Uma indicação mais clara da unidade de Deus é o Shemah de Deuteronômio 6, é a grande verdade que o povo de Israel tinha a obrigação de absorver e inculcar em seus filhos. Eles deviam meditar naqueles ensinamentos ( "Estas palavras estarão no teu coração", v. 6). Deviam conversar sobre elas em casa e pelo caminho, ao levantar a ao deitar (v. 7). E qual é essa grande verdade que devia ser tão destacada? "O SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR" (v. 4). A segunda grande verdade que Deus desejava que Israel aprendesse e ensinasse é um mandamento baseado em sua singularidade: "Amarás o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força" (v. 5). Por ele ser único, não devia haver divisão no compromisso de Israel.
Todos esses indícios, tornados por si, com certeza nos levariam a uma crença basicamente monoteísta. Que motivo, nesse caso, levou a igreja a ir além dessas indicações? Foi o testemunho biblico complementar de que três pessoas são Deus. A deidade da primeira pessoa, o Pai, pouco se discute.
Um pouco mais problemático é o status de Jesus como deidade, ainda que a Escritura também o identifique como Deus. Uma referência chave a deidade de Cristo Jesus é encontrada em Filipenses 2. Ao que tudo indica, nos versículos 5‑11, Paulo toma o que era um hino da igreja primitiva e o usa como base para pedir aos leitores que pratiquem a humildade. Paulo observa que "ele [Jesus], subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus" (v. 6).
Devemos notar que Jesus nunca afirmou diretamente sua deidade. Ele nunca disse simplesmente: "Sou Deus". Mas várias pistas sugerem que era assim, de fato, que ele se via. Ele afirmava possuir o que pertence unicamente a Deus. Ele falou dos anjos de Deus (Lc 12.8,9; 15.10) como se fossem seus (Mt 13.41). Ele considerava o reino de Deus (Mt 12.28; 19.14, 24; 21.31, 43) e os eleitos de Deus (Mc 13.20) como de sua propriedade. Além disso, ele alegou perdoar pecados (Mc 2.8‑10). Os judeus reconheciam que somente Deus podia perdoar pecados e, por conseguinte acusaram Jesus de blasfêmia. Ele também reivindicava poder para julgar o mundo (Mt 25.31) e reinar sobre ele (Mt 24.30; Mc 14.62).
Também há referências biblicas que identificam o Espírito Santo como Deus. Aqui podemos notar que há passagens em que referências ao Espírito Santo, ocorrem de forma intercambiável com referências a Deus. Um exemplo disso é At 5.3,4; Jo 3.8. Além disso, ele recebe a honra e a glória reservadas a Deus.
Em 1Corintios 3.16,17, Paulo lembra aos fieis que eles são o templo de Deus e que seu Espírito habita neles. No capítulo 6, Paulo diz que o corpo deles é o templo do Espírito Santo que neles habita (v. 19,20). "Deus" e o "Espírito Santo", ao que parece, são expressões equivalentes. Também há alguns trechos em que o Espírito Santo é colocado em pé de igualdade com Deus. Um deles é a fórmula batismal de Mateus 28.19; o segundo é a benção paulina em 2Corintios 13.14; e, por fim, 1Pedro 1.2, em que Pedro dirige‑se a seus leitores como os "eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo".
