sábado, 22 de novembro de 2008

O Profeta Jonas

Jonas cujo nome significa pombo, é nos apresentado como o filho de Amitai. É men­cionado em 2 Rs. 14.25 como: (1) um profeta de Israel, o Reino do Norte, durante o reinado de Jeroboão II (793-753 a. C.); e (2) como um cidadão de Gate-Hefer, que distava entre 3 e 4 km ao norte de Nazaré na Galiléia. Os fariseus, pois, estavam enganados quando alegaram que nenhum profeta jamais surgiria da Galiléia (Jo 7.52). O ministério de Jonas teve lugar pouco depois do de Eliseu (2 Rs 13.14-19), coincidiu parcialmente com o de Amós (Am 1.1) e foi seguido pelo de Oséias (Os 1.1). Embora o livro não declare o nome do autor, provavelmente foi o próprio Jonas quem o escreveu.
O arrependimento de Nínive, diante da pregação de Jonas, ocorreu no reinado de um destes dois monarcas assírios: (I) Adade-Nirari III(810-783 a.C.), cujo governo foi marcado por uma tendência para o monoteísmo, ou (2) Assurda III(733-755 a.C.), em cuja administra­ção houve duas grandes pragas (765 e 759 a.C.) e um eclipse do sol (763 a.C.). Estas ocorrências podem ter sido interpretadas como sinais do juízo divino, preparando a capital da Assíria para a mensagem de Jonas. Nínive ficava cerca de 800 km a nordeste da Galiléia.


O LIVRO DO PROFETA JONAS

Por que ler esse Livro?

Se você já pensou que algumas pessoas não tem mais jeito, são tão más que não podem ser mudadas, o livro de Jonas pode revolucionar esse seu modo de pensar. Pense nos assassinos em série, nos estupradores, nos traficantes de drogas ou nos terroristas; não e contrário á natureza desejar o castigo desses indivíduos violentos e cheios de ódio. Esse livro, no entanto, mostra que Deus quer estender sua graça e sua rnisericórdia exatamente aqueles que temos a tendência de desprezar ou considerar fora do alcance da redenção.


Quem escreveu o Livro?

Mais provavelmente foi o profeta Jonas quem o escreveu, numa espécie de autobiografia, narrando em primeira mão o que Ihe aconteceu.


Quando foi escrito?

Talvez entre 785 e 750 a.C., durante o reinado de Jeroboão II, rei de Israel (V. 2Rs 14.25).


O que acontecia na época?

O Reino do Norte, Israel, tinha reconquistado a sua influência e foi restaurado por Jeroboão II. Mas a Assíria, cuja capital era Nínive, estava querendo expandir-se de modo cada vez mais ameaçador.


Por que foi escrito?

Para dizer, por meio de uma história, que Deus se preocupa até mesmo com os inimigos do seu povo. O livro também mostra que Deus usou um profeta relutante como veiculo da sua graça.


O que se deve buscar em Jonas:

A compaixão de Deus por todo o seu povo, seu desejo de arrependimento sincero, indepen­dentemente do que a pessoa tenha feito. Também procure ver até onde ele se dispõe a ir para nos chamar a atenção.
O livro de Jonas não contém oráculos proféticos, mas uma narração envolvendo a pessoa de um tal de Jonas filho de Amati. O livro refere-se provavelmente ao mesmo Jonas mencionado em 2Rs 14,25. Não se trata, porém, de um relato histórico. O livro de Jonas pertence ao gênero literário midráxico e é um ensinamento didático de caráter sapiencial.
O estilo e o linguajar do livro, bem como a tese aqui defendida, nos levam a situá-lo no séc. IV a.C. No contexto atual o canto de ação de graças de Jn 2,3-10 é, sem dúvida, um acréscimo posterior.
Jonas, o hebreu (1,9), encarna aqui o povo de Israel. O livro fustiga a atitude particularista do povo de Israel. Como exemplo é escolhida a cidade de Nínive, destruída em 612 a.C., que continuava, contudo, como protótipo da inimiga de Israel. O autor do livro de Jonas mostra uma grande abertura sapiencial. Ele reage violentamente contra a tendência de seus contemporâneos – especialmente a partir da reforma de Esdras-Neemias – de restringir a salvação a Israel. A misericórdia divina não tem limites.


Um Recado de Misericórdia para Nínive

Nínive era a capital do Império Assírio. Este foi considerado o império mundial por uns 300 anos, 900-612 a.C. Começou sua elevação à potência universal mais ou menos pela época da divisão do reino judaico, no fim do reinado de Salomão. Pouco a pouco absorveu e destruiu o reino do Norte de Israel.