Isaías 63.10 diz sobre o povo de Deus que "eles foram rebeldes e contristaram o seu Espírito Santo", dando a entender, aparentemente, tanto que o Espírito Santo é distinto do próprio Deus, quanto que esse Espírito Santo pode‑se "contristar", entristecer‑se, aventando assim capacidades emocionais características de uma pessoa distinta.
Isaías 61.1 também distingue "O Espírito do Senhor Deus". do "Senhor".
Quando a igreja começou a refletir sobre questões doutrinárias, chegou a conclusão de que Deus deve ser compreendido como três em um ou, em outras palavras, triúno.
Um texto tradicionalmente citado como um registro da Trindade é 1João 5.7, segundo se encontra em versões mais antigas como a Edição Revista e Corrigida: "Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um".
A forma plural do substantivo que designa o Deus de Israel, Elohim, é as vezes entendido como um indício da concepção trinitária. Trata‑se de um nome genérico usado também para outros deuses. Quando usado em referência ao Deus de Israel, apresenta‑se em geral, mas nem sempre, no plural. Alguns diriam que essa é uma indicação da natureza plural de Deus.
Existem ainda outras formas plurais. Em Genesis 1.26, Deus diz: "Façamos o homem a nossa imagem". Aqui, o plural aparece tanto no verbo "façamos" como no sufixo possessivo "nossa". Quando Isaías foi chamado, ouviu o Senhor dizendo: "A quem enviarei, e quem há de ir por nós?" (Is 6.8). O que é significativo do ponto de vista da analise lógica é a mudança do singular para o plural. Genêsis 1.26 diz na realidade: "Também disse [singular] Deus: Façamos [plural] o homem a nossa [plural] imagem". Deus é citado usando um verbo no plural em referência a si mesmo. De modo semelhante, Isaías 6.8 traz: "A quem enviarei [singular], e quem há de ir por nós [plural]?"
A divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo é uma verdade. Portanto, temos um único Deus, mas três pessoas divinas. Contudo, não podemos interpretar em termos de triteísmo, porquanto isso seria dar forma de triteísmo que contradiz o monoteísmo das Escrituras. Considere­mos os pontos abaixo:
a. Monoteísmo. A ti foi mostrado para que soubesses que o Senhor é Deus; nenhum outro senão ele (Deut. 4:35). Eu sou o Senhor, e não há outro; além de mim não há Deus... (Isa. 45:5). (Ver igualmente os trechos de Mar. 12:29; , I Cor. 8:4; 1 Tim. 2:5). Deus é eterno (ver Den. 33:27; Isa. 40:28; Rom. 16:26 e I Tim. 1:17). Deus é um espírito (ver João 4:24; Luc. 24:39); é infinito (ver I Cro. 29:11; Mat. 19:26; Luc. 1:37); é dotado de sabedoria infinita (ver Sal. 147:5; Atos 15:18); é infinito em bondade (ver Gen. 1:31; Sal. 33:5 136:1); é o criador e o preservador de tudo (ver Exo. 20:11; Gen. 1 e Col. 1:16,17).
b. Contudo, o Filho, referido como pessoa diferente do Pai, também é divino: ver Isa. 9:6; Col. 2:9 e Heb. 1:3. O Filho exerce os mesmos atributos de divindade exercidos pelo Pai (ver Col. 2:9); ele é o Alfa e o Omega (ver Apo. 1:8,17 21:6; 22:13); é o criador e o preservador da criação (ver Col. 1:16,17; João 1:1); uma só substância com o Pai (ver João 10:30); é eterno (ver João 1:1 e Miq. 5:2).
c. O Espírito Santo é uma pessoa divina. Ver João 14:16, 26; 15:26; 16:7,13,14; Rom. 8:26, quanto a sua personalidade; comparar com Jui. 15:14 e 16:20 acerca de sua divindade, onde são usados inter­cambiavelmente as expressões - Espírito do Senhor e Senhor. Ver tambem II Sam. 23:2, onde o ,Senhor,, fala, embora seja ele o Espírito. O Espírito Santo é o criador(ver Jó 33:4). Ele é onipresente, um atributo pertencente exclusivamente a Deus (ver Sal. 139:7). O sexto capítulo do livro de Isaías fala sobre o Senhor dos Exércitos; e esse é usado em Atos 28:25,26 para indicar o Espírito Santo, que fala aos homens; ver também Luc. 1:35; ICor. 3:16; 6:19; IITim. 3:16 e IIPed. 1:21, que indicam a personalidade do Espírito e subentendem a sua divindade. O Espírito Santo é eterno, descrição essa que cabe exclusivamente a Deus (ver Heb. 9:14). Ele é o Espírito da verdade, e somente Deus é a verdade absoluta (ver João 15:26 e I João 5:6). Ele é enviado por Deus Pai e por Deus Filho, sendo divino (ver João 15:26; Rom. 8:9 e Gal. 4:6).
Quando começa o Novo Testamento, entramos na história da vinda do Filho de Deus a terra. É de esperar que esse grande acontecimento se fizesse acompanhar de ensinamentos explícitos sobre a natureza trinitária de Deus, e de fato é isso que encontramos.
Analisando a questão com pormenores, podemos simplesmente listar várias passagens em que as três pessoas da Trindade são mencionadas juntas.
Quando do batismo de Jesus, "eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele. E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo" (Mt 3.16‑17). Aqui, ao mesmo tempo, temos os três membros da Trindade realizando três coisas distintas.
Ao final do seu ministério terreno, Jesus diz aos discípulos que eles devem ir e fazer "discípulos de todas as nações, batizando‑os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo" (Mt 28.19). Os próprios nomes Pai" e "Filho", baseados na família, e mais comuns das instituições humanas, indicam com muita força a distinção das pessoas do Pai com o Filho. E se o "Espirito Santo" é inserido na mesma frase e no mesmo nível das outras duas pessoas, difícil é evitar a conclusão de que o Espírito Santo é também tido como pessoa e de posição igual ao do Pai e do Filho.
Quando nos damos conta de que os autores do Novo Testamento geralmente usam o nome "Deus" (gr. theos) para se referir a Deus Pai e o nome "Senhor" (gr. kyrios) para se referir a Deus Filho, fica claro que há outro termo trinitário em 1Corintios 12.4‑6: "Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos".
Igualmente, o último versículo de 2Corintios é trinitário na sua expressão: "A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós" (2Co 13.13). Verificamos também as três pessoas mencionadas separadamente em Efésios 4.4‑6: "Há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e esta em todos".
As três pessoas da Trindade são mencionadas juntas na primeira frase de l Pedro: "... eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo..." (1Pe 1.2). E em Judas 20‑21, lemos: "Vós, porém, amados, edificando‑vos na vossa fé santíssima, orando no Espírito Santo, guardai‑vos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna".
Todavia, a tradução de 1Jo 5.7 diz: "Pois são três os que dão testemunho no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e esses três são um".