Os Reis Assírios que Tiveram Relações com Israel e Judá foram:

Salmaneser III, 859-824 a.C. Começou a diminuir Israel.
Adade-Nirari, 808-783. Recebeu tributo de Israel.
Tiglate-Pileser III, 745-727 a.C. Deportou a maior parte de Israel.
Salmaneser V, 727-722 a.C. Sitiou Samaria.
Sargão II, 722-705 aC. Levou cativo o resto de Israel.
Senaqueribe, 705-681 a.C. Invadiu Judá.
Esar-Hadom, 680-669 a.C. Muito poderoso.
Assurbanípal, 669-627 a.C. Poderosíssimo e brutal.
Dois reis fracos, 626-609 a.C. O gigantesco império caiu, 609 a.C.

De modo que Jonas foi chamado por Deus para prolongar a vida da nação inimiga que já procedia ao extermínio de seu povo. Não admira que ele fugisse na direção oposta, foi o receio patriótico de uma máquina militar, brutal e implacável, que estava acometendo o povo de Deus.
Jonas era natural de Gate-Hefer. Viveu no reinado de Jeroboão II (782-753 a.C.) e ajudou a recobrar algum território perdido de Israel, 2 Rs 14:25, o que pode ter ocorrido depois de sua visita a Nínive e durante intervalo ocasionado pelo arrependimento temporário dessa cidade.


A Historicidade do Seu Livro

Naturalmente, por causa da história do peixe, a mentalidade incrédula revolta-se e não aceita o livro como histórico. Dizem que é ficção, ou alegoria, parábola, ou poema escrito em prosa, etc. etc. Jesus indubitavelmente considerou o caso como fato histórico, Mt 12:39-41. É necessário fazer considerável violência à sua linguagem para que seja outro o seu sentido. Jesus chamou o caso um "sinal" de Sua própria ressurreição. Colocou o peixe, o arrependimento dos ninivitas, a sua própria ressurreição e o dia do juízo, tudo debaixo da mesma categoria. Certo que Ele tratava de reali­dades quando falou de sua ressurreição e do dia do juízo. Assim foi que Jesus aceitou a história de Jonas. Para nós isto resolve a questão. Acreditamos que o fato ocorreu realmente, do modo como é narrado, e que provavelmente o profeta Jonas, sob a direção do Espírito de Deus, teria escrito o livro sem procurar desculpar-se de sua indigna atitude; e que esse Livro, ainda sob a direção do mesmo Espí­rito, foi posto entre Os Sagrados Escritos no Templo, como parte da revelação que Deus fez de Si.


O peixe

O vocábulo, erradamente traduzido "baleia", significa "grande peixe, ou monstro marinho." Tem-se achado muitos monstros marinhos bastante grandes para engolir urna pessoa. Entretanto, que caracteriza a história é ela tratar de um milagre, que era um atestado divino de que Jonas havia sido enviado a Nínive. Sem um milagre assim assombroso, os ninivitas teriam dado pouca atenção a Jonas, Lc. 11:30.


Confirmação Arqueológica

Ao que saibamos, não há registro do arrependimento dos ninivitas nas inscrições assírias. Existem, no entanto, vestígios de que Adade-Nirari fez reformas similares as de Amenófis IV no Egito. E, sob os reinados dos três reis que se seguiram a Adade-Nirari, houve urna cessação das conquistas assírias. Nesse período Israel recobrou território perdido, 2 R 14:25. Isto sugere que a influência de Jonas em Nínive foi profunda.


O Propósito de Deus no Caso

Uma coisa é que o fato pode ter adiado o cativeiro de Israel, visto que a ganância de conquista foi um dos pecados de que se arrependeram, 3:8.
Principalmente parece que a intenção de Deus foi dar a entender ao seu próprio povo que Ele também estava interessado em outras nações.
Demais disto, o lar de Jonas ficava em Gate-Hefer (2 Rs 14:25), perto de Nazaré, residência de Jesus, de quem Jonas era um "sinal".
Mais ainda: Jope, onde Jonas embarcou para não pregar a uma outra nação, foi o lugar exato, escolhido por Deus 800 anos mais tarde, para ali dizer a Pedro que recebesse pessoas de outras nações, At 10.
E ainda mais: Jesus citou o caso como figura profética de sua própria ressurreição ao terceiro dia, Mt 12:40.
Assim, em tudo, a história de Jonas é uma grandiosa figuração histórica da ressurreição do Messias e da sua missão a todas as nações.