A TRINDADE E A HUMANIDADE DO HOMEM

O ensino a respeito da imagem de Deus, na humanidade também é visto como uma indicação da Trindade. Genêsis 1.27 traz:
Criou Deus, pois, o homem a sua imagem, a imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
Alguns argumentariam que temos aqui um paralelismo não apenas nas duas primeiras linhas, mas nas três, "homem e mulher os criou" seria equivalente a "criou Deus, pois, o homem a sua imagem" e a "imagem de Deus o criou". Por esse raciocínio, a imagem de Deus no homem (genérico) deve ser encontrada no fato de o homem ter sido criado macho e fêmea (plural). Isso significa que a imagem de Deus deve consistir em uma unidade em pluralidade, uma característica tanto do tipo quanto do arquetipo. De acordo com Genêsis 2.24, homem e mulher devem tornar‑se um; exige‑se uma união de duas entidades distintas. É significativo que a mesma palavra é usada para Deus. Parece que existe alguma afirmação acerca da natureza de Deus, ele é um organismo, ou seja, uma unidade de partes distintas.
Alguns ja afirmaram tratar‑se de plurais majestáticos, forma de falar que um rei usaria ao dizer, por exemplo: "Temos o prazer de atender‑lhe o pedido". Porém, no Antigo Testamento hebraico, não se encontram outros exemplos em que um monarca use verbos no plural ou pronomes plurais para referir‑se a si mesmo nessa forma de "plural majestático"; portanto, essa sugestão não tem evidências que a sustentem. Outra sugestão é que Deus esteja aqui falando com anjos. Mas os anjos não participaram da criação do homem, nem foi o homem criado a imagem e semelhança de anjos; por isso a sugestão não é convincente. A melhor explicação é que já nos primeiros capítulos de Genêsis temos uma indicação da pluralidade de pessoas no próprio Deus.
Em algumas partes das Escrituras, as três pessoas são associadas em unidade e aparente igualdade. Uma delas é a formula batismal conforme prescrita na grande comissão (Mt 28.19,20): batizando‑os em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo. Note que o nome é singular, embora haja o envolvimento de três pessoas. Ainda outra associação direta dos três nomes é a benção paulina em 2Corintios 13.13 “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós". Aqui temos novamente a associação dos três nomes em unidade e aparente igualdade.
E no quarto evangelho encontramos o indício mais significativo de uma Trindade de equivalentes. A fórmula tríplice aparece repetidas vezes: 1.33,34; 14.16, 26; 16.13‑15; 20.21,22 (1Jo 4.2, 13,14).
O prólogo do evangelho também contém um material rico em significado para a doutrina da Trindade.
Ha outras maneiras pelas quais esse evangelho salienta a proximidade e a unidade entre o Pai e o Filho. Jesus diz: "Eu e o Pai somos um" (10.30) e "Quem me vê a mim vê o Pai" (14.9). Ele ora para que seus discípulos sejam um como são ele e o Pai (17.21).
A essência da humanidade é uma só. A raça humana; toda é uma unidade. Deus não criou diversas raças humanas "De um sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra..." (Atos 17:26) .
A raça humana compõe‑se de muitas unidades. Esta inferência que tiramos do nosso estudo é que a raça humana se compõe de muitas unidades; isto é, de indivíduos. Há atualmente no mundo cerca de um bilhão e oitocentos milhões; de pessoas. Por isso, ainda que a essência da humanidade seja uma, ela consiste de muitas unidades.
A unidade humana não é simples, mas dupla. Isto é, depende claramente da revelação de Deus nas Escrituras. Em Genêsis 2:18 lemos : "E disse o Senhor : não é bom que o homem esteja só", indicando assim que a unidade individual não era completa em si mesmo. E no verso 24 do mesmo capítulo "Portanto, deixará o varão seu pai e sua mãe, e apegar‑se‑a a sua mulher, e serão ambos uma só carne. " Vemos a mesma idéia de unidade humana em Genêsis 1:27: E criou o homem a Sua imagem : A imagem de Deus os criou : macho e fêmea os criou",
O homem genérico é, pois, uma unidade perfeita, consta de dois em um. Concluimos, pois, que a unidade huma­na é uma unidade dupla ou dual, composta do homem e da mulher.
Concluimos, pois, que a mulher é tão humana quanto o homem.
Da mesma maneira o homem é tão humano quanto a mulher.
Ve‑se dai que o homem genérico existe em dualidade, e que esta unidade dupla que o caracteriza é a perfeita unidade humana.
Consideremos agora as inferências da revelação quan­to a divindade. São as seguintes:
A essência da divindade é uma só. Assim como a essência da humanidade é uma, também a essência da divindade é uma.
Deus no sentido genérico é uma unidade absolutamen­to perfeita e existe três em um. A unidade humana sendo du­pla não pode ser perfeita, não pode ser a mais elevada, porque a sua constituição reclama alguma coisa mais. É na tríplice unidade divina que temos a unidade perfeita, mas esta é uma unidade triúna. E assim chegamos a algumas conclusões, a saber:
a. O Filho é tão divino como o Pai.
b. O Pai é tão divino como o Filho.
c. E o Espírito Santo é tão divino como o Pai e como o Filho.