Fatos Importantes

A cidade de Tarsis, pensa-se que era Tartessos, na Espanha. Jonas dirigia-se as partes mais afastadas do mundo então conhecido.
Ele devia ter o hábito de orar empregando palavras dos Salmos, assim como fez nesta bela oração. Seu lançamento de volta a terra firme pode ter-se dado perto de Jope, e pode ter sido presenciado por muitos.
Jonas, em sua pregação sem dúvida contava sua experiência com o peixe, apresentando testemunhas que comprovavam sua história. Falando em nome do Deus da nação a qual os ninivitas haviam começado a saquear, estes tornaram-no a sério e ficaram aterrorizados
Fora lá, não para chamá-los ao arrependimento, mas para anunciar a sentença da condenação deles. No entanto, agradou a Deus haverem-se arrependido, pelo que adiou o castigo, muito a contragosto de Jonas.
O traço mais tocante do livro está no último versículo: a compaixão de Deus pelas criancinhas. Influiu em Deus, para sustar a des­truição da cidade, o fato de seu coração ser refratário à idéia do morticínio de inocentes crianças. Jesus gostava muito de crianças e de atitudes de crianças em pessoas adultas.


O Cômoro "Jonas"

O segundo cômoro em volume, das ruínas de Nínive, chama-se "Yunas", que é a palavra nativa correspondente a "Jonas". O cômoro cobre 1.618 ares, e tem 33 m de altura. Encerra o túmulo que se diz ser de Jonas. Foi isto uma das coisas que sugeriram a Rich tratar-se ai das ruínas de Nínive, e que levaram a sua identificação. Esse túmulo é tão sagrado para os naturais do lugar, que estes não tem permitido nenhuma escavação em larga escala no cômoro. Layard descobriu as ruínas do palácio de Esar-Hadom. Espera-se que um dia os segredos deste palácio possam ser explorados.


A CIDADE DE NÍNIVE

Nínive propriamente dita media de extensão 4.800 m e 2.400 m. de largura. A Nínive maior incluía Calá, 32 km ao Sul, e Corsabade, 16 km ao Norte. O triângulo formado pelo Tigre e o Zabe fazia parte das fortificações de Nínive.
Calá, posto avançado ao Sul de Nínive, cobria 40.470 ares. Aí Layard e Loftus descobriram palácios de Assurbanipal, Salmaneser e seu Obelisco Negro, Tiglate-Pileser e Esar-Hadom.
Corsabade, posto avançado ao Norte de Nínive, foi construída por Sargão, que destruiu Israel, 722 a.C., e cujo palácio, o primeiro depois do de Senaqueribe, era o mais magnificente de todos. 255-257, 331-333.
Nínive era a capital do Império Assírio, que destruíra Israel.
Fundada por Ninrode, logo após o dilúvio, Gn 10:11-12, desde o princípio, fora rival de Babilônia: esta, na parte sul do Vale do Eufrates; Nínive, na parte norte; distantes, urna da outra, uns 480 km.
Nínive elevou-se à potência mundial cerca de 900 a.C. Logo depois, começou a diminuir Israel. Lá por 780 a.C., Deus enviou-lhe Jonas numa tentativa de faze-la desviar-se desse caminho de conquistas brutais. Dentro dos seguintes 60 anos, em 722 a.C., os exércitos assírios haviam acabado de destruir o reino do Norte de Israel. Por mais outros 100 anos, Nínive continuou ganhando, mais e mais batalhas, podendo e ficando mais arrogante.
Ao tempo da profecia de Naum, era ela a cidade soberana da terra, poderosa e brutal além do que se possa imaginar, cabeça de um estado guerreiro feito as custas do despojo das nações. Riquezas ilimitadas, proce­dentes dos confins da terra, abarrotavam os seus cofres. Naum compara-a com um covil de leões vorazes, animais de rapina, a alimentar-se do sangue das nações, 2:11-13.
O nome Nínive abrangia um complexo de vilas associadas, servidas por um único sistema de irrigação, protegidas por uma única rede de forti­ficações baseada nas defesas formadas pelos rios. A cidade central, que era a grande área palaciana no meio do grande sistema, também se chamava Nínive.
A Nínive maior media uns 48 km de extensão e uns 16 de largura. Era protegida por 5 muralhas e 3 valas, construídas com o trabalho forçado de milhares sem conta de cativos estrangeiros. A cidade interior de Nínive, propria­mente, era de uns 4.800 m. de extensão, e 2.400 de largura, construída na junção do Tigre com o Kôser e protegida por muralhas de 30 m de altura, bastante largas para sobre elas correrem 4 carros emparelhados, e de 12 km de circuito.
No apogeu do poderio de Nínive e as vésperas de sua derrocada súbita, apareceu Naum com esta profecia, chamada, por alguns, de "canto fúnebre de Nínive", "clamor da humanidade pela justiça".