A TRINDADE E O AMOR


O significado dessa questão é tão grande, que é o próprio fundamento de nossa fé cristã. Exatamente nessa questão torna‑se claro que Deus é verdadeiramente o Deus vivo, o Deus que tem vida em si mesmo, que é literalmente cheio de vida e que é amor. Alguns dos pais da igreja primitiva usaram uma notável expressão. Eles diziam: "Deus é fértil. Dentro do Deus trino e uno existem todas as possibilidades de comunicação pessoa a pessoa.
Deus não precisava de maneira nenhuma da criação. Ele não era um Deus solitário, que precisou fazer uma projeção de si mesmo, para que tivesse um "oposto". A doutrina da trindade é o fim de todo panteísmo. Se, nas profundezas de seu ser, Deus é três em um, ele não precisa deste mundo para chegar ao seu pleno potencial. Como Emil Brunner expôs: "Se apenas em si mesmo, desde toda a eternidade, Deus é o Amor, não era preciso existir nenhum mundo para ele ser o Amor".
A doutrina da trindade é de grande importância para uma devida compreensão da criação. Citando Brunner novamente: "O mundo como criação é a obra do seu amor". É a idéia de Deus não precisar do mundo para torná‑lo completo. Atanásio disse há muito tempo que, porque Deus é "fertil" e pode comunicar‑se consigo mesmo internamente, ele também é capaz de comunicar‑se externamente. Mas essa autocomunicação interior não exige a exterior, uma vez que já existe comunicação dentro da divindade. Por meio do seu Filho, Deus livremente estendeu‑se para criar um mundo. O que ele fez foi alguma coisa diferente de si mesmo, mas ele é o seu fundamento e ele é o seu alvo.
Essa crença na trindade é igualmente essencial para a doutrina da revelação; de fato, é a base de toda revelação. Na revelação do Pai no Filho por meio do Espírito, não apenas recebemos alguma informação externa a respeito de Deus, mas temos a garantia de que o próprio Deus esta nos falando e abrindo‑nos o seu divino coração. A revelação é real e completamente auto‑revelação, porque Deus se revela no amor. Deus é amor.
Acima de tudo, porém, a doutrina da trindade é importante para a nossa salvação. É a resposta a pergunta quanto ao fato de a nossa salvação ser realmente obra de Deus ou não. Em última análise esse é o motivo pelo qual a igreja esta tão vitalmente interessada na divindade de Jesus Cristo e do Espírito Santo. A pergunta vital a fazer a respeito da natureza de Jesus Cristo é esta: em Jesus, realmente nos encontramos com o próprio Deus?
A mesma pergunta vital esta em jogo na doutrina do Espírito Santo. Atanásio escreveu: "Se o Espírito Santo fosse uma criatura, não teríamos comunhão com Deus nele; nesse caso seríamos estranhos a natureza divina, de modo que de maneira nenhuma teríamos comunhão com ela".
Nada disso é teoria vazia. Faz eco na experiência de cada cristão. Os crentes sabem por experiência que são filhos do Pai, que são remidos pelo Filho e que o Espírito Santo esta presente na vida deles. E eles sabem também que em todos os três relacionamentos eles lidam com o mesmo Deus único.
Aliás, há um constante mover, em ida e volta: do Pai por meio do Filho ao Espírito Santo em nossas vidas, e depois de novo do Espírito Santo em nossas vidas por meio do Filho até o Pai. É verdade que nem sempre experimentamos essa triplicidade como unidade. Com frequência a triplicidade no relacionamento é mais conspícua em nossa experiência do que a unidade. E existe, contudo, a experiência da unidade também, especialmente quando o Espírito habita em nós, pois no Espírito e por meio dele, o próprio Jesus Cristo esta presente conosco, e em Jesus e por meio dele temos comunhão com Deus Pai.
Quero no entanto, finalizar este pensamento declarando João 3:16 – Porque Deus amou o mundo de tal mameira, que entregou o seu único Filho, para que todo aquele nele crêr não pereça mas tenha a vida eterna. CONSIDERAÇÕES FINAIS


Nossa conclusão a partir dos dados que acabamos de examinar: Embora a doutrina da Trindade não seja declarada de forma expressa, a Escritura, especial­mente o Novo Testamento, contém tantos indícios da deidade e da unidade das três pessoas que podemos compreender por que a igreja formulou a triúnidade de Deus.
A menos que se disponham a admitir a pluralidade de pessoas num só Deus, os interpretes judeus das Escrituras, mesmo hoje, não terão explicação mais satisfatória de Salmos 110.1, Gn 1.26, ou de outras passagens.
Em certo sentido a doutrina da Trindade É um mistério que jamais seremos capazes de entender plenamente. Podemos, todavia, compreender parte da sua verdade resu­mindo o ensinamento das Escrituras em três declarações: 1. Deus é três pessoas. 2. Cada pessoa é plenamente Deus. 3. Há só um Deus.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

- Introdução à teologia Sistemática – Millard J. Erickson – Editora Vida Nova.

- Teologia Sistemática – Wayne Grudem – Editora Vida Nova.

- Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia – R.N. Champlin, Ph.D / J.M. Bentes – Editora Candeia.

- Esboço de Teologia Sistemática – A.B. Langston – Editora Casa Publicadora Batista.

- Teologia Sistemática – Louis Berkhof – Editora Luz Para o Caminho.

- Fundamentos da Teologia Cristã – Robin Keeley – Editora Vida.



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