A Completa Ruína de Nínive

Sua destruição é predita com minúcias espantosas e pitorescas.
O fato de Deus ser tardio em irar-se, pode ter sido mencionado como a lembrar a visita de Jonas a essa cidade, anos antes. A ira de Deus através de toda a Bíblia, é o reverso de sua misericórdia.
A queda da cidade sanguinária, seria uma notícia de gozo inefável para o mundo que ela havia tão impiedosamente esmagado, especialmente para Judá.
Como um açude de águas, o grande número de canais protetores ao longo dos muros dava a cidade esse aspecto.
Sofonias também vaticinou a queda de Nínive, nestas palavras: “Esta é a cidade alegre e confiante, que dizia consigo mesma: Eu sou a única e não ha outra além de mim. Como se tornou em desolação, em pousada de animais, qualquer que passar por ela assobiará com desprezo”, Sf 2:1 3-I 5.


A Queda de Nínive - 612 a.C.

Dentro de uns 20 anos depois do vaticino de Naum, um exército de babilônios e medos acometeu Nínive. Após 2 anos de cerco, uma enchente repentina do rio levou parte das muralhas. Naum vaticinara que as comportas do rio se abririam para o exército destruidor, 2:6. Pela brecha feita desse modo, os babilônios e medos ata­cantes penetraram para sua obra de destruição. Cavalos curveteavam, os chicotes estalavam, rodas matraqueavam, carros saltavam e estrondeavam, espadas cintilavam e havia montões de cadáveres. Tudo aconteceu exatamente como Naum descrevera; e a cidade vil e sanguinária passou para o esquecimento.
Sua destruição foi tão completa que ate a sua localização foi esque­cida. Quando Xenofonte e seus 10.000 passaram por ali 200 anos mais tarde, supôs que os montões eram as ruínas de alguma cidade dos Partos. Quando Alexandre, o Grande, empreendeu a famosa batalha de Arbela, 331 a.C., perto do local de Nínive, não sabia que ali já tinha existido uma cidade.


A Descoberta das Ruínas de Nínive

Tão completamente haviam desa­parecido todos os vestígios da glória do Império Assírio que muitos eruditos chegaram a pensar serem lendárias as referências que a Bíblia e outras his­tórias antigas lhe faziam, e que na realidade tal cidade e tal império nunca existiram. Em 1820, 0 inglês Claude James Rich gastou 4 meses a esboçar os cômoros do outro lado do Tigre, defronte de Mossul, o que ele suspeitava fossem as ruínas de Nínive. Em 1 845, Layard identificou em definitivo o local; ele e seus sucessores descobriram as ruínas dos magníficos palácios dos reis assírios, com cujos nomes estamos hoje familiarizados, e centenas de milhares de inscrições nas quais lemos a história da Assíria, contada pelos naturais do pais, a qual em grau impressionante suplementa e confir­ma a Bíblia.
Koyunjik é o nome do principal cômoro. A Leste do Tigre, bem de­fronte de Mossul, cidade moderna. Cobre uns 4.047 acres e sua altitude media é de uns 30 m. Encerra os palácios dos reis Senaqueribe e Assurbanípal. Senaqueribe era o rei que invadiu Judá. Seu palácio era o mais so­berbo de todos. Foi desenterrado por Layard, 1849-50. Tinha mais ou menos o tamanho de três grandes quarteirões de urna cidade.


A Biblioteca de Assurbanipal

Talvez foi a descoberta arqueológica que, mais do que outra, marcou época. Foi descoberta essa biblioteca por Layard, Rassam e Rawlinson, 1852-54, no palácio de Senaqueribe. Originalmente continha 100.000 volumes. Cerca de um terço deles foi restaurado e acha-se no Museu Britânico. Assurbanipal foi um tanto inclinado à arqueologia; fez seus escribas pesquisar e copiar as bibliotecas da antiga Babilônia, de 2.000 anos antes. Somos-Ihe, pois, gratos por haver preservado o conhecimento da primitiva literatura babilônica.















2 comentários:

  1. muito bom oque estudei aqui meus parabems

    ResponderExcluir
  2. parabéns aprendi muito em tudo que escreveu.

    ResponderExcluir